Tribunal na Malásia decide que cristãos podem usar a palavra Deus

Comunidades cristãs argumentam que, durante séculos, usaram a palavra "Alá", que veio do árabe para o malaio, para se referir ao seu Deus.

Tribunal na Malásia decide que cristãos podem usar a palavra Deus
A icônica Igreja de Cristo da Malásia na cidade de Malaca, na Malásia

Um tribunal da Malásia decidiu na quarta-feira (10), que os cristãos podem usar a palavra Alá para se referir a Deus, em uma decisão histórica para a liberdade religiosa no país de maioria muçulmana.

A decisão da Suprema Corte derruba uma proibição de 35 anos, na Malásia sobre o uso de Alá e três outras palavras árabes por publicações cristãs. Em 2013, a decisão foi revogada pelo Tribunal de Justiça, que restabeleceu a proibição.

A questão dos não-muçulmanos, inclusive os cristãos usando “Alá” gerou tensão e violência no passado na Malásia. A constituição da Malásia garante liberdade de religião, mas tensões religiosas aumentaram nos últimos anos.

Os muçulmanos constituem quase dois terços da população, mas também existem grandes comunidades cristãs. Essas comunidades cristãs argumentam que, durante séculos, usaram a palavra “Alá”, que veio do árabe para o malaio, para se referir ao seu Deus e que a decisão viola seus direitos.

Em 2008, as autoridades malaias apreenderam CDs em malaio de Jill Ireland Lawrence Bill, uma cristã, em um aeroporto depois que descobriram que as gravações usavam “Alá” em seus títulos.

A Sra. Bill então lançou um desafio legal contra a proibição de 1986 aos cristãos de usar a palavra “Alá” para se referir a Deus, em publicações.

Na quarta-feira, 10 de março, depois de mais de uma década a Suprema Corte de Kuala Lumpur decidiu que ela tinha o direito de não enfrentar discriminação com base em sua fé.

Em sua decisão, Justice Nor Bee determinou que a palavra “Allah” – junto com três outras palavras de origem árabe “Kaabah” (o santuário mais sagrado do Islã em Meca), “Baitullah (Casa de Deus) e” Solat “(oração) – poderia ser usado por cristãos.

A magistrada Nor Bee, disse que a diretiva que proibia o uso das quatro palavras era ilegal e inconstitucional. “A liberdade de professar e praticar a religião de alguém deve incluir o direito de possuir materiais religiosos”, disse ela.

Esta não é a primeira vez que um tribunal da Malásia fica dividido sobre o uso da palavra “Alá”.

Em um caso separado, um jornal católico local – The Herald – processou o governo depois que este disse que não poderia usar a palavra em sua edição em língua malaia para descrever o Deus cristão.

Em 2009, um tribunal de primeira instância julgou a favor do The Herald e permitiu que eles usassem a palavra, em uma decisão que gerou um aumento nas tensões religiosas entre muçulmanos e cristãos.

Na quinta-feira, a Muafakat Nasional da Malásia – uma coalizão política – pediu que a última decisão da Suprema Corte fosse encaminhada ao Tribunal de Apelação, de acordo com um relatório do meio de comunicação local The Star.

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