França aprova projeto de lei contra o separatismo islâmico no país

Cerca de 200 pessoas se manifestaram em Paris no domingo contra o projeto de lei
Cerca de 200 pessoas se manifestaram em Paris no domingo contra o projeto de lei. Foto – Divulgação:AFP

Foi aprovado nesta terça-feira (16), na França, um projeto de lei contra o “separatismo islâmico“, que o governo afirma fortalecer os princípios seculares do país, mas os críticos argumentam que isso pode prejudicar os direitos da comunidade muçulmana.

A votação do polêmico projeto de lei chamado “separatismo islâmico”, apresentado pelo presidente Emmanuel Macron, abre o caminho para que seja aprovado em lei dentro de poucos meses.

Legisladores na Assembleia Nacional (câmara baixa do Parlamento) da França, dominada pela centrista La République En Marche de Macron! (LREM), votou 347 a 151 a favor do projeto, com 65 abstenções.

Publicidade

Leiambém:

Lei contra separatismo islâmico ameaça igrejas evangélicas na França

Atos anticristãos aumentaram 285% na França, diz observatório

A legislação agora será passada para o Senado françês ( Câmara Alta da França), o Senado liderado pelos conservadores. O Senado tem o poder de “alterar” o projeto, mas espera-se que dê luz verde.

“É uma ofensiva secular extremamente forte”, disse o ministro do Interior, Gerald Darmanin, à rádio RTL antes da votação de terça-feira. “É um texto difícil, no entanto, mas é necessário para a república.”

Entre os mais de 70 artigos separados, a lei expande a capacidade do Estado de fechar locais de culto e escolas religiosas, bem como de proibir pregadores que considera “extremistas”.

Em meio a preocupações com o financiamento estrangeiro de mesquitas, exige que grupos religiosos declarem grandes doações estrangeiras suas contas certificadas.

Macron e Darmanin, em particular, foram acusados ​​de favorecer os eleitores de extrema direita ao exagerar o perigo dos grupos que considera “islâmicos” nas comunidades de imigrantes frequentemente marginalizadas encontradas nos subúrbios franceses.

O governo rebate que a ameaça é real, apontando os ataques repetidos e o que Macron chamou de desenvolvimento de uma “contra-sociedade” que rejeita o secularismo, a igualdade e outros valores e leis francesas.

Com a campanha antes das eleições presidenciais e parlamentares já esquentando, o partido de oposição republicanos (LR) de direita e o Rally Nacional de extrema direita disseram que o projeto não vai longe o suficiente.

Eles pediram restrições ao uso do véu conhecido como hijab, que ambos veem como uma manifestação do islamismo, ao invés de uma expressão de identidade cultural ou piedade religiosa.

O governo rejeitou os pedidos para uma proibição mais ampla do véu, mas a lei vai expandir a demanda por “neutralidade religiosa” em roupas para pessoas que trabalham em empresas privadas que prestam serviços públicos.

Os críticos dizem que Macron, está tentando endurecer seu histórico no Islã linha-dura e segurança antes de uma provável revanche com o líder de extrema direita, Marine Le Pen na eleição do próximo ano.

Ele empurrou uma iniciativa recentemente para pedir a oito federações que representam os muçulmanos na França para assinar uma “carta de princípios” de 10 pontos, que três recusaram.

O chefe de Estado de 43 anos, também é acusado de fazer muito pouco para combater a discriminação e o racismo, embora uma nova lei e financiamento tenham sido prometidos para ajudar as comunidades marginalizadas.

Cerca de 200 pessoas se manifestaram em Paris na capital francesa, no domingo contra o projeto de lei, acusando-o de “reforçar a discriminação contra os muçulmanos”.

Em janeiro, um grupo de acadêmicos e ativistas escreveu no jornal Liberation que a lei foi “um golpe sem precedentes” à liberdade religiosa e à liberdade de formar associações.

*Informações, Al Jazeera e agências de notícias

Seguir o Amigo De Cristo no Google Notícias

Deixar cometário no Facebook: