Dois cristãos são acusados ​​de blasfêmia no Paquistão

Cristãos protestam contra a lei de blasfêmia no Paquistão
Cristãos protestam contra a lei de blasfêmia no Paquistão. Foto – Divulgação

Dois evangelistas cristãos estão sendo acusados ​​de violar a notória lei de “blasfêmia” do Paquistão, e podem enfrentar uma sentença de morte. Segundo à International Christian Concern (ICC), a pena de morte é obrigatória caso forem considerados culpados.

Os dois cristãos foram acusados ​de “blasfêmia”, após um debate religioso com um homem muçulmano, que registrou uma queixa na polícia por comentários contra o Islã, o Alcorão, e de ofender os seus sentimentos religiosos enquanto eles pregavam em Lahore.

Em 13 de fevereiro, Haroon Ayub Masih e Salamat Mansha Masih, dois evangelistas cristãos, estavam pregando no Model Town Park, localizado em Lahore. Enquanto pregavam, os dois cristãos conheceram Haroon Ahmad, um muçulmano, e vários amigos de Ahmad.

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De acordo com o First Information Report (FIR # 61/21), os dois cristãos deram a Ahmad um livro cristão intitulado “Water of Life” e começaram a discutir a divindade dos profetas e de Jesus Cristo. O debate com Ahmad, se transformou em uma discussão com os cristãos acusados de fazer comentários depreciativos contra o Islã.

A polícia acusou os dois cristãos de cometer blasfêmia, de acordo com as Seções 295-A, 295-B e 295-C do Código Penal do Paquistão. Caso forem considerados culpados, os dois cristãos podem ser executados, pois a Seção 295-C, determina uma sentença de morte obrigatória.

No Paquistão, falsas acusações de blasfêmia são generalizadas e frequentemente motivadas por vinganças pessoais ou ódio religioso. As acusações são inflamatórias e têm o potencial de desencadear linchamentos, assassinatos de vigilantes e protestos em massa.

Desde que o Paquistão acrescentou as Seções 295-B e 295-C às leis de blasfêmia do país em 1987, o número de acusações de blasfêmia disparou. Entre os anos, de 1987 e 2017, 1.534 pessoas no Paquistão estão sendo acusadas de blasfêmia.

Desses 1.534, 829 acusações (54%) foram contra minorias religiosas. Com os cristãos representando apenas 1,6% da população total do Paquistão, as 238 acusações (15,5%) feitas contra os cristãos são desproporcionais.

Atualmente, 24 cristãos estão presos por acusações de blasfêmia no Paquistão. Esses 24 cristãos são réus em 21 casos de blasfêmia representados em vários níveis do processo judicial no Paquistão.

O Gerente Regional da ICC, William Stark, disse: “Nós aqui da International Christian Concern estamos preocupados com a segurança dos cristãos Haroon Ayub Masih e Salamat Mansha Masih. Também estamos preocupados com a segurança da comunidade mais ampla que esses homens representam”.

Em muitos casos, a acusação de blasfêmia contra um cristão é suficiente para desencadear a violência no Paquistão. Essa violência não se limita aos acusados. Existem muitos exemplos em que uma acusação de blasfêmia explodiu em violência contra toda uma comunidade cristã.

A organização de apoio aos cristãos, pede uma investigação completa e justa da acusação contra Haroon e Salamat. Muitas vezes as leis de blasfêmia do Paquistão, são mal utilizadas para justificar a violência da turba ou resolver vinganças pessoais.