Aluna cristã leva Indonésia banir uso do véu islâmico nas escolas públicas

A polémica gerada com a estudante cristã obrigada a usar o hijab levou o governo do país a alterar as regras.

Aluna cristã leva Indonésia banir uso do véu islâmico nas escolas públicas
Indonésia proíbe trajes religiosos forçados nas escolas. Foto – Divulgação

A Indonésia proibiu o uso obrigatório do véu islâmico, nas escolas da rede pública após uma aluna cristã, forçada a usar o ‘hijab’ ter gerado polêmica no país. A Índonésía é conhecida por ter a maior população muçulmana do mundo.

A proibição foi assinada em decreto na quarta-feira (5), e as escolas da rede pública que não cumprirem podem enfrentar sanções. O governo da Indonésia, deu às escolas 30 dias para revogar as regras existentes.

A estudante cristã, de 16 anos, estava freqüentando uma escola que tinha como regra todos os alunos usarem o lenço de cabeça muçulmano. O país de maioria muçulmana, reconhece oficialmente outras religiões. Mas há preocupações sobre o aumento da intolerância religiosa.

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O Ministro da Educação e Cultura da Indonésia, Nadiem Makarim, disse que a escolha de usar trajes religiosos era “um direito do indivíduo e não é uma decisão da escola”.

‘Onde estão meus direitos religiosos?’

A questão chamou a atenção nacional nas últimas semanas depois que uma aluna de uma família cristã que estava frequentando uma escola em Padang, foi repetidamente convidado a usar um lenço de cabeça muçulmano nas aulas em janeiro.

Ela se recusou e seus pais foram chamados para falar com os funcionários da escola. Seus pais secretamente filmaram um vídeo do encontro e postaram nas redes sociais, o que gerou uma reação negativa online.

No vídeo, o oficial insistiu que a escola tinha uma regra de que todas as alunas, inclusive as não muçulmanas, deveriam usar o lenço de acordo com as regras da escola.

“Quase todos os dias, minha filha foi convocada por não usar lenço na cabeça, e sua resposta é que ela não é muçulmana”, disse Elianu Hia, o pai da menina, à BBC News Indonésia.

“Se eu (forçar) minha filha a usar o lenço na cabeça, estarei mentindo sobre a identidade dela”, acrescentou Hia. “Onde estão meus direitos religiosos? Esta é uma escola pública, afinal.”

Segundo à BBC, a diretora da escola mais tarde se “desculpou” durante uma coletiva de impresna e disse que a aluna cristã, teria permissão para se vestir de acordo com suas próprias crenças religiosas.

Em uma coletiva de imprensa sobre o decreto na quarta-feira, o ministro para assuntos religiosos Yaqut Cholil Qoumas foi citado como tendo dito: “As religiões não promovem o conflito, nem justificam agir injustamente contra aqueles que são diferentes.”

Andreas Harsono, pesquisador da Human Rights Watch, disse à agência de notícias Reuters que o decreto foi um passo positivo, visto que escolas em mais de 20 províncias ainda tornam o traje religioso obrigatório em seu código de vestimenta.

“Muitas escolas públicas exigem que meninas e professoras usem o hijab, que muitas vezes provoca bullying, intimidação, pressões sociais e, em alguns casos, demissão forçada”, disse ele.

A Indonésia é o maior país de maioria muçulmana do mundo, mas reconhece oficialmente seis religiões e consagrou o pluralismo na filosofia estatal conhecida como Pancasila.

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