Cerca de 100 pastores já morreram pela Covid-19, na Bolívia

Cerca de 100 pastores já morreram pela Covid-19, na Bolívia
Voluntários de ajuda humanitária em uma área rural da Bolívia  (Foto – MedFund Bolivia)

Cerca de 100 pastores evangélicos já morreram na Bolívia por causa do Covid-19, durante o “cumprimento do dever”, disse uma fonte do Conselho Nacional Cristão à Efe na sexta-feira.

“Atingimos a figura de mais de cem pastores que morreram no cumprimento do dever (…); portanto, esses pastores mostraram que seguiram o chamado mais alto”, disse à Efe o presidente da organização, o pastor Luis Aruquipa.

Vários líderes de igrejas evangélicas contraíram o vírus em atividades de solidariedade, como entrega de alimentos, brigadas de ajuda ou visitas pastorais, alguns de seus membros mencionados à mídia boliviana.

Aruquipa disse que a maioria dos pastores falecidos, cerca de 40, pertence a Santa Cruz, a região mais atingida pela pandemia na Bolívia, que tem 661 mortes em 1.638 em todo o país.

Enquanto cerca de 70 pastores morreram em outras regiões do país, como La Paz, Oruro, Potosí, Cochabamba, Chuquisaca e Tarija, ele mencionou.

O chefe do Conselho Nacional Cristão da Bolívia, indicou que as famílias que sofreram essas perdas foram atendidas e que “agora temos que lidar como igrejas de viúvas e órfãs”, o que deixou a doença em algumas famílias.

“Os cem são apenas pastores e líderes. Não estamos falando sobre os membros das congregações, senão os números se multiplicariam”, disse Aruquipa.

A situação é tão crítica que não se sabe com precisão se parentes próximos do falecido contraíram o vírus, disse ele.

O líder religioso afirmou que a decisão tomada por várias igrejas evangélicas é transformar os espaços de suas congregações em “clínicas celestiais” ou centros de isolamento transitório para aqueles que apresentam sintomas do COVID-19.

Aruquipa apontou que esta é uma medida urgente devido a atrasos na entrega dos resultados da análise da doença, pois ele disse que demoram vários dias e geram focos de contágio nas residências de potenciais transportadoras enquanto esperam por elas.

A Bolívia está enfrentando uma escalada de infecções que serão mais intensas no final de agosto e início de setembro, segundo as autoridades do governo interino do país.

Os contágios chegaram a afetar a presidente interina, Jeanine Áñez, alguns de seus ministros e membros do Parlamento.

A Bolívia registra 1.638 mortes e 44.113 infecções confirmadas desde a detecção das primeiras em março passado. EFE