Mangueira vai levar o “verdadeiro Jesus” para avenida, diz pastor

"Será um Jesus de amor, justiça e defesa dos corpos oprimidos"

Pastor evangélico Henrique Vieira (Foto: Reprodução – Instagram)

A escola de samba carioca Mangueira, mesmo cercada por criticas e elogios promete levar o “verdadeiro Jesus” para avenida, que será interpretado pelo pastor Henrique Vieira. O pastor e carnavalesco explicou com detalhes sobre este Jesus.

Em entrevista ao portal UOL, o religioso disse que “Será um Jesus de amor, justiça e defesa dos corpos oprimidos”. De acordo com à matéria, o pastor foi o responsável pela consultoria “histórica e bíblica” do samba-enredo da Mangueira.

“Numa época em que se usa tanto o nome de Cristo para estimular o ódio, o preconceito, a violência, a opressão, a Mangueira vai levar para a avenida o verdadeiro Jesus da Bíblia”, defende ele.

O título do samba-enredo, “A Verdade Vos Fará Livre”, é uma citação do evangelho de João, no qual Jesus diz: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32,33).

A frase bíblica é também uma das favoritas de Jair Bolsonaro, que já a reproduziu em seus discursos. O samba-enredo fala em “Messias de arma na mão”, e questiona em um dos versos: “será que todo o povo entendeu meu recado?”

Segundo o pastor, a história que a Mangueira pretende contar, além “alfinetar” Bolsonaro, é uma vertente destoante da narrativa hegemônica que se criou de Jesus, que o pastor considera distorcida e equivocada, disse ao UOL.

O religioso diz que; “O Jesus da Bíblia anda com os pobres e oprimidos, vence preconceitos, e acolhe as pessoas marginalizadas. Jesus se parece muito mais com o que a Mangueira vai apresentar na avenida do que com aquilo que muitas igrejas apresentam todo domingo”, diz.

Formado em ciências sociais, história e teologia, Vieira recorda que a má interpretação da mensagem de Cristo não é novidade.

Muitas vezes o cristianismo não compreendeu bem Jesus. Em nome de Jesus se legitimou as Cruzadas, a colonização violenta da América, a escravidão. “Provavelmente hoje matariam Jesus de novo”, sentencia. “E matariam Jesus em nome de Jesus”. Explicou o pastor, ao UOL.