Pastor recusa batizar Jovem negra por causa do ‘cabelo crespo’

Pastor recusa batizar Jovem negra  na por causa do cabelo crespo
Pastor recusa batizar Jovem negra na Bahia, por causa do ‘cabelo crespo’

Uma jovem congregante na Assembleia de Deus na cidade de Jacobina (BA), foi impedida pelo pastor de ser batizada por causa de seu ‘cabelo crespo’, o caso foi denunciado por uma amiga da jovem na semana passada.

Por meio das redes sociais à amiga Marta Miranda, se solidarizou com jovem Rebeca, de 16 anos, e denunciou o pastor José Maurício, responsável pelo ministério de Jacobina: “Nossa amiga foi impedida de ser batizada na igreja que frequenta Assembleia de Deus, porque tem cabelo crespo.

O pastor da igreja disse que ela não seria batizada com ‘esse cabelo’. Então a irmã dela teve a ideia de chamarmos todos os crespos e crespas que conhecíamos para que ela não se sentisse sozinha e deslocada”, relatou a jovem no Instagram.

“Nós somos tão fortes e unidas. Pensei que seria constrangedor passar pela igreja cheia, mas a empatia foi maior que a militância. Feliz em saber que não estamos sozinhas e não somos menores ou inferiores a ninguém. Temos o direito de seguir a religião que quisermos, bem como ocupar qualquer lugar. Seguimos”, disse ainda.

Um grupo de amigos da jovem, negros e de cabelos crespos em repúdio a atitude do pastor realizaram um protesto pacífico. Eles visitaram à igreja no culto do domingo (15).

A jovem que pode ter sido vítima de racismo, fez uma postagem na rede social agradecendo a solidariedade que recebeu. “Nem sei como falar o quão GRATA eu estou e o apoio que eu tive até aqui. Muito obrigado, a todos, sem exceção. Cristo é o melhor caminho sempre, buscar o evangelho é incrível e perdoar também é a melhor retirada de peso que existe”, postou. Disse ela.

A jovem participava de um evento na Igreja e teve o cabelo elogiado por uma palestrante. Contrariado, José Maurício tomou o microfone, a repreendeu e disse que não batizaria a jovem porque ela “não servia para ficar na Assembleia com esse cabelo” e só poderia seguir na igreja se mudasse o visual.

Rebeca, também informou que o pastor tentou convencê-la a ficar na Igreja, mas ela não aceitou. “Depois que teve toda a repercussão ele tentou me batizar, mas eu me recusei a me batizar. Eu saí daquela igreja e fui para outra, vou me batizar em outra”, contou.

“Eu gostaria de deixar bem claro também que não foi uma atitude da igreja em si, parte da igreja me apoiou. Foi uma coisa do pastor mesmo”, completou, dizendo que muitos fiéis ficaram tristes com o caso. Escreveu, Rebeca no post.

Após a repercussão do ato das jovens, o pastor disse que Rebeca poderia ser batizada, mas não pediu desculpas e insistiu que Rebeca precisaria mudar o visual. “Depois que ele viu que muitas pessoas estavam falando sobre, ele mandou mensagem para a mãe de Rebeca pedindo para conversar com ela. 

Disse que ela poderia preencher o formulário de batismo e a convidou para uma reunião. Chegando lá ele perguntou se ela poderia mudar ‘pelo menos um pouco’ o cabelo, porque ele disse que ‘isso não era cabelo de crente’. Demonizou o cabelo dela”, contou Marta

Em nota, a (CEADEB) no Estado da Bahia, disse que desconhece o caso, mas que repudia qualquer atitude discriminatória. A convenção também ressaltou que racismo é crime. Não há informações se o caso vai ser apurado e se o pastor será punido com medida disciplinar.