Estados Unidos fecham as portas para cristãos iranianos

Estados Unidos fecham as portas para cristãos iranianos
Estados Unidos fecham as portas para cristãos iranianos

Eles venderam seus lares e suas posses, largaram os empregos e deixaram o país, imaginando que seria para sempre. Os iranianos, em sua maioria membros das minorias cristãs do país, teriam como destino uma nova vida nos Estados Unidos após uma breve passagem pela Áustria para o processamento de seus vistos.

Mas, passado mais de um ano, cerca de 100 deles continuam encalhados em Viena, tendo esgotado suas poupanças, com a vida no limbo e a promessa feita pelos EUA enterrada.

Mesmo enquanto o governo Trump continuava a prometer ajuda às minorias religiosas do Oriente Médio, muitas das quais são perseguidas, os EUA negaram suas solicitações de vistos de refugiados nas semanas mais recentes.

“É inexplicável”, disse H. Avakian, 35, cristão armênio que chegou à Áustria vindo do Irã há 15 meses e pediu para não revelar o primeiro nome por medo de represálias. “Subitamente, eles disseram, ‘Agora vocês não podem mais vir’. Não sabemos por quê”.

Avakian, que esperava se juntar ao irmão, Andre, em Los Angeles, disse em entrevista que ele e outros refugiados estão ficando sem dinheiro e entrando em depressão. “A maioria de nós não pode voltar ao Irã; estamos completamente desesperados”, afirmou.

Ele explica que voltar ao Irã depois de uma tentativa de se mudar para os EUA colocaria em risco a sua vida e a de outros solicitantes, pois o governo os consideraria inimigos do estado. “Temos medo de sermos sentenciados”, disse Avakian. “Podem nos colocar na cadeia”.

Os iranianos solicitaram o assentamento nos EUA de acordo com os dispositivos de uma lei de 1989 conhecida como emenda de Lautenberg, que oferece santuário a minorias religiosas perseguidas. O grupo é composto por cristãos da Armênia e da Assíria, mandeístas e zoroastristas, cuja maioria tem parentes nos EUA que patrocinaram suas solicitações. As negativas forram criticadas por líderes religiosos, grupos de direitos humanos e legisladores de ambos os partidos.

A constituição do Irã proclama o Islã xiita como religião oficial do estado. Embora cristãos, judeus e zoroastristas sejam minorias protegidas, o governo promove “violações sistemáticas e constantes da liberdade religiosa, incluindo detenção prolongada, tortura e execução com base primariamente ou unicamente na religião dos acusados”,segundo a Comissão Americana para a Liberdade Religiosa Internacional.

Entre 2010 e 2016, ainda de acordo com a comissão, as autoridades iranianas detiveram centenas de cristãos.

Suhaib Nashi, presidente da Sociedade Madeísta dos EUA, disse temer pelo destino de muitas famílias mandeístas do grupo de Viena. Como os baha’i, os mandeístas, que seguem os ensinamentos de João Batista, não contam nem mesmo com a proteção nominal na constituição iraniana.

Uma família recebeu aprovação condicional para o status de refugiados numa carta de qualificação de março de 2017 analisada pelo New York Times. No mês passado, eles receberam uma notificação informando que não se qualificavam para a inscrição, “negada por questões internas”.

Uma porta-voz do departamento de estado disse em e-mail que as alterações no programa americano de admissão de refugiados em 2016 resultou num “maior número de negativas para o programa de refugiados de Viena”. Ela acrescentou que EUA, Áustria e outros países estavam trabalhando juntos na busca por alternativas para o grupo.

Goharek Garmemasihi, cristã armênia de Los Angeles, disse que patrocinou a vinda do irmão, da cunhada, sobrinha e sobrinho. Meses depois de chegarem a Viena no ano passado, os pais e a filha adolescente foram aprovados. As autoridades americanas informaram a eles que a aprovação do filho, que na época tinha 22 anos, ainda estava em análise. “Eles decidiram esperar juntos”, disse Goharek.

Catorze meses se passaram sem qualquer notícia. Em setembro, as autoridades convenceram os pais e a filha a partirem para os EUA, garantindo que o filho, um universitário de 23 anos, logo os seguiria, de acordo com Goharek e o sobrinho, que falou de Viena.

Há cerca de 10 dias, ele foi informado da resposta negativa. “Foi o pior dia da minha vida”, disse.*Informações UOL / #NOTÍCIAS DO MUNDO CRISTÃO

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