Pastor do Paquistão refugiado no Brasil fala sobre perseguição

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Pastor do Paquistão refugiado no Brasil fala sobre perseguição
Pastor do Paquistão refugiado no Brasil fala sobre perseguição

O pastor S. Masih veio do Paquistão para o Brasil como um refugiado. Há três anos ele vivia no estado de Punjab e exercia o cargo de pastor em uma igreja presbiteriana com 3 mil membros e 10 auxiliares. O homem se vestia bem e morava com seus três filhos e a esposa.

Hoje, Masih é pastor assistente em uma igreja na Penha, localizada na zona leste de São Paulo.

A comunidade cristã do Paquistão representa 2,59% da população e tem sido alvo de diversos atentados terroristas. O maior deles aconteceu na páscoa de 2015, deixando 17 mortos e dezenas de feridos. Já em 2013, um atentado a uma igreja matou 80 pessoas.

Atualmente, Masih está esperando por uma autorização para sair do país pela primeira vez. Ele tem o desejo de voltar ao Paquistão para resgatar sua família e rever a mãe, que está doente. Para que isso acontea, o líder precisa arrecadar o valor de R$ 35 mil.

O pastor solicitou que sua identidade não fosse revelada por temer que sua família tenha a segurança afetada. Apesar disso, ele explica que revelar seu último nome não é um problema: no Paquistão a maior parte dos cristãos tem o mesmo sobrenome, que é conferido pelo Estado.

“Não escolhi o Brasil. Eu não conhecia nada daqui. Tinha pedido visto para a Tailândia, porque era mais perto e mais fácil, mas minha avó morreu na época e o visto venceu. Mas eu precisava sair”, contou Masih que já consegue falar em português.

Vítima de forte perseguição

Em entrevista para o canal BBC Brasil, ele relatou que seus problemas começaram em 2009, quando recebeu em seu escritório pastoral um homem que o convidou a se converter ao Islã. Ele negou. “Fui educado, porque no Paquistão você não pode xingar”, relatou. Ele conta que foi educado pelo medo de ser acusado de blasfêmia, um crime que pode ser punido com a morte.

“Ele voltou duas ou três semanas depois e falou a mesma coisa. Na terceira vez, ele me disse: ‘Te ofereci o Islã três vezes e você o desonrou três vezes. Agora, fique pronto para as consequências”. Duas semanas após esse episódio, Masih recebeu uma carta do tribunal local no qual o ofendido exigia que o pastor lhe pagasse US$ 70 mil (aproximadamente R$ 220 mil) pela “ofensa cometida”.

Ao tentar conseguir um advogado, o pastor teve dificuldades, pois ninguém queria defender um cristão. Durante quatro anos o caso foi se arrastando no tribunal, até que o juiz diminuiu o valor da dívida. Apesar disso, o perseguidor não queria o dinheiro, mas a conversão. No começo de 2013, ele relata ter sido agredido.

“O meu acusador chamou um bando de fanáticos que me atacaram na minha casa. Me bateram na frente dos meus filhos e da minha esposa. Quando cansaram, disseram que iriam me acusar de blasfêmia”, disse Masih.

Foi quando ele percebeu que era arriscado demais permanecer no Paquistão e veio para o Brasil. De acordo com o relatório 2015/2016 da Anistia Internacional, Punjab é o estado paquistanês onde as leis sobre blasfêmia são empregadas com maior vigor, sendo “desproporcionalmente usadas contra as minorias religiosas”.

O caso mais comentado é o da cristã Asia Bibi, condenada à morte em 2010. Salman Taseer, governador de Punjab, a apoiou publicamente e acabou morto por um de seus seguranças, posteriomente condenado e executado. Bibi ainda permanece presa.(fonte: Guiame, com informações do site G1)

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