Evangélicos divididos entre cobrança e apoio a Eduardo Cunha

"Existem evangélicos que apoiam o deputado"

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Evangélicos divididos entre cobrança e apoio a Eduardo Cunha
Evangélicos divididos entre cobrança e apoio a Eduardo Cunha

Líderes evangélicos estão divididos em relação à acusação feita pela Procuradoria Geral da República contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), de possuir na Suíça contas ilegais e com US$ 5 milhões, sob sua titularidade e de seus familiares. Religiosos próximos a Cunha dividiram-se entre o silêncio e um tímido apoio ao parlamentar. No estante do campo evangélico, há cobrança por uma atuação mais crítica da bancada ligada às igrejas em relação às denúncias que envolvem o deputado.

Desde que Cunha foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto, o pastor Abner Ferreira, presidente da Igreja Assembleia de Deus em Madureira, no Rio, não atende a pedidos de entrevista. Em fevereiro, Cunha chegou a participar de um culto de mais de duas horas em comemoração a sua eleição para a Presidência da Câmara junto com outros políticos na congregação. Na ocasião, declarou ter deixado a Igreja Sara Nossa Terra. Na denúncia ao STF, o lobista Júlio Camargo disse que pagou parte da propina de Cunha em forma de doação à filial paulista da Assembleia, cujo dirigente é Samuel Ferreira, irmão de Abner.

O bispo Francisco Almeida, coordenador da Sarah Nossa Terra no Rio, disse ao Estado que conheceu Cunha entre 1997 e 1998. Segundo ele, o deputado teria chegado sozinho à igreja, que naquela época ficava no Teatro da Barra. Almeida diz que Cunha frequentou os cultos somente até 2000. Para o bispo, o deputado é um homem inteligente, mas, diferente do que anuncia, está distante da congregação há bastante tempo. “Ele botava no perfil que era (da Sarah), e eu brigava. Aí ele dizia que frequentava em Brasília, mas também não ia. As pessoas lá na igreja nem conhecem o deputado”, afirmou Almeida.

Sobre as contas no exterior, o bispo diz que não quer “jogar a primeira pedra”. “Ele sempre foi um homem de negócios. Agora, depois disso não posso falar mais nada. Uma pessoa pública está sujeita a todo tipo de coisas. O MP encontrou, então vai ter de provar. Vamos ver o que acontece. De toda forma, estamos tristes com o andamento disso tudo”, completou.

O pastor Everaldo Dias, presidente do PSC e antigo apoiador de Cunha, diz que prefere acreditar no deputado até a comprovação da existência das contas.

“Outro dia também falaram que o (senador) Romário tinha conta na Suíça e uma semana depois disseram que não tinha mais. Por enquanto, prefiro acreditar na palavra do deputado Eduardo Cunha. Se ele diz que não tem, vou acreditar nele até provar o contrário”, disse.

O discurso do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, é semelhante. Ele diz que apoiou o deputado apenas na eleição para a Presidência da Câmara. Para Malafaia, Cunha pode perder apoio de votos na comunidade evangélica, “se as contas forem comprovadas”.

“Se deve, paga. Aqui não tem refresco para ninguém. Para mim a Justiça é para todo mundo. Se for comprovado que ele tem contas no exterior sem declarar, se for comprovado que perca o cargo, que seja processado”, afirma Malafaia.

Entre os líderes evangélicos distantes de Cunha, há crítica também à bancada que segue dando apoio ao deputado. O pastor Ed René Kivitz, da Igreja Batista de Água Branca, afirma que atualmente é mais fácil encontrar vozes evangélicas críticas fora da atuação político-partidária.

"Existem evangélicos que apoiam o deputado"
“Existem evangélicos que apoiam o deputado”

“Existem evangélicos que apoiam a atuação do deputado. Mas existe um considerável contingente de evangélicos – entre os quais me incluo – que deplora sua história e trajetória política, desde suas participações nos governos Fernando Collor e Anthony Garotinho”, disse Kivitz, por email.

O pastor batista Henrique Vieira, vereador pelo Psol em Niterói, avalia que há uma crise na identidade evangélica no Brasil. Vieira sustenta que o setor ao qual Cunha pertence monopoliza a imagem do que é ser evangélico com o uso dos meios de comunicação, e isso se traduz na defesa de um projeto político extremamente conservador.

“O projeto deles não é laico e não respeita os direitos humanos. Não me surpreende a possível corrupção associada à figura do Cunha. E essas lideranças evangélicas que sustentam o poder de Eduardo Cunha o fazem porque estão sustentando o próprio poder”, disse Vieira.

Para Marcos Gladstone, pastor da Igreja Cristã Contemporânea, a bancada que o sustenta também demonstra estar comprometida. “Se eles são tão moralistas assim, se eles brigam tanto pela família e pela moral, como em um escândalo de corrupção desses eles não tomam nenhuma providência? ”, critica Gladstone.

1 COMENTÁRIO

  1. Fico extremamente sem mais em quem acreditar neste Brasil de tantas facetas pois os cristãos a quem nós pensavamos que eram pessoas que tinham compromisso com os fracos e oprimidos estão apoiando Eduardo Cunha é de ficar com vergonha dos meus representantes no nivel politico Brasileiro daqueles que nos representava ,, hoje digo sem medo quem defendo Cunha não pode ser represntante dos evangelicos em lugar nenhum

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