Charge de Cristo baleado por PM causa polêmica no Rio

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Charge de Cristo baleado por PM causa polêmica no Rio

Uma charge, que retrata um homem negro crucificado em clara referência a Jesus Cristo, e um policial, está causando polêmica no Tribunal de Justiça (TJ) do Rio de Janeiro.

A obra foi feita pelo cartunista Carlos Latuff e estava exposta no gabinete do juiz João Damasceno, quando por determinação de Órgão Especial do TJ, nesta quarta-feira (4), foi retirada da parede.

A decisão do Órgão Especial foi tomada a partir de solicitação do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP).

Além de ter encaminhado esse pedido à presidente do TJ – desembargadora Leila Mariano, o parlamentar ainda defende que os policiais militares do Rio entrem com ação indenizatória contra o artista e o magistrado.

“No quadro vislumbra-se a imagem de um policial militar sendo autor de um disparo de arma de fogo em um homem preso a uma cruz, fazendo alusão à crucificação de Jesus Cristo. […] A obra pretende fazer crer que todos os policiais militares são pessoas que vestem suas fardas para cometer os mais perversos crimes contra a humanidade, em referência, ainda que indireta, à morte de Jesus Cristo”, argumenta Bolsonaro, que considera que a gravura ofende a instituição policial e seus membros.

O deputado propõe ainda que o valor a ser pago por uma hipotética condenação dos réus seja de R$ 28 mil.

Já o magistrado Damasceno interpreta a cena da seguinte forma: “a obra do cartunista Carlos Latuff, retratando um homem negro pregado numa cruz e alvejado no peito pelo disparo do fuzil de um policial, colocada na sala de audiências da 1ª Vara de Órfãos e Sucessões do Fórum Central, evoca a violência do Estado contra o povo ao longo da história”. Ele é favorável ao conceito de desmilitarização.

O juiz compara a repressão que se viu nos protestos de junho ao que se passa nas periferias. Nas comunidades periféricas, diz ele, “a munição disparada não é de borracha. A política de segurança pública militarizada tem como alvo os pobres e excluídos, ‘inimigos internos’ sujeitos ao extermínio. Instituída a pretexto de combate à criminalidade, a violência do Estado se destina ao controle social em benefício da classe que se aproveita da dominação”.

No entanto, João não se opôs à determinação do Órgão Especial do TJ e a charge foi acolhida pelo desembargador Siro Darlan. Damasceno classificou a situação como um ‘asilo artístico’.

Em sua página no Facebook, Latuff defende a livre exibição do desenho e relatou supostas ameaças que teriam sido feitas por PMs, também na rede social, contra Damasceno.

Informações: The Christian Post