O conflito em Núbia

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O conflito em Núbia.

O conflito em Núbia
O conflito em Núbia

A população da Núbia (região situada no vale do rio Nilo, atualmente partilhada pelo Egito e pelo Sudão) é formada por pouco mais de 90 tribos pequenas. Embora o recorte ocidental do território tenha sido islamizado, existe uma forte presença cristã e uma Igreja vibrante ao leste da Núbia.

Núbia tem um povo resiliente que lutou ao lado do Sul do Sudão pela independência. Quando as fronteiras entre o Norte e Sul foram criadas e implementadas pelo Acordo de Paz Global (Comprehensive Peace Agreement – CPA), Núbia caiu com o Norte. Agora, o povo africano de Núbia encontra-se dominado pelo árabe mulçumano do Norte do Sudão. Rebeldes SPLM-N viram na luta armada a oportunidade para sua autoafirmação. O governo de Cartum respondeu com violência.

Porém, essa não é, de maneira alguma, uma guerra convencional. Em sua tentativa de extirpar os rebeldes SPLM-N, Cartum tem travado uma guerra contra os civis. Bombardeios aéreos permanecem diariamente. Ofensivas terrestres estão operando mais de 60 bombas por dia; estas são descartadas de forma aleatória em mercados, escolas e outras áreas civis – muitas vezes à noite.

No início, a Força Aérea do Sudão (SAF, sigla em inglês) usava aeronaves modelo Antonov (soviético) e helicópteros para o bombardeio. Mas, agora, eles têm implantado mísseis de longo alcance (mísseis Uishi) e, mais recentemente, bombas incendiárias para queimar edifícios, gramas e plantas. O município de Heiban tem sido o mais afetado, com uma estimativa de quebra de safra de 80%.

Esse bombardeio indiscriminado de aldeias, queimando os escassos suprimentos de alimentos, a dispersão das pessoas e a prevenção dos agricultores para semear estão causando grande ruptura na vida e sofrimento imenso para os civis.

Até o final de 2012, cerca de 57 mil civis de Núbia fizeram a pé a árdua jornada até o Sul do Sudão, principalmente para o campo IDP em Yida. Muitas dificuldades no campo foram causadas por tensões com o povo local de Dinka, a respeito de recursos. Em março, foi reportado que pessoas estavam fugindo do campo, depois que confrontos violentos eclodiram.

Apesar disso, milhares de pessoas optaram por permanecer em Núbia, na esperança de receberem ajuda humanitária. Essas atrocidades que os civis enfrentam são, muitas vezes, mães que precisam encontrar um jeito de alimentar seus filhos e idosos que foram deixados sob seus próprios cuidados. Em alguns pontos, 80% da população está sobrevivendo com somente uma refeição ao dia, que geralmente consiste em raízes que colheram ou folhas e frutas com quase nenhum valor nutricional. Problemas gastrointestinais são frequentes.

Em julho de 2012, Cartum “aceitou” a proposta para acesso humanitário dentro das áreas de conflito de Núbia, Abyei e Nilo Azul – porém, até agora, todo auxílio tem sido evitado. A impressão é que o acordo acabou fazendo mais mal do que bem, porque antes as pessoas podiam ao menos realizar a jornada até o Sul do Sudão. O acordo trouxe esperança – eles esperaram por meses pelos escassos suprimentos de comida. Quando finalmente decidiram se movimentar, muitos já estavam exaustos demais para transportarem as crianças e fazerem a jornada para o Sul.

O povo de Núbia sente-se esquecido não apenas pela comunidade internacional, mas também pela comunidade cristã. Os líderes da Igreja e da comunidade pediram à Portas Abertas para falar em seus nomes com a comunidade internacional. Eles querem paz, estabilidade e querem ser reconhecidos como pessoas e cidadãos do Sudão. Eles querem ver uma mudança na lei – querem que a Sharia seja removida.

Fonte: Portas Abertas Brasil


 

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