Namorar à distância, é possível estar perto, ainda que longe?

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Namorar à distância, é possível estar perto, ainda que longe?

Namorar à distância, é possível estar perto, ainda que longe?
Namorar à distância, é possível estar perto, ainda que longe?

Noites viradas à frente do computador, despedidas dolorosas em aeroportos ou rodoviárias, a conta de telefone nas alturas e a saudade como sentimento de caráter crônico. Pode-se ilustrar assim um típico namoro à distância. Ajudado pelas constantes inovações das tecnologias de comunicação e convergência de mídias, este perfil de relacionamento está ganhando espaço entre jovens, adolescentes e até adultos do Brasil e do mundo.

Mas alguns fatores como confiança, o isolamento social e a falta de contato pessoal com quem se namora ainda preocupam muitos jovens que se deparam com possibilidades de um relacionamento assim. Em entrevista exclusiva ao Guia-me, jovens e orientadores cristãos falaram sobre os pontos positivos e negativos que um relacionamento à distância pode apresentar a um casal de namorados.

A cearense Lais Facó sabe bem o que é ter um computador como necessidade básica para namorar. Em uma de suas frequentes viagens a Curitiba, a advogada conheceu o seu namorado, Rodrigo Lara. Porém somente um ano depois se reencontraram na rede de relacionamentos Orkut e se adicionaram também no MSN. Em aproximadamente 6 meses, o casal já começou a se preparar para o casamento, que está marcado para Julho de 2010. Ao falar sobre o início de seu namoro, a moça lembrou que a distância não assustou o casal.

”[A distância] nos fez sentir saudade e o desejo de estar juntos aumentou. Tudo começou quando estávamos distantes, nos apaixonamos à distancia, e apesar de estarmos longe, conseguimos nos tornar íntimos, acho que devido ao tempo (muito tempo) que dedicamos um ao outro”, afirmou.

Segundo Lais e Rodrigo, a intimidade em um relacionamento à distância não surge completa e repentinamente, mas sim gradativamente, por meio de conversas sadias entre o casal e um bom aproveitamento do tempo dedicado ao namoro. Transparência, sensibilidade e saúde espiritual de ambas as partes também foram lembrados pelos dois jovens como essenciais para o sucesso de um namoro assim.

”Acreditamos é possível conhecer bem uma pessoa, mesmo estando distante dela, desde que você leve conversas sábias. Não é a proximidade que te faz conhecer a pessoa, mas o tempo que vc gasta com ela, entao. Se apesar da distancia vc consegue ter tempo com a pessoa, é possível você conhece-la. Importante tb o esforço de sentir o outro e de ser o mais transparente possivel. O fato de buscar a Deus juntos também traz uma conexão muito forte”, lembraram.

Seis meses de namoro são suficientes para que haja uma certeza para a vida toda (ainda mais estando distante)? Para Rodrigo e Lais esse foi o tempo suficiente para a chegada da confirmação divina em seus corações sobre o relacionamento que levavam. Segundo eles, o namoro já teve início baseado em um propósito firme e, após esse tempo, o sentimento da aprovação de Deus já era certo para eles. Isso os deixou em paz para tomar a importante decisão.

”O que nos fez noivar foi a resposta de Deus confirmando que nosso sentimento agradava o coração dEle. Não sabemos dizer se perto ou longe teríamos a mesma atitude, mas desde que nos falamos pela primeira vez, depois que começamos a nos gostar, decidimos que somente namoraríamos no intuito de casar”, asseguraram.

Prós X Contras

Ao falar sobre pontos positivos e negativos de um relacionamento que recebe constantes intervenções da distância, Lais lembra que tais características se evidenciam em vários momentos. O tempo gasto com o diálogo e a falta da companhia de quem se ama foram alguns dos pontos contrastantes citados pela jovem.

”Tem pontos positivos e negativos. Os positivos são que temos muito tempo para conversar, sem nos preocuparmos com outras coisas, o tempo que gastamos em conversar é de qualidade, pois estamos concentrados nisso, acho que é o mais relevante. No mais a distancia é uma chatice, você sente muita saudade, leva uma vida sempre desacompanhado”, comentaram.

Os distúrbios de comunicação causados por canais ”incompletos” como messengers, emails, telefone ou o conhecido Skype foram lembrado por Diego Haendel como fatores que dificultam um relacionamento à distância. O rapaz já está namorando à distância pela segunda vez. Segundo o jovem seminarista do Instituto Palavra da Vida, em Atibaia (SP), é difícil depender da tecnologia para fazer ”ajustes na relação”. Para ele, o contato visual em uma conversa é de extrema importância para que haja a plena compreensão do que é dito e as quedas de conexão ou interrupções de telefonemas nem sempre são vistos com compreensão.

”É muito difícil fazer ajustes na relação estando a distância. Resolver problemas desta forma é complicado, porque dependemos da tecnologia, que sempre nos trai. Estar no meio de uma conversa ou discutindo acerca de algo é muito chato sem estar olhando nos olhos, e pior, se a internet cai, ou telefone cai a linha, isso pode ser interpretado pela outra pessoa da pior maneira, o que pode gerar algo bem maior”, salientou.

O diálogo como ponto positivo de um namoro nesse perfil também foi reforçado por Diego. Apoiando a opinião de Lais e Rodrigo, o seminarista acredita que a falta de contato físico contribui para que a conversa seja a principal forma de demonstrações de carinho entre o casal, o que pode também ser bem aproveitada para a formação de um relacionamento saudável, no qual homem e mulher podem se conhecer mais em nivel de afinidades, gostos, história etc.

“O diálogo é mais enfatizado, como não tem contato físico o que se pode fazer é realmente conversar, você acaba conhecendo melhor a outra pessoa (por conhecer entenda afinidades, gostos, desgostos, história…) e desenvolvendo um bom papo, que é super importante para um relacionamento. Sem dúvida isso é muito bom”, afirmou.

Confiança

É possível confiar, mesmo estando distante? Respondendo a tal pergunta, Diego Haendel assumiu que é difícil, porém não impossível. Particularidades do estilo de cada pessoa e a forma como o relacionamento se formou são pontos citados pelo jovem como influentes na força da confiança que pode haver entre um casal. Mas lembra que a ”segurança” causada pela proximidade pode ser apenas ilusória.

“Não é nada fácil. Mas depende de cada um, e também de como o relacionamento foi construído. O certo é que de perto ou de longe algumas coisas ruins podem acontecer. O fato de estar perto nunca impediu ninguém de nada. Pessoas casadas cometem atos desleais e moram juntas. Então meu pensamento é de que se estou com alguém é porque confio e não posso fazer nada mais do que isso”, lembrou.

A psicóloga e autora de palestras direcionadas ao público jovem, Lia Honório afirma que para muitas pessoas é realmente difícil estabelecer vínculos de confiança em um relacionamento e tal dificuldade pode ser causada por inúmeros motivos. A história familiar de cada um é lembrada pela profissional como um fator que influencia o modo como cada um olha lida com o próprio namoro. Segundo a terapeuta, a distância e a diferença de círculos de amizade podem contribuir para que pensamenos fantasiosos se formem nas mentes dos namorados e é aí que a sinceridade e transparência se fazem necessários mais uma vez.

“As nossas histórias familiares, a forma como fomos criados, amados e aceitos orientam diretamente a nossa relação de confiança no outro. Contudo, estar longe significa não participar persencialmente da rotina do outro e ter que lidar com o fato de que outras pessoas estão usufruindo da presença de seu parceiro, enquanto você não. Quando se namora à distância, os fatos tomam proporções mais intensas e exageradas e não é diferente com os ciúmes. Por isso, para se conseguir confiar no outro, é necessário que ambos tentem compartilhar da rotina, dos encontros e dos fatos diários com muita clareza para que o outro sinta segurança”, alertou.

Apesar das vantagens de se gastar bastante tempo com diálogo em um relacionamento à distância, Lia lembrou que estar ”ao vivo” com a pessoa amada e olhar nos olhos da pessoa amada também é importante. Segundo a psicóloga, é importante que o casal não se fixe em um relacionamento virtual, mas também busque a harmonia quando estiver em encontros pessoais. Para a profissional o ”querer estar junto” e a plena admiração – com qualidades e defeitos – em relação ao parceiro(a) é essencial para um bom relacionamento.

”Nem só de conversa vive um relacionamento. É importante que se goste do jeito, do cheiro, da voz, da risada, enfim, que admire não só as idéias do outro, mas todo ele(a). É importante que haja alegria de se estar perto. Muitas vezes, as pessoas conseguem desenvolver um relacionamento muito bom via meios de comunicação, mas não se entendem ‘ao vivo’, pois não estão habituados às manias, ‘tiques’ e comportamentos de seu namorado(a) e algumas vezes porque não foram totalmente sinceros um com o outro”, lembrou.

Evitando surpresas desagradáveis

Um casal chegar ao altar sem se conhecer pessoalmente é loucura? Seria possível que um casamento tivesse sucesso se inciando assim? Segundo Lia Honório, há certos ‘perigos’ em se iniciar um relacionamento sem que haja um contato pessoal antecipado. Para a terapeuta, mesmo que o relacionamento seja levado à distância, é importante que o casal preze por um tempo qualidade juntos. ”É de extrema importância casais distantes que pretendem se casar conseguirem passar tempos de qualidade juntos, antes de subirem ao altar: evitará muitas surpresas no casamento”, assegurou.

Reforçando a opinião de Lia Honório, o líder de jovens da Igreja Presbiteriana de Itapeva (SP) e integrante de uma banda cristã chamada ”Siga o Mestre”, Bryan Temple lembrou que um contato pessoal – até antes mesmo de se iniciar o namoro – é importante para que haja segurança entre o casal. Segundo ele, o olhar de uma pessoa pode transparecer muito sobre ela mesma e seus sentimentos.

”Para mim o namoro é algo que precede o casamento e não é nem um pouco prudente firmar esse compromisso com alguém que nunca se viu. Além disso, não há nada mais genuíno, enfático e esclarecedor do que um olhar. Algumas pessoas alegam entender melhor alguém quando se olha nos olhos do mesmo e eu defendo que isso procede. Portanto, é absolutamente essencial que alguém conheça pessoalmente seu futuro namorado ou namorada”, afirmou.

Isolamento

Namorados que passam meses ou até mesmo anos distantes, aproveitam os poucos momentos que tem na companhia um do outro para matarem a saudade. Porém muitas vezes acaba ocorrendo um fato que se torna um problema para as amizades do casal: o ”isolamento”, ou seja, a vontade de compensar a falta do(a) namorado(a) é tanta que as outras companhias acabam sendo esquecidas. Bryan lembra o perigo que tal fator representa na vida de um jovem.

”As amizades não podem ser deixadas de lado por conta do namoro, então quando o casal se achar rodeados de amigos não se pode desprezá-los, afinal de contas a vida não se vive unicamente ao lado da pessoa com quem casarmos, mas  também se vive ao lado de amigos, parentes, colegas etc. Amizades verdadeiras fazem parte da felicidade de um ser humano”, alertou o líder.

Para o pastor e conselheiro da juventude da Igreja Presbiteriana de Itajubá (MG), Marcelo Seião o isolamento dos namorados pode trazer perigos ainda maiores para o casal. Segundo o líder, o pecado sexual pode ser um dos graves resultados desta intensidade pela busca de momentos a sós.

”Temos que entender que namoro não é casamento! E que o isolamento traz em seu bojo coisas que devemos ter cuidado. Muitos casais que já conversei caíram no abismo do pecado, tomando justamente esse primeiro passo. Depois veio a consequencia: um filho que não fora planejado! O namoro sério permite que outras pessoas participem desse relacionamento de maneira positiva, como pai, mãe, tio, tia, amigos, cachorro e papagaio”, lembrou.

Por João Neto – Portal Guiame

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