As características da verdadeira adoração

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As características da verdadeira adoração

As características da verdadeira adoração
As características da verdadeira adoração

A música foi instituída por Deus, no Céu, a fim de ser executada pelos seres criados como um ato de adoração ao Criador. Adorar é a expressão de amor e gratidão por quem Deus é e pelo que fez e faz por nós. Quando adoramos a Deus, estamos oferecendo todo o nosso ser a Ele. Assim, adorar é agradar a Deus e é ação contínua entre os seres celestiais (1o Seminário de Enriquecimento Espiritual: Comunhão e Santidade, D.S.A. da IASD, p. 89 e 90). Ela está centralizada unicamente em Deus e não no gosto do adorador. A música é um meio tão intenso e importante de contato dos seres criados com seu Criador que Deus doou a Lúcifer capacidade inigualável para executar e dirigir a música celestial. Assim ficou instituída, desde o Céu, a Música Sacra, separada para um propósito santo – agradar a Deus.

Com a decisão de Lúcifer de não mais adorar a Deus e sim de ser adorado, foi destituído de suas funções e privilégios e expulso do Céu. Não perdeu porem, a capacidade musical que recebeu. Aqui em nosso planeta usa sua esplêndida capacidade para fazer também da música um ato para sua adoração e desvirtuar, assim, a adoração a Deus. Em vista disso, através da música os seres humanos podem adorar ao Criador ou a Satanás.

No decorrer deste artigo veremos as características da verdadeira adoração e da música perfeita do Céu; as mudanças que a música sofreu após a influência de Satanás e quais os efeitos que os principais elementos da música exercem em nosso corpo; como a música profana se misturou com a música sacra e com a adoração, e por fim, qual o tipo de música que agrada a Deus e que será usada para Sua adoração pela eternidade.

Adoração – A adoração é o tema do conflito entre Cristo e Satanás porque ambos desejam nossa adoração. Muitas pessoas hoje tendem a ver a adoração como uma atividade que visa trazer benefícios para elas mesmas. Elas querem tocar, sentir, receber. Contudo, o objetivo principal da adoração é render honra e tributo ao Criador, sentindo Sua presença e conectando-se à fonte da vida. Não é suficiente ir à casa de Deus, adorar a Deus e prestar-Lhe culto; é necessário que essa adoração e culto sejam oferecidos a Deus e sejam aceitos por Ele assim como a oferta de Abel, e não rejeitados como a de Caim.

Além disso, “a adoração deve ser espiritual e verdadeira. Isso quer dizer que ela precisa ser centralizada em Deus; ser mediada por Cristo; ser orientada pela Palavra de Deus; envolver todo o ser; ser voltada para o passado, o presente e o futuro e expressar exteriormente o que está no interior. Na adoração, o crente tem uma nova visão de Deus e de si mesmo. Ele reconhece sua condição de pecado, busca a graça, e então se sente perdoado, purificado e transformado. Aceita a missão de Deus para sua vida e leva a adoração para o espaço secular, vivenciando o sagrado no dia-a-dia.” (Marco de Benedicto, Território Sagrado, RevistaSinais dos Tempos, Maio-Junho, 2003, pp.07-10).

Música do Céu – Como a verdadeira música de adoração a Deus é aquela executada no Céu, precisamos analisar as características da música celestial a fim de também O agradarmos em nossa adoração. Eis os relatos feitos pelo Espírito de Profecia com relação à música sacra celestial:

…”Acordes musicais perfeitos, suaves e melodiosos. O cântico dos anjos não irrita os ouvidos. É macio, melodioso e sem esforço físico” (Ellen G. White. Mensagens Escolhidas, C. P. B. Tatuí, SP, 1ª ed., 1987, Vol. 3, p. 333).

“As notas longamente puxadas e os sons peculiares, comuns no canto de óperas, não agradam aos anjos. Eles se deleitam em ouvir os simples cantos de louvor entoados em tom natural. Os cânticos em que cada palavra é pronunciada claramente em tom harmonioso, são os que os anjos se unem a nós para cantar. Eles tomam o estribilho entoado de coração com o espírito e o entendimento.” (Ellen G. White. Evangelismo, C. P. B. Tatuí, SP, pp. 510-511).

Como a Música é Percebida e Afeta o Corpo – Música é a arte de combinar os sons de um modo agradável ao ouvido. O som é uma forma de energia que se propaga através de ondas de compressão e descompressão do ar. Quando essas ondas chegam aos nossos ouvidos as células ciliadas do interior da cóclea as transformam em impulsos elétricos. Esses impulsos são conduzidos pelos nervos, por isso também são chamados impulsos nervosos.

As ondas produzidas por uma fonte sonora podem ter ou não comprimento definido (freqüência determinada). A maioria dos sons é formada por um conjunto de ondas com comprimentos variados. Quando ondas sonoras com comprimento definido são transformadas, no ouvido, em impulsos nervosos, serão traduzidas pelo córtex (camada cinzenta mais externa do cérebro) auditivo como um tom. Os tons agradam nossos ouvidos de uma maneira como não conseguem fazer os sons. A música exige tons que tenham altura e duração fixas. Estas proporcionam ao Cérebro condições de descobrir relações e proporções entre si e, assim, ir compondo um edifício musical (Robert Jourdain, Música, Cérebro e Êxtase, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 1998, p. 94).

Conclusão

A partir da descrição tanto da música executada pelos anjos na adoração no Céu, quanto daquela executada no Templo de Israel (I Crônicas 15:16; II Crônicas 5:12-14 e 7:6), podemos concluir que a música de adoração, música sacra, que agrada a Deus é para ser executada com a mente e as emoções, ou seja, através da harmonia, melodia, ritmo natural (ênfase no fraseado) e sem dissonância e movimentação física. Em contrapartida, o ritmo marcado, repetitivo e/ou sincopado tocado por instrumentos que produzem ruído, onde a bateria é o principal, é característico da música pagã ou profana, hoje representada pela música popular em suas várias divisões, incluindo a música gospel.

A música de adoração no Templo de Israel foi executada com instrumentos escolhidos por Deus e relatados a Davi. No livro de Crônicas estes instrumentos escolhidos foram designados como sendo instrumentos do Senhor (II Crônicas 29:25). Embora os tambores fossem instrumentos muito utilizados pelos povos da época, inclusive os Israelitas, Deus não os escolheu para executar música para Sua adoração. Os tambores não foram permitidos nem para algum efeito sonoro, tampouco se fossem bem tocados ou de forma discreta. Entendo que a música para adoração deve se aproximar ao máximo da música do céu, perfeita, onde não existe música com ruído (ondas sonoras com comprimento indefinido) ou com quaisquer instrumentos que acentuam o elemento físico, enfraquecendo a influência da mente.

Pode-se concluir, também, que instrumentos que não produzem harmonia nem melodia, mas apenas ruídos (bateria, chocalhos, pratos, triângulos, etc.), servem unicamente para acentuar o ritmo (ênfase no metro), causando um desequilíbrio nos elementos que compõe a música. Este desequilíbrio em favor do ritmo ocorre em detrimento da melodia e da harmonia, introduzido assim um elemento profano na música, visto que acentua os efeitos físicos e atenua os elementos que apelam à mente.Portanto, são próprios para a música profana e não para a música sacra, seja o som produzido pelos instrumentos tradicionais acústicos, instrumentos elétricos, eletrônicos ou por gravações (play-backs).

Se Deus procura adoradores verdadeiros (João 4:23) é porque ainda existem falsos adoradores. Se os verdadeiros O adoram com a mente e as emoções, então aqueles que o fazem através da música misturada com elemento profano – ritmo repetitivo, marcado e/ou sincopado – que estimula principalmente o elemento físico, ainda não fazem parte dos verdadeiros adoradores.

Como a música de adoração no Céu, a música sacra, com as características já bem definidas é considerada música perfeita, então não precisa nem deve ser modificada, muito menos necessita ser melhorada. Esta é a música mais moderna e a música do futuro, pois será cantada por toda a eternidade pelos santos no Céu e na Nova Terra.

Relata a profetiza do Senhor que após a trasladação dos salvos, quando entrarem no Céu, “os remidos lançam suas coroas aos pés de Jesus. Em seguida, o coro angélico emite uma nota de vitória e os anjos nas duas colunas tomam o cântico, e a multidão dos remidos participam como se houvessem entoado o cântico na Terra, e o haviam feito na realidade”. Isto significa que “precisamos aprender a entoar aqui o cântico do Céu, de modo que quando terminar a nossa luta possamos participar do cântico dos anjos celestiais na cidade de Deus. Qual é esse cântico? É louvor e honra e glória Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, para todo o sempre” (Ellen G. White. Visões do Céu, C. P. B. Tatuí, SP, 1ª ed. 2004, p. 183).

“Caso estejamos realmente jornadeando para lá, o espírito do Céu habitará em nosso coração aqui. Mas, se não encontrarmos prazer agora na contemplação das coisas celestiais; se não temos qualquer interesse em buscar o conhecimento de Deus, deleite algum em deter os olhos no caráter de Cristo; se a santidade não exerce a menor atração sobre nós – podemos estar certos de que é vã nossa esperança do Céu” (Ellen G. White. Visões do Céu, C. P. B. Tatuí, SP, 1ª ed. 2004, p. 64).

“Ao guiar-nos nosso Redentor ao limiar do Infinito, resplandecente com a glória de Deus, podemos apreender o assunto dos louvores e ações de graças do coro celestial em redor do trono; e despertando-se o eco do cântico dos anjos em nossos lares terrestres, os corações serão levados para mais perto dos cantores celestiais. A comunhão do Céu começa na Terra. Aqui aprendemos a nota tônica de seu louvor” (Ellen G. White, Educação, C. P. B. Tatuí, SP, págs. 161-168).


Autor: Dr. Hélio dos Santos Pothin (é cristão Adventista do 7° Dia, trompetista e regente de Coro, Doutorado em Fisiologia Humana pela UFRGS e Professor de Fisiologia Humana na Universidade Federal de Santa Maria, RS).