Alunos evangélicos devem apresentar trabalho para confirmar nota, diz diretor

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Um grupo de 13 alunos se recusou a fazer trabalho sobre cultura africana por conta da religião.

Alunos evangélicos devem apresentar trabalho para confirmar nota, diz diretor
Alunos evangélicos devem apresentar trabalho para confirmar nota, diz diretor

Representantes da Seduc se reuniram na manhã desta segunda-feira, 12, com a direção da Escola Estadual Senador João Bosco, localizada na avenida Noel Nutels, zona Norte, para discutir a ação de alunos evangélicos que se negaram a apresentar projeto sobre a cultura africana, onde tiveram que ler a obra Jubiabá de Jorge Amado.

O diretor de Programas e Políticas Pedagógicas da Secretaria de Educação do Estado (Seduc), Edson Melo, informou que ainda não ficou definido como os alunos vão ser avaliados, mas que eles provavelmente terão que apresentar o trabalho proposto para receberem a nota.  “Não podemos passar uma borracha da história brasileira, e a cultural afro-brasileira está inclusa nela”, disse ele.

Edson Melo afirmou que desde 2003 existe a lei 10.635, que trata da obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena nas escolas. “Essa lei existe e é aplicada em todas as escolas brasileiras, há sete anos esta escola realiza uma feira cultural que objetiva ensinar os alunos sobre a contribuição das diversas culturas   para a formação da identidade brasileira e isso nunca ocorreu”, explicou o diretor.

 Segundo Edson, a feira tratou da cultura,  arte, música, dança e culinária dos afro-brasileiros. O professor propôs um trabalho sobre o candomblé, entretanto quando chegou no dia da apresentação do trabalho os alunos quiseram apresentar sobre as missões evangélicas na África, o professor não aceitou. “O espaço de toda e qualquer escola não existe para formar mentes intolerantes, que passam um borracha na história cultural do Brasil”, declarou o diretor, dizendo que a sociedade em geral, independente da religião, não pode se tornar um povo sem memória.

“A Seduc não está aqui para punir, essa não é a nossa função, estamos aqui para construir educação e contribuir para a formação de cidadãos, mas a secretaria, enquanto Estado, não permite o esquecimento da cultura brasileira”, disse o diretor, falando que hoje ainda serão discutidos alguns pontos. “É preciso ter discernimento, as ideias serão apresentadas, e vamos evoluir nos embates, sem retroceder nos argumentos”.

A professora de História e coordenadora de projetos da Escola Estadual Senador João Bosco de Ramos Lima, Raimunda Nonata Freitas, disse ter ficado surpresa com o comportamento dos alunos. “Já realizamos há sete anos essa feira e nunca tivemos esse tipo de problema, sempre existirá diversidade de pensamentos religiosos, mas não divergência, nem discriminação ” falou a professora.

Os 13 alunos envolvidos no caso estão indo às aulas normalmente e, segundo Edson, prometeram encaminhar a Presidência da República um ato de repúdio, alegando que sofreram bullying e que não houve espaço para a religião evangélica na feira, além de não terem aprovado a escolha da obra de Jorge Amado, onde um dos personagens é amigo de um pai de santo.

Informações:D24am.com

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