Os Cristãos e a Política

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Os Cristãos e a Política
Os Cristãos e a Política

Os Cristãos e a Política

É correto um cristão ser político? A política influência os cristãos?

O cristão por natureza é vocacionado a ser um completo acadêmico politizado. Esta descrição possui duas partes. Por um lado, o cristão é um acadêmico ou pensador no sentido clássico de ‘amigo do conhecimento’, como os filósofos da antiga escola de Platão. Por outro lado, o cristão é também politizado, isto é, possui a capacidade de compreender a importância do pensamento e da ação política; de dar ou de adquirir consciência dos deveres e direitos como cidadão.

Igreja e Estado são independentes. O Estado não pode interferir na administração da Palavra de Deus e na ministração das ordenanças bíblicas. De acordo com as Escrituras, é dever do cristão: orar pelas autoridades (1 Tm 2.1-3), pagar tributos e impostos (Mt 22.21). Obedecer às leis e estar sujeito às autoridades (Rm 13.2-7; Tt 3.1; 1 Pe 2.13-16). Embora essa separação entre Igreja e o Estado seja necessária para a democracia, os cristãos entendem que não deve haver um divórcio entre as convicções ético-religiosas e sua atuação na vida pública.
“Quando os bons alcançam o poder, todos festejam; mas, quando o poder cai nas mãos dos maus, o povo se esconde de medo” (Pv 28.12 NTLH). Essa é na verdade uma questão histórica a qual diz respeito ao papel do cristão na política. É correto um crente ou mesmo a própria Igreja envolver-se com a política? Como a Igreja deve relacionar-se com as autoridades e os governos? Neste quesito as opiniões dos evangélicos encontram-se ainda um tanto divididas. Existem aqueles que rechaçam qualquer participação mesmo do crente por entender que o Reino de Deus não é deste mundo. Outros crentes pensam que tanto indivíduos como a própria Igreja tem responsabilidades sociopolíticas incontestáveis para melhorar as condições de vida das pessoas.

Um pouco da visão histórica: A oficialização da Igreja por Constantino (313 a.C), fez cessar a perseguição que a Igreja sofria, mas por outro lado tornou naquele momento a Igreja numa autarquia do Estado o que foi péssimo. Na Idade Média a Igreja que ainda era Universal detinha o poder de tal maneira que o usavam para levantar e depor reis. No final dessa era medieval surgiram os protestantes como os anabatistas que despresavam as instituições políticas e o exercício de cargos públicos como algo indigno de um cristão. Já o reformador Calvino entendia que a carreira pública era uma das mais nobres funções a que um cristão podia aspirar e deixou claro que os cidadãos tinham o dever de obedecer as leis e honrar os seus magistrados. Como exemplos de cristãos que serviram-se da política como serviço a Deus e a coletividade temos Woodrow Wilson, presidente dos Estados Unidos (1913-1921), e Abraham Kuyper, teó-logo e líder político holandês, fundador da Universidade Livre de Amsterdã e primeiro-ministro da Holanda de 1901 a 1905.

Duas opiniões divergentes: Como dissemos há os que defendem (e respeitamos suas opiniões) que o crente não deve envolver-se com a política, alegando o prejuízo advindo dos escândalos, sustentando a dificuldade de se encontrar um equilíbrio neste aspecto, sugerindo casos em que alguns usam o nome de Deus simplesmente para ganhar votos. Agora pontuamos aqui que os cristãos tem tanto o direito quanto o dever de usar a cidadania terrestre para manter a Igreja livre para cumprir seu mandato divino e ajudar como indivíduos a atender às necessidades sociais.

Base teológica da responsabilidade política: Jesus não foi um reformador político, não buscou implementar nenhuma plataforma política. Ao mesmo tempo, os ensinos de Jesus não podiam deixar de ter uma influencia política ao serem vividos os valores cristãos. O Senhor ofereceu boas novas aos pobres, liberdade para os oprimidos e vida abundante (João 10.10). Desta forma, os cristãos, seguindo o exemplo de Cristo, através dos séculos, precisam reconhecer sua responsabilidade social, pois o Evangelho não é só para o espírito.

Dizia Martin Luther King “o que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos deso-nestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.
O cristão é cidadão de duas pátrias: De um lado o cristão pertence ao reino de Deus, e do outro, a sua terra natal. Os cristãos precisam escolher uma cidadania e rejeitar à outra? As vezes pode haver conflito quando as exigências ou deveres de uma cidadania colidem com os da outra. Em tais casos a Bíblia diz: “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens”(At 5.29). Diz o Pr.Elinaldo Renovato de Lima que “é fundamental que a Igreja de Jesus Cristo formada por cidadãos dos céus, tenha uma influencia marcante no meio social em que se insere. Não pode alienar-se dentro das quatro paredes dos templos, só pensando na parte espiritual…..”

Alguns deveres dos cristãos diante das autoridades políticas: Orar a favor dos que exercem autoridade governamental; Agir com discernimento, jamais vender seu voto, e preferir um candidato cristão maduro e na ausência deste alguém que prime pelos princípios cristãos e haja ponderadamente pelos interesses da coletividade. O que se conclui é que a organização política da sociedade é uma provisão divina para a humanidade caída. Não é desejo de Deus que as pessoas retas se afastem do processo político de governo e deixem o controle político e econômico nas mãos de alguns “ímpios”. Os cristãos devem ser o sal e a luz do mundo, e não devem simplesmente se afastar do processo político. Um afastamento é em si mesmo um ato político que abre o caminho para o controle político para os que não defendem os valores cristãos.
Mas biblicamente devo esclarecer que a Igreja de Jesus Cristo não deve identificar-se com um partido político particular ou com um sistema político. Tal compromisso pode de início trazer um privilégio temporário rápido, mas inevitavelmente comprometerá sua mensagem evangelística e sua voz profética.

Leia também:

  1. A interferência da religião na política

Informações:Ev.Adriano Sebben – Fonte: Adaptado de Ética Cristã – Instituto Bíblico Esperança – Porto Alegre RS./via Clica Tribuna

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