Ex-deputado evangélico da “oração da propina” se entrega à polícia

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Ex-deputado evangélico da 'oração da propina' se entrega à polícia
Ex-deputado evangélico da 'oração da propina' se entrega à polícia

O ex-deputado evangélico Júnior Brunelli (sem partido), que ficou conhecido nacionalmente ao ser flagrado em vídeo fazendo a “oração da propina”, se entregou à polícia por volta de 12h deste domingo (27). Brunelli é suspeito de chefiar um esquema de desvios de recursos que somam quase R$ 2 milhões.

Brunelli se entregou na 5ª Delegacia de Polícia da região central de Brasília, para fugir da imprensa, que esperava que ele se entregasse na Deco  (Divisão de Repressão ao Crime Organizado), que investiga o caso. Segundo a polícia, essa foi uma das exigências do ex-deputado.

Ele foi interrogado durante toda a tarde e depois ficará em uma sala especial, no primeiro andar da 5ª DP. Brunelli é advogado e, segundo a defesa, essas são condições que a OAB-DF (Ordem dos Advogados do Brasil do DF) defende que sejam respeitadas entre os inscritos.

Brunelli estava sendo procurado desde as 6h da manhã da última sexta-feira (25) pela Operação Hofini, da Deco (Divisão de Repressão ao Crime Organizado).

De acordo com as investigações da Deco, Brunelli seria o chefe de uma quadrilha que teria desviado R$ 1,7 milhão em 2009. O ex-deputado teria pedido esse valor à Sedest (Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda) para realização de quatro projetos que nunca saíram do papel.

A defesa de Brunelli afirmou que a operação policial foi um equívoco. O advogado, Eduardo Toledo, afirmou na sexta-feira que o pedido de prisão temporária era desnecessário já que o seu cliente tem endereço fixo.

Depois disso, a defesa entrou com pedido de habeas corpus e no TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios) pedindo que, ao se entregar à polícia, ele ficasse em uma sala de Estado-Maior, sem grades e com banheiro, que a polícia evite as algemas e que não haja exposição desnecessária dele.

Oração da propina


oração da propina

O ex-deputado ficou conhecido pela “oração da propina”. Ele foi flagrado em vídeo rezando após receber dinheiro do esquema de propina das mãos de Durval Barbosa, o delator do esquema do ‘mensalão do DEM’. O esquema de propina foi descoberto pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que aconteceu durante o mandato do então governador José Roberto Arruda (sem partido), em 2009. Após a operação, Arruda foi preso e renunciou ao mandato.

Renúncia

Em março de 2010, o deputado Júnior Brunelli (na época filiado ao PSC) entregou à Mesa Diretora da CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal) sua carta renúncia ao cargo de deputado distrital e escapou da cassação. Brunelli era alvo de processo por quebra de decoro parlamentar por aparecer em um dos vídeos da operação Caixa de Pandora recebendo dinheiro do ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa.

Na carta, Brunelli afirmou que sairia da Câmara convicto do “dever cumprido”. Afirmou ainda que durante dois mandatos defendeu os interesses do “povo de Deus”, que muitas vezes era perseguido. Brunelli citou ainda projetos de lei aprovados por ele e destacou sua atuação como deputado distrital.

Na renúncia, Brunelli disse que foi vítima de uma conspiração e que o vídeo que ficou conhecido como oração da propina foi uma armação. Ele afirmou também que renunciria para “não ser submetido ao julgamento político previamente estabelecido”.

Brunelli nasceu na capital paulista em 1970 e foi eleito deputado distrital em outubro de 2002, na época pelo PP (Partido Progressista) e em 2006, reeleito pelo mesmo partido. Em 2003 foi eleito para presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Depois de um ano, Brunelli assumiu outra comissão, a de Assuntos Sociais (CAS). Até julho de 2008, ele apresentou cerca de 130 projetos de lei voltados regularização fundiária dos condomínios.

Informações: R7

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