Baby do Brasil lança novo CD “Geração guerreiros do apocalipse”

0
Baby do Brasil lança novo CD Geração guerreiros do apocalipse
Baby do Brasil lança novo CD Geração guerreiros do apocalipse

Desde que assumiu a fé evangélica, há 13 anos, e passou a colocar o nome de Deus de maneira onipresente a cada aparição, Baby do Brasil, até então conhecida como Baby Consuelo, ofuscou um pouco sua importância histórica na MPB. Figura emblemática nos anos 1970, quando ajudou a fundar o grupo Novos Baianos ao lado de Moraes Moreira, Galvão, Paulinho Boca de Cantor e do ex-marido Pepeu Gomes, Baby ajudou a colocar doses extras de suingue e alegria na música brasileira. Depois de fase mais radical, dedicada a interpretar apenas hinos religiosos, ela parece ensaiar no novo disco uma aproximação, mesmo que discreta, com a boa e laica música popular.

O CD Geração guerreiros do apocalipse – o nome já entrega a forte conotação religiosa do trabalho –, ao contrário dos anteriores, dá certa abertura para a intérprete aparecer mais que a pastora. É inegável que a opção religiosa tirou um pouco do brilho da artista, mas a situação começa a mudar. “Quando me converti, algumas portas pareciam se fechar, mas como no céu não tem bunda-mole, só casca- grossa, elas se abriram”, afirma.

O novo disco é uma mistura de influências. “Tem MPB com direito a bossa nova , blues, pop , trio elétrico e rock and roll. Muitas guitarras com Lucas Domingues, muita bossa nova de Nelson Faria, convidados como Claudio Infante, André Neiva e Jeff Lescowich e Marcos Suzano. Participam também os músicos Ruan Magalhães, Rogério Fraga, Thiago Medeiros, Willian Alves, Wesley Rodrigues e Lúcio de Paula.”

Há oito anos ela lançou o primeiro trio elétrico gospel no carnaval da Bahia. É dela também o título de primeira cantora de trio elétrico do Brasil, quando era dos Novos Baianos. A experiência lhe rendeu inspiração para criar naquele clima a música Santo de Israel. O lado menos fervoroso aparece no disco na canção Stand by me, clássico de Ben E. King, Jerry Leiber e Mike Stoller, revisitada em estilo bossa nova, assim como Amazing grace, de John Newton e John P. Rees.

Produzido, concebido e dirigido por Baby, as 12 faixas do CD (10 são de autoria da cantora) promovem também uma fusão de sonoridades. Traz a mescla berimbau com programação eletrônica, guitarras, baixo, violão, tambores, percussão, teclado e shofar (um dos mais antigos instrumentos de sopro, tradicionalmente usado em cerimônias na Antiguidade). O clima serve de base para criar dois tipos de shows, um dedicado ao público gospel, apenas com canções religiosas; e outro, mais eclético. “É quando irei da MPB ao gospel, ou seja, vou contar minha carreira do início até agora”, adianta.

Baby esteve recentemente nos Estados Unidos para o acerto dos detalhes de um CD em inglês, pela gravadora Tate Group Music, com previsão de lançamento em Nova York no mês que vem. A carreira americana começa com a interpretação de Agnus Dei, com participação do pastor Michael W. Smith, um dos mais conhecidos nomes do segmento daquele país. A artista gravou ainda clássico americano do gênero, Rescue, com o brasileiro David Quinlan. As músicas Amazing grace e Stand by me também estarão no CD. “Estou levando o projeto da carreira internacional super a sério, pois é sonho antigo que está se realizando”, comemora.

Laboratório Baby do Brasil iniciou carreira com os Novos Baianos. Nascida em família de classe média, criada entre o Rio de Janeiro e Niterói, começou a cantar e tocar violão ainda na infância. A primeira reviravolta na vida foi em 1969, quando decidiu fugir de casa e ir para Salvador, época em que encontrou Moraes Moreira, Galvão, Paulinho Boca de Cantor e o guitarrista e futuro marido, Pepeu Gomes. Um ano depois, lançou o disco de estreia dos Novos Baianos, É ferro na boneca. A visibilidade da banda coincidiu com a mudança para um sítio no Rio de Janeiro, em Jacarepaguá. O lugar virou espécie de laboratório na criação do outro LP, Acabou chorare, um dos mais cultuados álbuns da MPB.

Baby e Pepeu decidiram, em 1978,  trilhar carreiras solo. O primeiro álbum dela na nova fase foi O que vier eu traço. Daí em diante, Baby impôs uma marca festiva e suingada em canções que conquistaram o público, como Menino do Rio, de Caetano Veloso, feita para ela, e outras como Sem pecado e sem juízo (música composta com Pepeu Gomes) e A menina dança e Tinindo e trincando (ambas de Moraes Moreira e Galvão).

Baby entrou e saiu de várias igrejas e terminou a peregrinação como pastora com vários discos gospel gravados. É mãe de Sarah Sheeva, Zabelê, Nana Shara, Pedro Baby, Krishna Baby e Kriptus Baby, todos músicos.

TRÊS PERGUNTAS PARA
Baby do Brasil
cantora

O que você ainda mantém da herança dos Novos Baianos?
Muitas coisas continuam iguais. A brasilidade, a alegria, o suingue. O que mudou foi que minha fé aumentou muito. No tempo da ditadura, morar junto para fazer música era uma loucura, mas ao mesmo tempo foi a única maneira que encontramos para fazer música como se não houvesse ditadura. Com isso nos transformamos em uma família, com muito amor, muita tolerância, e juntos aprendemos a incentivar uns aos outros. Isso foi determinante para minha carreira e vida, pois a música passou a fazer parte da minha vida do café da manha até altas horas da madrugada. “E aí , acabou chorare ficou tudo lindo, de manhã cedinho”, e isso foi para sempre.

Você foi uma garota que saiu de casa rumo a Salvador muito cedo, onde conheceu músicos que seriam os parceiros na criação dos Novos Baianos. Faria tudo de novo?
A música foi um chamado na minha vida desde os 9 anos, quando ganhei meu primeiro violão, dado por minha mãe. Aos 16, tive certeza de que a música era a profissão apaixonada que queria seguir. Nessa época tive meu primeiro grande encontro com Deus e fui para a Bahia por orientação dele e tudo deu certo, por isso estou aqui hoje. Realmente, tenho espírito de aventura, porém sempre alinhado com a direção de Deus.

A opção por sempre chamar a atenção, seja com visual, nome ou atitude, ajudou ou prejudicou sua carreira? Já quis ser caretinha?
Na verdade, não foi uma opção. Desde criança, ouvia aquela frase: “Ela sempre quer ser diferente”, mas não era proposital, era um jeito alegre de querer viver a vida, com roupas coloridas, criando modelos e estilos… é um lado talvez de estilista. Fui crescendo, observando o movimento hippie, que era muito forte naquela época, e me identifiquei com aquelas roupas e visual. Algumas vezes, as pessoas prestaram mais atenção no visual do que no talento, mas sempre soube que isso era uma questão de tempo. Quanto a pensar em ser caretinha, depende do ponto de vista. Por exemplo: amo um tailleur Channel, rosa bebê de punhos e gola de pele preta, com sapatos rosa da Vivienne Westwood. Talvez este seja meu lado caretinha, que ao mesmo tempo é muito chique.

Informações: Uai.com.br

Deixe uma resposta