Testemunhas de Jeová que recusam transfusão buscam alternativas de tratamento em MS

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Uma mulher de 55 anos, adepta da igreja Testemunhas de Jeová e que mora em Campo Grande, aguarda vaga na Santa Casa para fazer uma neurocirurgia depois de ter sofrido acidente vascular cerebral (AVC) em 10 de setembro. Como a religião dela não aceita que sejam feitas transfusões de sangue devido a uma interpretação da Bíblia, familiares e amigos da paciente mobilizaram-se para trazer ao hospital uma máquina (foto) de autotransfusão.

O equipamento é fabricado na Itália e funciona como um filtro. O sangue do paciente, que normalmente seria desperdiçado durante a operação, é aspirado pela máquina, passando por um processo de filtragem, como explica a biomédica paulista Paula Frutuoso.

“É uma espécie de centrífuga que separa as partes de acordo com o peso molecular, restando apenas o concentrado de hemácias. Esse concentrado é lavado para retirada de impurezas e, em seguida, sobe para uma bolsa de infusão”, disse ao G1.

A biomédica afirma que o procedimento não é restrito a pacientes religiosos, podendo ser largamente empregado em centros cirúrgicos. As vantagens da autotransfusão, segundo Paula, são a ausência do risco de rejeição e a economia de sangue e dinheiro. “Cada bolsa de concentrado de hemácias pode custar de R$ 200 a 300, e são usadas no mínimo duas a cada cirurgia”, conta. Apesar dos benefícios, há restrições em casos de cirurgia intestinal e de tumores, quando o risco de contaminação é elevado.

Com fé e sem fatores de risco

O advogado e filho da paciente, Fábio Coutinho, de 24 anos, conta que a mãe precisou ficar internada por mais tempo para recuperar-se de um quadro de anemia crônica. Ele reconhece o papel da fé no processo de recuperação, mas afirma que o quadro clínico é mais importante.

“Ela está sem fatores de risco. Não fuma, não tem diabetes, nem pressão alta. Esperamos que ela se recupere bem e possa voltar para casa”, diz Fábio. A cirurgia da mãe do advogado estava prevista para terça-feira (18), mas teve de ser adiada. A mulher segue internada no hospital.

Propagando informação

Jorge Feitosa Filho é voluntário em grupo que troca informações médicas (Foto: Hélder Rafael/G1 MS)

De acordo com médicos que atuam em Campo Grande, não há máquinas de autotransfusão disponíveis nos principais hospitais que atendem a rede pública de saúde. O equipamento foi trazido com a ajuda de um grupo de estudiosos, ligados à congregação, que dedica-se a encontrar alternativas de tratamento que não entrem em contradição com suas convicções religiosas.

Jorge Caldas Feitosa Filho, que é voluntário na Comissão de Ligação com Hospitais (Colih), conta que a proposta do grupo é pesquisar em artigos e publicações e entrar em contato com médicos, para compartilhar conhecimento sobre novos tratamentos. “Não queremos gerar sabedoria só para o nosso grupo. A população precisa saber que existem alternativas”, afirma.

Informações G1

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