Igreja Católica incentiva fiéis a protestar contra a corrupção

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No feriado de Nossa Senhora Aparecida, líderes da Igreja Católica discursaram contra a corrupção e usaram a data religiosa para incentivar os fiéis a participar das manifestações realizadas ontem em diversas cidades do país.

Dom Odílo Scherer: corrupção em toda parte

O tema marcou as falas dos cardeais dom Odilo Pedro Scherer (foto), arcebispo de São Paulo, e dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Eles criticaram os políticos e disseram que a sociedade deve se mobilizar e fiscalizar o uso do dinheiro público.

Na igreja de São Luiz Gonzaga, em Pirituba (zona norte de SP), dom Odilo elogiou os protestos e disse que a corrupção “está em toda parte, afligindo o povo brasileiro”.

“Quando não somos mais capazes de reagir e nos indignar diante da corrupção, é porque nosso senso ético também ficou corrompido”, afirmou, em sermão. “Quando o povo começa a se manifestar, a coisa melhora. É isso que precisa acontecer.”

Depois de chamar o rio Tietê de “rio da morte” e “esgoto a céu aberto”, o cardeal comparou a situação de suas águas aos desvios na política. “A corrupção é como a água suja do Tietê. Não gera vida, não é coisa boa”, disse.

Em seguida, ele pediu à santa que “interceda por todos os responsáveis pelo governo”. “Nossa Senhora Aparecida é a Padroeira do Brasil. Queremos que o Brasil melhore, que seja um país mais digno e decente.”

No Santuário Nacional de Aparecida (180 km de SP), o presidente da CNBB disse, em entrevista após a missa solene, que a entidade defende os atos contra a corrupção.

“Sabemos de manifestações organizadas por redes sociais e defendemos que a população deve acompanhar os nossos homens públicos, sejam do Executivo ou do Legislativo”, afirmou dom Raymundo Damasceno.

“Quando há denúncias de corrupção, que sejam investigadas, [que se investigue] se há responsáveis ou não.”

Os dois cardeais evitaram referências diretas a escândalos recentes, como a acusação de venda de emendas na Assembleia Legislativa paulista, que ronda a base do governo Geraldo Alckmin, e as suspeitas de corrupção que derrubaram quatro ministros do governo Dilma Rousseff.

A missa solene das 10h em Aparecida foi assistida por cerca de 35 mil fiéis. Durante todo o dia, cerca de 140 mil passaram pela basílica, segundo informações preliminares da igreja. Até o dia 16 de outubro, quando se encerram os festejos deste ano, 600 mil pessoas devem ir ao local.

A polêmica sobre a descriminalização do aborto, que dominou a festa em 2010, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, desta vez foi deixada de lado.

No ano passado, fiéis que foram a Aparecida receberam panfletos assinados por um braço da CNBB recomendando não votar no PT. O então candidato José Serra (PSDB) citou o tema após a missa.

Informações: Folha

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