Álcool no trânsito e durante a gravidez preocupa especialistas

0

Os dois convidados da audiência pública da Comissão Especial sobre o Consumo de Bebidas Alcoólicas desta terça-feira (18/10) demonstraram preocupação com os reflexos do uso do álcool por motoristas e durante a gravidez. O professor de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Programa Acadêmico de Álcool e Drogas da UFRJ, José Mauro Braz de Lima, e o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Manoel Alberto Rebêlo dos Santos criticaram a falta de fiscalização e as punições brandas aos motoristas embriagados e falaram da Sindrome Alcoolica Fetal (SAF), que atinge milhares de brasileiros.

O deputado federal Marcelo Aguiar (PSD-SP), um dos autores do requerimento para realização do debate, citou reportagens publicadas esta semana com números assustadores do reflexo do uso de álcool no trânsito. Em 3 meses, São Paulo teve 11 acidentes graves com motoristas alcoolizados, com cinco mortes e 17 feridos. Reportagem da Época São Paulo diz que a Lei Seca deu errado no Estado e que a ‘tolerância zero’ com os motoristas embriagados acabou. Segundo o texto, o primeiro semestre de 2011 teve o maior número de homicídios culposos no trânsito desde a entrada em vigor da Lei Seca, em 2008, segundo dados da Secretaria de Segurança do estado. Foram 378 mortes, 12% a mais que as registradas no mesmo período de 2010. Mantida a tendência, será o ano mais violento desde o início da vigência da lei.

Após citar os dados, Marcelo Aguiar afirmou que os efeitos do uso do álcool nas famílias é destruidor e questionou: “qual é o problema? A fiscalização afrouxou ou a falta de rigor nas punições deixou os motoristas menos preocupados?”.

Para o desembargador Manoel Rêbelo, a soma de diversos fatores é o motivo do aumento dos acidentes em São Paulo e no resto do País. “É o conjunto de tudo isso: falta de fiscalização, de conscientização, de respeito às Leis. Além disso, no Brasil as punições são muito brandas. Querem diminuir a população carcerária com a liberação dos presos e isso é inadmissível”, criticou. Para o desembargador, as punições “deveriam ser mais rigorosas em casos de acidentes causados pelo uso de álcool e também nos crimes de colarinho branco”.

O presidente do Tribunal de Justiça explicou as iniciativas do órgão no combate à SAF. “Divulgamos a síndrome e seus reflexos nas crianças afetadas pelo uso de álcool pelas mães durante a gravidez. As crianças expostas ao álcool poderão apresentar problemas como falta de crescimento, retardo mental, além de danos neurológicos irreversíveis”, explicou. Para o desembargador carioca, alguns motoristas que dirigem alcoolizados podem, inclusive, ser vitimas da Síndrome: “Quem tem SAF, sem tratamento, apresenta pouco senso critico, perde a noção de perigo e o senso de responsabilidade. Se tratarmos a SAF, podemos evitar muitos desses acidentes”.

Para o professor José Mauro Braz de Lima, além de tudo isso, a falta de fiscalização das publicidades de bebidas alcoólicas também contribui para o excesso do uso de álcool por motoristas. “Nossos jovens estão expostos ao uso abusivo e indiscriminado de álcool o que resulta em 40 mil mortos por ano, segundo dados do Ministério da Saúde, mais de cem jovens por final de semana, em idade produtiva e saudáveis”, revelou. O doutor, que já foi responsável pela emergência de um hospital do Rio de Janeiro, acredita que a situação já virou um caso de calamidade pública. “Não podemos ignorar esse alto indice de acidentes que podem ser evitados porque se fosse uma doença que matasse tanta gente em tão pouco tempo, o Brasil já teria fechado, já estaria lutando para combater essa ‘epidemia’”, criticou.

José Mauro também acredita que punições mais severas ajudariam a diminuir o número de acidentes motivados pelo uso do álcool. “Em países sérios a punição é dura e resulta em diminuição dos acidentes. Um exemplo que deveria ser seguido é o do Distrito Federal, que possui a única Promotoria de Crimes de Trânsito do país”, afirmou.

Na Universidade, o professor é coordenador do primeiro laboratório de SAF do Brasil e atende centenas de crianças que sofrem com o problema. Ele revelou que os gastos com os reflexos do uso de álcool no Brasil são absurdos: “Algo em torno de R$ 220 bilhões por ano é gasto pelo país para resolver problemas relacionados ao álcool. Isso representa três vezes o orçamento do Ministério da Saúde”.

O deputado Marcelo Aguiar acredita que aumentar a fiscalização e endurecer as punições são a melhor saída para coibir o uso de álcool antes de dirigir. “Já passou da hora de endurecer com quem destrói famílias”, afirmou. Para o parlamentar, o governo federal deve investir, também, na divulgação da SAF e nos métodos para tratar a doença.

 Assessoria de Imprensa Deputado Marcelo Aguiar

Deixe uma resposta