Delegado condena intolerância religiosa

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Delegado condena intolerância religiosa
Superintendência de Igualdade Racial debate a intolerância religiosa

Confira o novo artigo do blog da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, escrito por Henrique Pessoa, delegado de Polícia do Rio de Janeiro e editado por Ricardo Rubim, coordenador de comunicação da entidade.
“Quando menos esperamos, somos surpreendidos por fatos que acreditávamos não serem mais dignos de nossas preocupações, sobretudo pela premissa de que cremos na existência de um Ser superior, que nos inspira o íntimo e nos faz crer que Sua obra, seja qual for a denominação que receba, fundamenta-se em critérios firmes de fé, amor, tolerância e conciliação. Enfim, um Ser que nos torna melhores, posto que mais complacentes.
No entanto, vemos com tristeza e preocupação as existências de certos segmentos que, mesmo alegando-se inspirados em preceitos cristãos, discriminam e demonizam a praxe religiosa alheia, fato que nos leva a lembrar-lhes de que neste país existe uma Constituição democrática, que considera o Estado laico e, como tal, protege a liberdade religiosa na sua mais pura essência, fundando-se no tripé da liberdade de crença, culto e manutenção de locais de culto.” 
Parece-nos um bom argumento, pois já que os preceitos de paz e tolerância de todas as religiões não os convencem e não os induzem ao respeito, ao menos temos por emblemática a lei maior que impõe como bem jurídico de elevada valia a liberdade plena de consciência religiosa.
Mas eles, ainda assim, desconhecem tal premissa, chegando alguns a cunhar um deplorável bordão: “Bíblia sim, Constituição não”, apesar de que, quando se vêm às voltas com a lei dos homens, alegam em seu favor a liberdade de expressão, embora essa igualmente seja premissa preservada pela mesma Constituição que insistem em rasgar.
Ora, qual será o argumento que os convencerá de que é um impositivo, seja de natureza religiosa ou constitucional, a garantia plena da liberdade religiosa? Logo eles que a nada escutam, senão a voz distorcida que ecoa de uma interpretação sectária e fundamentalista de suas escrituras, desconsiderando a conjuntura democrática crucial para que floresçam plenos os direitos fundamentais que devem tornar a sociedade e os seus valores difundidos para tornar a vida das pessoas dignificante, independente de sua crença religiosa.
Nesse diapasão, a Policia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) não terá dúvidas em fazer valer a razão extrema do sistema, qual seja lembrar, através de suas ações categóricas, que a intolerância religiosa é crime, e, como criminosos, serão tratados todos aqueles que não admitirem os poderosos argumentos acima expostos, fazendo com que sintam a pesada mão da legislação vigente, sem antes lamentar que a razão efetiva ainda não tenha inspirado a alguns que se querem religiosos, mas esquecem da mensagem de amor e paz que inspira a todos que, através da religião,querem criar um ambiente próspero para se ter vida e vida em plenitude. Desse modelo, os proselitistas se excluem.
Não é confortável, por certo, incriminar alguém que se arvora de religioso e insiste em demonizar as práticas religiosas alheias, mas acredito que também não é nada confortante saber que temos uma instituição policial omissa em relação a ofensas aosdireitos humanos, de modo especial para com as questões relacionadas à intolerância religiosa, que lida com a mais relevante dimensão do ser humano, que é o seu anseio por um mundo melhor.

A Policia Civil está atenta, ninguém deve duvidar disso, não havendoespaço nem tempo para retrocessos.
Henrique Pessoa é delegado de Polícia do Rio de Janeiro e membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
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Editado por Ricardo Rubim.
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Via Extra

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