É possível o cristão ser possuido por demônios?

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É possível o cristão ser possuido por demônios?
Um cristão genuinamente convertido pode ficar possesso por demônios? Esta é uma dúvida que ainda permeia as mentes de muitos e cria divergências entre lideranças de diversas denominações (sejam elas tradicionais, pentecostais ou neo-pentecostais).
O Guia-me entrevistou estudiosos e pesquisou a opinião de pessoas que lidam com a realidade da chamada batalha espiritual em seus ministérios. Entre as opiniões que veremos estão grandes nomes como Daniel Mastral, Rebecca Brown e Neuza Itioka, entre outros (algumas delas citadas no artigo “Cristãos podem ser possuídos por demônios?”, de Carlos Vailatti).
“É possível, sim!”
Segundo o casal Frank D. e Ida Mae Hammond – autores do famoso livro “Porcos Na Sala” – afirma nas páginas 175 e 176 de sua conhecida obra, cristãos podem realmente entrar em estado de possessão demoníaca e lembra que, para que tal posicionamento seja compreendido seja feita antes a diferenciação entre os termos “alma” e “espírito.

“Neste livro, temos tomado a posição de que os crentes podem ser habitados por demônios. A explicação dessa possibilidade é principalmente baseada, tanto quanto eu possa determinar, num entendimento claro da diferença entre a alma e o espírito. A palavra do Novo Testamento para ‘espírito’ é ‘pneuma’. Em contraposição ao natural, o espírito é aquela parte do ser humano que tem a capacidade de alcançar e perceber as coisas divinas. […] A palavra ‘alma’ é ‘psiquê’. Ela significa as emoções, o intelecto e a vontade. […] Disso vemos que o Espírito divino passa a habitar no espírito humano na hora da salvação. Os espíritos demoníacos estão relegados à alma e ao corpo do cristão. Os demônios afligem as emoções, a mente, a vontade e o corpo físico, mas não o espírito do cristão”, explica.

A conhecida escritora cristã do país de Gales, Jessie Penn-Lewis também compartilha da mesma opinião dos Hammond. Segundo ela, os cristãos estão realmente vulneráveis ao engano dos demônios e podem abrir espaço para que estes habitem em seu ser e tal atuação maligna pode-se dar em diversos níveis. Confira o trecho de um de seus livros, “Guerra Contra os Santos”, no qual a autora faz tal afirmação.
“Um crente batizado no Espírito Santo e habitado por Deus no recôndito de seu espírito pode ser enganado e vir a admitir a entrada de espíritos malignos em seu ser e ser possuído, em diferentes níveis, por demônios, mesmo sendo em (sic!) seu interior um santuário do Espírito de Deus: Deus agindo em seu espírito e por meio dele e os espíritos malignos trabalhando em seu corpo e mente, ou em ambos, ou por meio deles”, afirmou.
A líder do Ministério Ágape Reconciliação, Neuza Itioka reconhece em seu livro “Os Deus da Umbanda”, que teologicamente, dois espíritos (Santo e maligno) não podem habitar o mesmo corpo. Porém coloca em questão, situações práticas que tem chegado ao seu conhecimento, seja presencialmente ou por relatos de fontes de sua confiança. Segundo ela, “Pessoas que se submeteram a Jesus Cristo têm sofrido a invasão de demônios”.
A conversão, a sujeição a Jesus Cristo, não afugentaria automaticamente todos os demônios? De acordo com a nossa teologia, duas entidades, isto é, o Espírito Santo e o espírito maligno não podem residir no mesmo corpo. Na prática, porém, parece que estamos verificando mais e mais o contrário. Pessoas que se submeteram a Jesus Cristo têm sofrido a invasão de demônios; ou pessoas que se entregaram a Jesus Cristo e que não passaram pela libertação dos espíritos continuam sendo moradas deles”, afirmou.
Neuza Itioka ainda lembra que o uso da palavra possessão pode chegar a ser inadequado para as ocasiões às quais se refere. Para a líder, o termo pode dar a impressão de que as pessoas que recebem alguma entidade maligna naquele momento terá sua vida completamente dominada por aquele espírito e ressalta que o Espírito Santo não deve ser “equacionado”.
“Por um lado, devemos evitar a palavra ‘possessão’ para não dar a impressão de que os demônios tomam posse da pessoa, com o sentido de se assenhorear da sua vida. Por outro lado, não devemos equacionar o lugar do Espírito Santo com o que os espíritos podem ocupar na vida dos cristãos. Cristo está no centro da vida do cristão, mas certas áreas da sua vida podem estar sob o domínio de espíritos”, lembra.
“Não é possível!”
Em entrevista exclusiva ao Guia-me, o ex-satanista, palestrante e escritor Daniel Mastral revelou o seu posicionamento a respeito do assunto em questão. Para o autor, tal doutrina não faz sentido em seu entendimento.
“Não consigo imaginar Paulo, Pedro, Elias, Moisés, Davi, etc, possessos! Somos renascidos em Cristo, templo do Espírito Santo. Isso significa que o mesmo local que abriga o Espírito Santo não pode alojar uma entidade demoníaca. Um crente verdadeiro, genuíno, que é realmente transformado, jamais será possesso. Satanás não tem posse de uma vida que é de Cristo! Pois esta vida foi comprada pelo sangue do Cordeiro! É um princípio Bíblico! Uma verdade absoluta! Porém, um crente ‘meia sola’, com o pé no mundo, com uma vida em pecado, sem temor de Deus, será sempre um excelente hospedeiro para estas entidades. Poderá ficar possesso”, assegurou.
Quando questionado a respeito da base bíblica que poderia ser usada para fundamentar possíveis possessões demoníacas, Mastral explicou com um exemplo didático que tais possibilidades não se baseiam nas escrituras sagradas, mas sim apenas em “inferências”.
“Quanto ao embasamento Bíblico para sustentar tal posição é elementar. Não é preciso fundamentar algo que é estribado em pensamentos, inferências humanas. Seria como tentar encontrar esteio cientifico para fundamentar a vida alienígena. Não há evidências, só inferências”, esclareceu.
Concordando com a opinião de Mastral, o autor do artigo usado como fonte de pesquisa, professor Carlos Vailatti afirmou
que não há base teológica para provar que um cristão genuinamente convertido venha a entrar em estado de possessão e acrescentou trechos bíblicos que podem comprovar tal raciocínio. O mestre em teologia embasou o seu argumento na passagem de Efésios 2:2 e Colossenses 1:13.
“A Bíblia nos diz que o ‘espírito das potestades do ar’ age nos ‘filhos da desobediência’ (Ef 2.2) e não nos verdadeiros crentes, os filhos de Deus! Além disso, o Pai celestial ‘nos libertou do império das trevas (o que inclui a possessão demoníaca) e nos transportou para o reino do Filho do seu amor’ (Cl 1.13). Eu fico imaginando como um verdadeiro cristão ‘já liberto’ do império das trevas poderia ficar possuído por demônios, os quais são agentes desse mesmo império?! Que tipo de ‘libertação’ seria essa?”, indaga.
Continuando sua argumentação, o escritor lembra que o apóstolo Paulo faz duas perguntas importantes que, apesar de contextualizadas, merecem atenção nesse caso e levam o leitor da Bíblia a uma reflexão a respeito da relação entre luz e trevas.
“Some-se a isto ainda o fato de que Paulo faz duas perguntas importantes que, embora situadas dentro de seus contextos, não devem ser ignoradas quanto à validade da sua aplicabilidade de forma mais ampla. Primeiro, ele pergunta: ‘E que comunhão tem a luz com as trevas?’ (2 Co 6.14b). Em seguida, Paulo questiona: ‘E que concordância há entre Cristo e Belial?’ (2 Co 6.15a). Aqui, a palavra ‘concordância’ vem do grego ‘ymfonesis’ (da mesma raiz da palavra ‘sinfonia’ em português), que significa basicamente “harmonia, acordo”. Paulo está dizendo aqui que não há possibilidade de haver a mínima convivência entre Cristo e Satanás (o que inclui os demônios, é claro)”, ressaltou.
Finalizando seu raciocínio, Vailatti lembra que o próprio Jesus Cristo falou nos evangelhos a respeito da habitação divina no ser humano. Interpretando o texto com base no estudo da língua grega, o teólogo afirma que o termo “morada” usado no trecho bíblico se refere a algo permanente.
“A propósito, Jesus disse em Jo 14.23: ‘e (eu e o Pai) viremos para ele (para aquele que ama a Jesus e guarda a sua Palavra), e faremos nele morada’. Aqui, a palavra “morada” vem do substantivo grego ‘monen’, ‘morada’, palavra esta que, por sua vez, é derivada do verbo grego ‘meno’, ‘permanecer’, o que indica uma habitação permanente. Ou seja, o Pai e o Filho (Jesus) habitam ‘permanentemente’ no crente genuíno, que é aquele que ama a Jesus e guarda a sua Palavra”, afirmou.

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Por João Neto – Giame

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