Discurso do presidente Barack Obama para o povo Brasileiro em sua visita ao Brasil

0

Discurso do presidente Barack Obama para o povo Brasileiro em sua visita ao Brasil

O esperado e histórico discurso do presidente norte americano Barack Obama ao povo brasileiro, em sua visita ao Brasil.
Desde o momento em que cheguei, o povo desta nação mostrou gentilmente à minha família o calor e a generosidade do espírito brasileiro. Obrigado. thank you! (aplausos), Quero fazer um agradecimento especial a todos vocês por estarem aqui, porque me disseram que vai haver um jogo de futebol do Vasco. (aplausos e vaias) e Botafogo… (risos). Então eu sei que… eu percebo que os brasileiros não desistem muito facilmente do seu futebol (risos).Agora, uma de minhas primeiras impressões do Brasil foi um filme que eu vi com minha mãe quando era muito novo, um filme chamado Black Orpheus (Orfeu Negro), que é ambientado nas favelas do Rio de Janeiro durante o Carnaval. E minha mãe adorou esse filme, com seus cantos e danças contra o pano de fundo dos lindos morros verdes. E ele teve a sua estreia como peça bem aqui no Theatro Municipal. Foi o que entendi.
E minha mãe já se foi, mas ela jamais teria imaginado que a primeira viagem de seu filho ao Brasil seria como presidente dos Estados Unidos. Ela jamais teria imaginado isso (aplausos). E eu jamais imaginei que este país seria ainda mais belo do que era no filme. Vocês são, como cantou Jorge Ben-Jor, “um país tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza” (aplausos).
Eu vi essa beleza nas colinas onduladas, nas intermináveis milhas de areia e oceano, e nos grupos vibrantes e diversificados de brasileiros que hoje aqui vieram. E nós tempos um grupo maravilhosamente misturado. Temos cariocas e paulistas, baianos, mineiros. (aplausos). Temos homens e mulheres das cidades do interior e tantas pessoas jovens aqui que são o grande futuro desta grande nação.
Agora, ontem, eu me reuni com sua maravilhosa nova presidente Dilma Rousseff, e nós conversamos sobre como podemos fortalecer a parceria entre nossos governos. Mas hoje, que quero falar diretamente ao povo brasileiro sobre como podemos fortalecer a amizade entre nossas nações. Eu vim aqui para partilhar algumas ideias porque quero falar dos valores que partilhamos, as esperanças que temos em comum e a diferença que podemos fazer juntos.
Quando se pensa nisso, as jornadas dos Estados Unidos da América e do Brasil começaram de maneiras parecidas. Nossas terras são ricas pela criação de Deus, lar de povos antigos e indígenas. De além-mar, as Américas foram descobertas por homens que buscavam um Novo Mundo, e colonizadas por pioneiros que avançaram para Oeste, cruzando vastas fronteiras. Nós nos tornamos colônias reivindicadas por coroas distantes, mas logo declaramos nossa independência. Depois recebemos ondas de imigrantes em nossas praias, e, por fim, depois de uma longa luta, limpamos a mancha da escravidão de nossa terra.
Os Estados Unidos foram a primeira nação a reconhecer a independência do Brasil, e a estabelecer um posto avançado diplomático neste país. O primeiro chefe de Estado a visitar os Estados Unidos foi o líder do Brasil, dom Pedro II. Na Segunda Guerra Mundial, nossos bravos homens e mulheres combateram lado a lado pela liberdade. E após a guerra, ambas nossas nações lutaram para alcançar as bênçãos plenas da liberdade.
Nas ruas dos Estados Unidos, homens e mulheres marcharam e sangraram, e alguns morreram para que cada cidadão pudesse desfrutar das mesmas liberdades e oportunidades – independentemente da aparência de cada um, do lugar de onde viesse. No Brasil, vocês lutaram contra duas décadas de ditaduras pelo mesmo direito de ser ouvidos – o direito de não ter medo, de não passar necessidades. E contudo, durante anos, a democracia e o desenvolvimento demoraram a deslanchar e milhões sofreram em consequência disso.
Mas eu venho aqui hoje porque esses dias passaram. O Brasil é hoje uma democracia florescente – um lugar onde as pessoas são livres para dizer o que pensam e escolher seus líderes, onde um menino pobre de Pernambuco pode ascender do chão de uma fábrica de cobre ao mais alto cargo no Brasil.
Na última década, o progresso alcançado pelo provo brasileiro inspirou o mundo. Mais da metade desta nação é hoje considerada de classe média. Milhões saíram da pobreza. Pela primeira vez, a esperança está voltando aos lugares onde o medo prevaleceu por muito tempo. Eu vi isto hoje quando visitei a Cidade de Deus – a “City of God”… (aplausos). Não se trata apenas de novos esforços de segurança e programas sociais – e eu quero cumprimentar o prefeito e o governador pelo excelente trabalho que estão fazendo (aplausos) Trata-se também uma mudança de atitudes. Como disse um jovem morador, “as pessoas precisam olhar as favelas não com piedade, mas como uma fonte de presidentes, e advogados, e médicos, e artistas (e) pessoas com soluções (aplausos).”
A cada dia que passa, o Brasil é um país com mais soluções. Na comunidade global, vocês foram de depender da ajuda de outros países a ajudarem agora a combater a pobreza e a doença onde elas existirem. Vocês jogam um importante papel nas instituições globais que protegem nossa segurança comum e promovem nossa prosperidade comum. E vocês receberão o mundo em suas praias quando a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos vierem para o Rio de Janeiro (aplausos).
Agora, vocês devem estar sabendo que esta cidade não foi minha primeira escolha para a Olimpíada (risos). Mas já que os Jogos não puderam ser realizados em Chicago, não há nenhum lugar onde eu mais gostaria de vê-los do que aqui no Rio. E pretendo voltar em 2016 para assisti-los (aplausos).
Durante muito tempo, o Brasil foi um país transbordando potencialidades, mas contido pela política, tanto de dentro como do exterior. Durante muito tempo, vocês foram chamados de um país do futuro. O povo do Brasil deve saber que o futuro chegou. Ele está aqui agora. E é hora de agarrá-lo (aplausos).
Agora, nossos países nem sempre concordaram em tudo. E assim como muitas nações, vamos ter nossas diferenças de opinião no futuro. Mas eu estou aqui para lhes dizer que o povo americano não só reconhece o sucesso do Brasil – nós somos solidários com o sucesso do Brasil. Enquanto vocês enfrentam muitos desafios que ainda têm em casa e também no e
xterior, fiquemos juntos – não como sócios maior e menor, mas como parceiros iguais, unidos num espírito de interesse mútuo e respeito mútuo, comprometidos com o progresso que eu sei que podemos fazer juntos (aplausos). Estou seguro de que podemos fazê-lo (aplausos).
Juntos podemos avançar nossa prosperidade comum. Como duas das maiores economias do mundo, trabalhamos lado a lado durante a crise financeira para restaurar o crescimento e a confiança. E para manter nossas economias crescendo, sabemos o que é necessário em ambas nossas nações.
Precisamos de uma força de trabalho habilidosa, educada – razão porque companhias americanas e brasileiras prometeram ajudar a aumentar os intercâmbios de estudantes entre nossos dois países, Precisamos de um compromisso com inovação e tecnologia – razão porque acertamos expandir a cooperação entre nossos cientistas, pesquisadores e engenheiros.
Precisamos de uma infraestrutura de classe mundial – razão porque companhias americanas podem ajudar vocês a construir e preparar esta cidade para o sucesso olímpico. Numa economia global, os Estados Unidos e o Brasil devem expandir o comércio, expandir o investimento, para que criemos novos empregos e novas oportunidades em ambas nossas nações. E essa é a razão porque estamos trabalhando para derrubar as barreiras para fazer negócios.
Essa é a razão porque estamos estreitando as relações entre nossos trabalhadores e nossos empresários. Juntos podemos também promover a segurança energética e proteger nosso belo planeta. Como dois países que estão comprometidos com economias mais verdes, sabemos que a solução final para nossos desafios energéticos está na energia limpa e renovável. E é por isso que metade dos veículos deste país podem rodar com biocombustíveis, e maior parte de sua eletricidade vem da energia hidrelétrica. É também por isso que, nos Estados Unidos, aceleramos o início de uma nova indústria de energia limpa. E é por isso que Estados Unidos e Brasil estão criando novas parecerias energéticas – para compartilhar tecnologias, criar novos empregos, e deixar para nossos filhos um mundo mais limpo e mais seguro do que o que encontramos (aplausos).
Juntos, nossos dois países também podem ajudar a defender a segurança de nossos cidadãos. Estamos trabalhando juntos para acabar com o narcotráfico que destruiu tantas vidas neste hemisfério. Buscamos o objetivo de um mundo sem armas nucleares. Estamos trabalhando juntos para melhorar a segurança nuclear em nosso hemisfério.
Da África ao Haiti, estamos trabalhando lado a lado para combater a fome, as doenças e a corrupção que podem degradar uma sociedade e privar seres humanos de dignidade e oportunidade (aplausos).
E como dois países que foram extremamente enriquecidos por nossa herança africana, é absolutamente vital que trabalhemos com o continente da África para ajudá-lo a se erguer. Isso é algo que devemos nos comprometer a fazer juntos (aplausos).
Hoje, estamos ambos dando ajuda e apoio ao povo japonês em sua hora de maior necessidade. Os laços que unem nossas nações ao Japão são fortes. No Brasil, vocês abrigam a maior população japonesa fora do Japão. Nos Estados Unidos, nós forjamos uma aliança de mais de 60 anos. O povo do Japão é um de nossos amigos mais próximos e nós rezaremos com eles, e ficaremos com eles e reconstruiremos com eles até essa crise passar (aplausos).
Nesses e outros esforços para promover a paz e a prosperidade em todo o mundo, os Estados Unidos e o Brasil são parceiros não só porque partilhamos história, não só porque estamos no mesmo hemisfério, não só porque temos laços comerciais e culturais, mas também porque partilhamos certos valores e ideias duradouros.
Ambos acreditamos no poder e na promessa da democracia. Acreditamos que nenhuma outra forma de governo é mais efetiva para promover o crescimento e a prosperidade que atinjam cada ser humano – não apenas alguns, mas todos. E os que pensam diferente, os que pensam que a democracia é um obstáculo ao progresso econômico, precisam discutir o exemplo do Brasil.
Os milhões que este país tirou da pobreza para a classe média, ele não poderia ter feito isso numa economia fechada controlada pelo Estado. Vocês estão prosperando como um povo livre com mercados abertos e um governo que responde a seus cidadãos. Vocês estão provando que o objetivo da justiça social e da inclusão social pode ser melhor alcançado pela liberdade – que a democracia é a maior parceira do progresso humano (aplausos).
Nós acreditamos também que em nações tão grandes e diversas como as nossas, moldadas por gerações de imigrantes de todas as raças, e fés, e antecedentes, a democracia oferece a melhor esperança de que cada cidadão seja tratado com dignidade e respeito, e que podemos resolver nossas diferenças pacificamente, que encontramos força na nossa diversidade.
Conhecemos essa experiência nos Estados Unidos. Sabemos como é importante sermos capazes de trabalhar juntos – mesmo quando com frequência discordamos. Eu compreendo que nossa forma escolhida de governo pode ser lenta e confusa. Nós compreendemos que a democracia precisa ser constantemente fortalecida e aperfeiçoada com o tempo.
Sabemos que países diferentes têm caminhos diferentes para realizar a promessa de democracia. E compreendemos que nenhuma nação pode impor sua vontade a outra. Mas sabemos também que existem certas aspirações partilhadas por cada ser humano: todos buscamos ser livres. Todos buscamos ser ouvidos. Todos ansiamos por viver sem medo ou discriminação. Todos ansiamos por escolher como seremos governados. E todos queremos moldar nossos próprios destinos. Esses não são ideais americanos ou ideais brasileiros. Esses não são ideais ocidentais, Esses são direitos universais, e nós precisamos apoiá-los por toda parte. (aplausos).
Hoje, estamos vendo a luta por esses direitos se estender pelo Oriente Médio e o Norte da África. Vimos um revolução brotar de um anseio por dignidade humana básica na Tunísia. Vimos manifestantes pacíficos afluírem para a Praça Tahrir – homens e mulheres, jovens e velhos, cristãos e muçulmanos. Vimos o povo da Líbia tomar uma posição corajosa contra um regime determinado a brutalizar seus próprios cidadãos. Por toda a região, vimos jovens se erguerem – uma nova geração exigindo o direito de determinar seu próprio futuro. Desde o começo, deixamos claro que a mudança que eles buscam deve ser impulsionada por seu por próprio povo. Mas para nossos dois países, para os Estados Unidos e o Brasil, dois países que lutaram durante muitas gerações para aperfeiçoar suas democracias, os Estados Unidos e o Brasil sabem que o futuro do mundo árabe será determinado por seu povo.
Ninguém pode dizer com certeza como essa mudança terminará, mas eu sei que a mudança não é uma coisa que devemos temer. Quando jovens insistem em que as correntes da História estão em movimento, os ônus do passado pode ser varridos. Quando homens e mulheres exigem pacificamente seus direitos humanos, nossa humanidade comum é fortalecida.
Sempre que a luz da liberdade é acesa o mundo se torna um lugar mais brilhante. Esse é o exemplo do Brasil. Esse é o exemplo do Brasil (aplausos). O Brasil, um país que mostra que uma ditadura pode se tornar uma florescente democracia. O Brasil, um país que mostra que a democracia proporciona liberdade e oportunidade a seu povo. O Brasil, um país que mostra como um apelo à mudança que começa nas ruas pode transformar uma cidade, transformar um país, transformar um mundo.
Décadas atrás, foi exatamente fora deste teatro, na Praça da Cinelândia, que o apelo por mudança foi ouvido no Brasil. Estudantes e artistas, e líderes políticos de todos as correntes se reuniram com bandeiras e disseram, “abaixo a ditadura, o povo no poder”. Suas aspirações democráticas só foram concretizadas anos mais tarde, mas uma das jovens brasileiras no movimento daquela geração seguiria em frente para mudar para sempre a história deste país .
Filha de um imigrante, sua participação no movimento levou à sua detenção e à sua prisão, à sua tortura nas mãos de seu próprio governo. E portanto ela sabe como é viver sem os direitos humanos mais básicos pelos quais tantos estão lutando hoje em dia. Mas ela sabe também o que é perseverar. Ela sabe o que é superar – porque hoje essa mulher é a presidente de sua nação, Dilma Rousseff (aplausos).
Nossos dois países enfrentam muitos desafios. No futuro, nós certamente encontraremos muitos obstáculos. Mas no fim, é nossa história que nos dá a esperança de um futuro melhor. É o conhecimento de que os homens e mulheres que vieram antes de nós triunfaram sobre desafios maiores do que esses – que vivemos em lugares onde pessoas comuns fizeram coisas extraordinárias.
Foi esse senso de possibilidade, esse senso de otimismo que primeiro atraiu pioneiros para este Novo Mundo. É isso que une nossas nações como parceiras neste novo século. É por isso que acreditamos, nas palavras de Paulo Coelho, um dos seus mais famosos escritores, “com a força de nosso amor e de nossa vontade, mudaremos nosso destino, assim como o destino de muitos outros”.
Muito obrigado. Thank you. E que Deus abençoe nossas duas nações. Muito obrigado (aplausos).”
/ TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

Para cópia deste conteúdo, é obrigatória a publicação integral do texto e a divulgação do link www.amigodecristo.com
Informações Estadão►

Deixe uma resposta