Polêmica do ‘Deus nos Livre de um Brasil Evangélico’ do Pr. Ricardo Gondim

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Polêmica do 'Deus nos Livre de um Brasil Evangélico' do Pr. Ricardo Gondim
Polêmica do ‘Deus nos Livre de um Brasil Evangélico’ do Pr. Ricardo Gondim

Polêmica do ‘Deus nos Livre de um Brasil Evangélico’ do Pr. Ricardo Gondim – Texto de Gondim sobre expansão dos evangélicos gera criticas!

Um texto ácido e que gerou repercussão após ser publicado no CREIO. O desejo do pastor assembleiano Ricardo Gondim (Foto ao lado) de não ter um país evangélico, gerou inúmeros comentários e protestos de internautas. Leitores revoltados contrariaram a postura do líder.

Resposta ao texto “Deus nos livre de um Brasil evangélico” de Ricardo Gondim
Neste texto, tentarei elaborar uma resposta ao Ricardo Gondim. Não tenho créditos ou fama no meio evangélico como ele, porém, também tenho a pretensão de querer ser ouvidos pelos evangélicos, já que participo deste meio e me incomodo profundamente com alguns comentários, como o do Gondim.
Pelo que sei, Ricardo Gondim conseguiu status e fama no meio evangélico e gospel, nas mídias evangélicas e com discurso evangélico. Enquanto fazia Teologia na Universidade Metodista de São Paulo, soube que o Ricardo Gondim estava iniciando seu mestrado nesta universidade. Gostava de ler alguns textos dele. Uma vez ele pregou na Faculdade de Teologia, fez um bom sermão sobre o sofrimento de Jesus na Cruz. Ele também foi convidado algumas vezes para dar palestras em importantes eventos nesta instituição, inclusive, eu mesmo, numa reunião do Colegiado e da Congregação da Fateo – como representante discente e presidente do Centro Acadêmico de alunos – sugeri o nome dele para que fosse um dos palestrantes da Semana de Estudos Teológicos da UMESP.
Observei que o discurso do famoso Ricardo Gondim ia mudando aos poucos. Logicamente, não tenho isso como pejorativo, já que, quanto mais ele se aprofundava em seus estudos, mais percebia sérios problemas no discurso evangélico. Não conheço bem seu histórico, sua igreja de origem, sua experiência de fé ou mesmo as preocupações fundamentais que o levaram à igreja evangélica. Também não sei como ele cresceu no meio evangélico, talvez pela qualidade de seus textos, ou mesmo pela crítica a algumas doutrinas. Por fim, o que me interessa é a forma que Ricardo Gondim tem se manifestado na mídia. Isso me preocupa seriamente, já que sua fama e seu reconhecimento no meio gospel lhe dão créditos para falar qualquer tipo de coisa, mesmo que seja a pior de todas as besteiras.
Uma vez “consagrado” pela mídia, já se tornou um símbolo e um ícone no meio evangélico. Independente do que diz, há sempre aqueles que o elogiarão e também aqueles que o criticarão. A diferença é que a crítica agora é mais “refinada” academicamente. O requinte da teo-poesia latino americana e brasileira é cada vez mais experimentado por Gondim, ao que me parece. Seus discursos já estão próximos às teologias poéticas de Rubem Alves e outros. Suas criticas estão profundamente mergulhadas nas insípidas correntes das Ciências da Religião (por onde ele passou), no movimento dos “esclarecidos” em relação ao fenômeno religioso, daqueles que aplaudem a fenomenologia, manobram em torno das ciências sociais, se esmeram em analisar características essenciais de tudo aquilo que pode ser entendido como religião e, talvez, tentar formar uma síntese da religiosidade, às vezes trazendo esta síntese ao campo da ética e da política, às vezes utilizando-a simplesmente para estabelecer uma crítica consistente ao “movimento gospel ou evangélico”. Mas pra que? Para ganhar um status agora no meio acadêmico e na “sociedade teológica esclarecida”? Critica-se um slogan idealista e religioso – ganhar a cidade para Jesus – em prol de outros slogans igualmente idealistas: ouvir músicas e ler poesias demasiadamente refinadas em relação à “escória” evangélica, um exemplo disso é a comparação da música popular brasileira com músicas e poesias protestantes e evangélicas.
Ser esclarecido deve ser relacionar puritanismo com um olhar generalizado do movimento evangélico, como fez Gondim sem nenhum critério, jogando palavras e ideologias ao ar. Também começo a pensar que ser esclarecido é insistir veementemente na crítica ao mercado gospel (como é o costumes de diversos famosos teólogos brasileiros). Há uma incoerência muito grande aqui por parte de muitos teólogos brasileiros. Ao mesmo tempo em que eles criticam (com razão!) músicas evangélicas com péssimo conteúdo teológico, com ênfases em violência, em conquista e em atitudes individualistas, acabam repetindo poesias cuja falta de sentido ultrapassa o que a pós-modernidade é capaz de perceber. Ou seja, a inconformidade em relação ao “movimento gospel” parece ser tão grande que leva alguns teólogos brasileiros à neurose ou mesmo a um transtorno obsessivo-compulsivo. Digo isso porque eles começam a falar coisas que eles próprios devem achar absurdo e fazem isso de forma extremamente repetitiva e persistente, como se fosse o único meio de se esconder dessa afronta. Esses sintomas são comuns em seminaristas, teólogos e alguns pastores que se decepcionam com suas denominações e adotam uma postura crítica generalizada em relação à fé.
Ser esclarecido pode ser também afirmar utopicamente uma “volta às origens” quando se usa termos como “tupiniquim” para se falar sobre a “essência” da cultura brasileira. Esse movimento teológico e poético que emerge progressivamente no meio evangélico brasileiro é um movimento de retrocesso e refinamento da linguagem ao mesmo tempo. Retrocesso porque sempre tenta voltar às “origens” da cultura para tirar de lá alguma pedra ou cinza que dê sentido à cultura atual. O projeto teológico do século XX de desmitologização se tornou em “desocidentalização” e “desamericanização”. Fazendo isso poderemos alcançar uma linguagem pura, sem as sujeiras européias e norte americanas. Não seria esse o espírito do puritanismo tão rejeitado? Isso não se assemelha aos ideais positivistas da ciência que tenta limpar a linguagem de tudo o que é religioso? Não, eles apenas querem um discurso religioso da terra, latino-americano e/ou brasileiro. Querem poesias que não são tão articuladas como as francesas, as européias, mas que tenha um elemento de requinte, que seja aplaudida pelos intelectuais e que tenha uma cara brasileira. Nesse sentido, é importante o movimento de retrocesso em busca da essência da cultura brasileira.
Há também o aspecto refinado da nova onda teo-poética brasileira. Refinamento porque a linguagem é bem articulada, a crítica possui o “requinte” da modernidade, o sentimento de esclarecimento, de progresso e de perfectibilidade do idealismo. Resumindo, lembra o movimento dialético e hegeliano do ser que sai de si mesmo, observa a si mesmo na crítica que recebe e retorna a si de forma mais autêntica,
mais consciente e mais esclarecida. Poderíamos dizer que Gondim expressa bem isto. Por momentos, ele tenta sair de sua condição de evangélico, retém as críticas a esse movimento e retorna de forma mais esclarecida, mais refinada. Se antes ele buscava o progresso do meio evangélico, alegrando-se com faixas que afirmam o nome de seu mestre (Jesus Cristo) e tentam mostrar à sociedade que uma cidade pode ser fortemente influenciada por Cristo e, consequentemente, transformada à nível social e religioso (no meu entendimento). Agora Gondim prefere não anunciar o evangelho desta forma pútrida. Pregar o evangelho agora é reclamar dessas faixas, anunciar, divulgar e elogiar as poesias e músicas populares brasileiras. Gondim deve pensar: “Quanto mais pejorativa ficar a cultura evangélica de massa, os discursos com fetiche capitalista e norte-americano dos pobres pastores brasileiros e tudo aquilo que reflete este movimento, mais chance terei de patrocinar a ‘teo-poesia esclarecida brasileira’. Poderei ser um anfitrião desta teologia tão requintada, assim como Rubem Alves, Leonardo Boff, Hugo Asmann e tantos outros ex-teólogos que conseguiram sair dessa caverna do dogmatismo teológico e alcançar a luz da poesia brasileira e latino-americana”.
Ou talvez ele não tenha esses planos maquiavélicos e simplesmente pensa: “não há soluções para as igrejas evangélicas, o melhor caminho é a autodestruição”.
Bom, não sei se Ricardo Gondim pensa assim de fato. Mas penso que seu discurso tem se tornado caótico (ao invés de esclarecido).
A modernidade nos oferece uma excelente estratégia para o bom diálogo: criticar a igreja, criticar a Deus, criticar a metafísica, criticar o fundamentalismo e criticar a violência. Qualquer pessoa pode perceber que, principalmente no meio acadêmico, quando alguém começa uma conversa falando de Cristo, da graça e do amor de Deus, muitas vezes, a outra pessoa irá se contorcer, se agitar e ter uma impressão ruim, pensar que o cristão é um ignorante e adepto aos velhos discursos do cristianismo. Por outro lado, também é fácil perceber que, quando começamos a conversa criticando a igreja, conscientes de que a igreja é pecadora e faz muitas besteiras, de que as velhas interpretações não produziram bons frutos e que as teologias ortodoxas e fundamentalistas mataram a Teologia, então as pessoas já nos vêem como mais esclarecidas, mais inteligentes e mais conscientes. Porém, muito dificilmente essas pessoas tem vontade de conhecer a Cristo. Por quê? Porque quando elas conseguem tirar de nós que o cristianismo é uma religião em outras e que Cristo é apenas uma figura ou um símbolo entre outros, não faz sentido para elas entender a Cristo nem mesmo crer nele. Nesse caso, nosso discurso não produz nada de bom, nada de válido, apenas colabora para que a sociedade se torne mais secularizada, mais independente da religião e mais afastada de Cristo.
Creio que se o Ricardo Gondim realmente tem boa intenção, uma hora ele vai enjoar do próprio discurso e irá perceber que a crítica generalizada também é caótica, que ela causa um comportamento compulsivo e não produz uma teologia pura nem mesmo uma leitura bíblica menos dogmatizada. Ao contrário, a crítica acaba recorrendo a outros dogmas, outros fundamentos, outros símbolos e outros métodos. Mas se o Ricardo Gondim se envolver fortemente em seu discurso e lutar com todas as forças para defendê-lo, então ele deverá romper definitivamente com a teologia e com a fé cristã e se tornar um “poeta do caminho”.
Que Deus o abençoe e a graça do Senhor esteja com ele.
Guilherme Estevam Emilio – pastor no ponto missionário da Igreja Metodista em Sumaré, bacharel em Teologia pela UMESP e mestrando em Filosofia pela Universidade Federal de São Paulo.

Com Informações do Portal Creio
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3 COMENTÁRIOS

  1. No início de seu texto o missivista afirma que tentaria uma resposta ao texto do Ricardo Gondin. Pois tive o trabalho de ler e verificar que as críticas feitas pelo referido pastor não foram comentadas.

    Primeiro usou-se o mais pobre dos "argumentos" que é tentar desqualificar o autor. Depois falou de pseudos movimento que o referido pastor representa, em certo ponto chega-se a uma triste pobre retórica do tipo: "acho que ele não pensa assim" "ou talvez ele não tenha estes planos maquiavélicos" etc.

    Em momento nenhum o que foi falado pelo pastor foi discutido no campo das idéias.

    É tendo a concordar com o pastor, se todos os críticos do Brasil fossem deste quilate, Deus nos livre.

    Obs. Creio que seu orientador do mestrado terá muito trabalho até chegar ao texto final de sua dissertação.

  2. E-MAIL: erd1983@r7.com

    Longa Caminhada

    Quando tudo estiver perdido,
    Quando tudo e todos estiverem contra mim,
    Acredite, não desistirei, seguirei sempre em frente,
    Quando as forças me faltarem, não desistirei,
    Quando menos esperarem, ressurgirei das cinzas,
    Não por mim, mas, sim, pelo SENHOR, é ele quem me mantêm em pé,
    Lutarei, não desistirei da promessa do SENHOR, serei firme na minha caminhada,

    Quando todos disserem que não sou capaz, ainda sim, continuarei seguindo em frente,
    Não importa o que dizem, mas, sim, no que acredito, sei que a promessa do SENHOR sempre se cumpre, acredito e sigo sempre em frente, o resto não tem importância, nenhuma dor é maior do que a minha vitória em CRISTO,

    Quando chegar ao fim da minha caminhada, gritarei bem alto, obrigado SENHOR e todos verão que nunca estive só e, se cheguei até o fim é por que CRISTO nunca falha, podem até duvidar, mas, mesmo assim verão a gloria do SENHOR sendo derramada sobre mim.

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