Juiz citando a Bíblia é o fim, afirma professor

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“Juiz citando a Bíblia é o fim”, afirma professor
Francisco Marshall, professor do departamento de História da UFRGS e integrante da Atea
Oriundo de tradicional família católica (seu tio-bisavô foi João Becker, arcebispo da Capital por três décadas), Francisco Marshall, 44 anos, é uma das vozes da Atea no Estado. O professor do Departamento de História da UFRGS e curador cultural do StudioClio fala sobre os motivos que estão levando os ateus a se manifestar:

Zero Hora – A Atea é a primeira entidade ateísta juridicamente constituída no Brasil. Isso marca um novo momento?

Francisco Marshall – Acredito que sim. Vai ao encontro de um argumento multicultural, da criação de um ambiente de tolerância pelo reconhecimento da legitimidade de todas as convicções. A Atea permite tornar público o argumento ateísta. A resistência ao ateu é muito forte.

ZH – Quais as prioridades?

Marshall – Não aceitamos mais que o ateu seja de qualquer maneira associado a algum mal moral. Nossa prioridade são especialmente campanhas públicas que permitam a percepção dessa condição, de que há uma vida ética, uma vida filosófica, uma validade cultural do ateu. A principal razão de ser da Atea é evitar os constrangimentos ao ateu.

ZH – Que constrangimentos?

Marshall – O caso Datena (José Luiz Datena, jornalista da TV Band) foi exemplar. Ele examinou um bandidaço que violentou e matou uma criança e disse: “Esse tipo é um ateu, um homem que não tem Deus no seu coração, porque quem não tem Deus é que faz uma coisa dessas”. Não havia nenhuma informação sobre se o criminoso era ateu ou não. O Datena não estava só atacando o cara, estava associando o ateísmo a uma perfídia inominável. Isso está sendo objeto de processos movidos pela Atea.

ZH – Foram publicados com sucesso, recentemente, livros ateístas, como Deus Não é Grande, de Christopher Hitchens, e Deus – Um Delírio, de Richard Dawkins. O que está por trás desse fenômeno?

Marshall – A existência desses livros é um bom sintoma de que há leitores e de que a sociedade está interessada em atualizar o debate.

ZH – A mobilização dos ateus seria uma reação à ascensão do fundamentalismo religioso?

Marshall – Claro. Porque há o temor de retrocessos teocráticos, como interdições à pesquisa científica, à pesquisa genética, à saúde pública, ao combate a epidemias e à condição sexual contemporânea.

ZH – No Brasil, temos crucifixos nos tribunais, e isso é visto como algo natural. A sociedade não percebe seu preconceito?

Marshall – Sim, porque as pessoas estão acostumadas a serem confessionais. Geralmente vem da ordem familiar e é reforçado pela comunidade. É o estado natural. No Judiciário, há dificuldade dos juízes de perceber que o cristianismo é um segmento da cultura e que o Brasil é mais complexo do que isso. Juiz citando a Bíblia, como acontece, é o fim da picada.

 Veja outras polêmicas relacionada com as campanha publicitárias Atea:

  1. Campanha em ônibus que diz que Deus não existe chega ao Brasil

    A Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) veicula a partir de hoje campanha publicitária para dizer que Deus pode não existir.
    www.amigodecristo.com/…/campanha-em-onibus-que-diz-que-deus-nao.html
  2. Caminhão religioso persegue ônibus ateu em cidade americana

    A Atea, por ter errado no tom da campanha, misturando ideologia (um campo minado) com religião, tem sido criticada até por ateus. …
    www.amigodecristo.com/…/caminhao-religioso-persegue-onibus-ateu.html

Fonte: Zero Hora
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