Jerusalém berço do cristianismo

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Jerusalém, berço do cristianismo, reúne culturas e religiões distintas

Uma cidade que, mesmo depois de 2.011 anos, continua sendo o ponto de partida para milhões de pessoas em todo o mundo. Foi em Jerusalém que a história dos cristãos começou a ser contada. Foi lá que a morte de Jesus marcou definitivamente a vida deles. O que mais angustia é saber como olhar e definir um lugar tão significativo, com suas riquezas e mazelas, perpassado por lutas e guerras, há séculos. Jerusalém é a união do novo e do velho, da paz e das disputas. Uma cidade histórica que hoje acolhe palestinos, judeus de todos os cantos, marroquinos, etíopes e europeus que se encontram para trabalhar e coexistir.

A jornalista Rosiane Rodrigues mostra que na região não se encontra só o estereótipo do conflito. Há, sim, experiências de convivência pacífica entre culturas, costumes e religiões tão diferentes. Impressões registradas por um olhar brasileiro, durante dez dias de viagem.

Forte identidade religiosa

Afinal, quem são os muçulmanos, judeus e cristãos que dividem a Terra Santa? A questão que pode passar despercebida é entender que os moradores desta cidade, seus códigos, fronteiras e locais comuns são determinados pela identidade religiosa. Logo que cheguei, entendi que o que eu sabia sobre os conflitos que estão presentes na pauta internacional não podia ser levado em conta. Conhecer o que é diferente é o primeiro passo para que possamos entender que nem tudo é simples e que a intolerância religiosa é o combustível que tem movido o ódio em Jerusalém.

Em Jerusalém Ocidental estão as comunidades judaicas e alguns cristãos. Nela, temos a sensação de estar na Europa. Veem-se shoppings com lojas de grifes, restaurantes, pubs, danceterias. E muitas sinagogas!

O lado ocidental está fora das Muralhas: é a chamada Nova Jerusalém. Resistência cultural é o que melhor define as diversas comunidades que habitam essa cidade dividida, na qual não existe “uma” população.

Quem são os judeus de Israel?

Sionistas – grande parte de Jerusalém Ocidental é dividia em bairros laicos, onde predomina o judaísmo nacional. O sionismo é um movimento político que defende o Estado de Israel. Criado no século XIX, propõe a dimensão de povo judeu do ponto de vista cultural e de pertencimento étnico. Os sionistas tradicionais são laicos e alguns não seguem os preceitos religiosos mais caros à comunidade, como jejuar no Dia do Perdão. Ainda assim, o relato do Antigo Testamento serve de base para a defesa da ideologia sionista.

Religiosos ultraortodoxos (ou Hassidim) – Movimento místico que se originou na Europa Oriental, no século XVIII. Suas várias correntes se caracterizam por ter um rabino carismático (sacerdote com poder especial e ligação direta com Deus), ao qual denominam “rei” . Endogâmicos (só casam entre eles), enxergam a comunidade religiosa como uma “corte”. As correntes podem ser identificadas pelas variações do uso de sobretudos pretos e pelo tamanho dos seus chapéus de pele (shtreimel). Chegaram à Jerusalém nos primeiros anos do século XX e dedicam-se quase que integralmente ao estudo da Torá. São fortes opositores do Estado israelense e não se alistam no Exército. Para eles, os judeus só poderiam ocupar a Terra Prometida após a volta do Messias.

Ultraortodoxos lituanos – Surgem na Lituânia como reação aos hassidins e, por isso, também são chamados de opositores. Mais modernos, vestem-se com terno e chápéu de abas retas, pretos. Muito eruditos, acreditam que só se pode chegar a Deus pela leitura da Torá e do Talmud. Também falam iídiche. Não fazem oposição declarada, mas também não defendem abertamente os sionistas. Estão em grande número em Jerusalém. Permitem casamentos apenas entre judeus. A média de filhos é de, no mínimo, sete por família.

Ultraortodoxos sefaradis ou orientais – Muitos vindos do Norte da África (Tunísia, Marrocos, Argélia) e Espanha. Moram quase que totalmente no bairro Mussrara, a dez metros dos hassidins e ao lado da moderna linha ferroviária que divide a cidade em duas. Antes da ocupação, havia um muro que separava este bairro do território da Jordânia. Falavam ladino – um idioma que mistura hebraico e espanhol e está praticamente desaparecido. Por terem formação tradicionalista, ao chegarem em Jerusalém, entre 1950 e 1960, acharam a cidade “pouco religiosa”. Por este motivo, uniram-se aos lituanos que ofereciam escolas religiosas para crianças. Em 1980, separam-se dos lituanos e fundam o partido político Shaes, com grande representação no parlamento.

Ortodoxos sionistas – essa é uma corrente relativamente nova em Jerusalém. Vestem-se no estilo europeu (jeans, tênis e camiseta) e só são reconhecidos por usarem quipás (pequenos chapéus que cobrem apenas o alto da cabeça) de lã colorida. Tradicionalistas e messiânicos, acreditam que o Messias não vai voltar para um lugar desabitado e, por isso, estão preparando a infra-estrutura. Essa preparação é o Estado de Israel. Entendem que a tradição religiosa deve ser conservada para o fortalecimento da identidade judia em todo mundo. O grupo presta serviço militar obrigatório, estuda e trabalha normalmente.

Fonte: Extra
*Rosiane Rodrigues, colunista do blog Religião & Fé, viajou como bolsista de um curso do Museu Yad Vashen.
Saiba mais sobre a viagem no blog de Rosiane: http://extra.globo.com/noticias/religiao-e-fe/rosiane-rodrigues/
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