Moisés e seu chamado

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Na realidade esse é o apanhado de um determinado texto que quero compartilhar com todos vós, feito durante meu estágio para pastor.
O autor inicia o texto mostrando a importância do chamado para o ministério ser contextual e é assim por se mostrar circunstancial tem um objetivo: o de desenvolver e objetivar a missão designada por Deus, como exemplo o autor mostra:

Missionário Local Objetivo
José Egito Administrativo
Moisés Egito Libertador
Ester Pérsia Conquistador
Ezequiel Israel Político

Entenda-se por missionário aquele a quem foi dada uma missão. Não reduziríamos Moisés a um missionário nos nossos moldes de hoje, mas ele teve uma missão isso ficou bem claro em seu chamado.

No entanto antes de ser contextual a prática pastoral é antes de tudo Deus agindo e Deus controlando cada situação e cada igreja, enganam-se os pastores que acreditam ser donos da igreja e donos dos membros que nela habitam e participam, isso me faz lembrar de uma experiência que o então Paul Yonggi cho teve quando não conseguia resolver os problemas da igreja quando esta ainda estava em crescimento e se angustiou muito e que queria controlar tudo sem ao menos levar a Deus visto que sua ansiedade estava sobrepujando sua paz, foi neste momento que Deus interveio e disse:” a igreja que você pastoreia é minha. Durante dez anos você vai fazer pouco ou nada”. Bem, o fim já sabemos: uma igreja que cresceu tanto sendo referência mundial. Na página 6, mais precisamente na linha 17 diz o seguinte:

Todo pastor de ovelhas é abominação (Gn 46:34)

Apesar de o autor explicar o sentido sócio-cultural, eu, após meditar nesse texto trouxe para o lado espiritual e entendi que ser pastor de ovelhas (o que tem chamado) é altamente abominável, infame e repugnante para o Egito (mundo).

Com relação ao chamado de Moisés geralmente se segue em outros chamados, temos três passos, quais sejam:
1- A indignação de Deus – quando o Todo-Poderoso diz basta muitas vezes quando as orações se tornam mais intensas;
2- A resposta de Deus – quando o Todo-Poderoso chama pelo o nome a quem quer enviar;
3- O propósito do chamado – quando o Todo-Poderoso informa o objetivo daquela missão

Depois desse momento seguem-se as crises e Moisés como a maioria não ficou isento:

1- Crise de identidade pessoal

Antes de falarmos nessa crise vamos dividir a vida de Moisés num quadro comparativo e explicativo:

40 anos 40 anos 40 anos
No Egito Cuidando do rebanho No deserto
Pensando que era alguém Aprendendo que não era ninguém Descobrindo o que Deus pode fazer com um ninguém

Isso é muito lindo. Apesar de o autor mostrar que a crise de identidade pessoal de se deparar com a realidade mostra-nos a fraqueza é verdade, porém, quando Deus chama existe um período que temos que aprender que não somos ninguém, mesmo se antes disso nos enchemos de Conhecimento, daí nasce a problemática: tenho duas faculdades mas o que é isso para desempenhar a obra do Todo-Poderoso, sou sábio mas Deus me levou para um submundo onde lá aprendi que não sou ninguém, neste exato momento que entramos é que estamos iniciando a ser e estar prontos para o chamado.

Imaginemos Moisés com sua audácia e Conhecimento obtida com a ciência do Egito e agora Deus o chamando. Provavelmente ele diria isso:

– Muito bem Senhor, eu sou capacitado mesmo pode me enviar porque com meus argumentos com certeza Faraó libertará o povo.

É aqui que acredito que o homem não esteja preparado, é necessário antes passar por um certo crivo que a pessoa entenda que em última instância tem que depender de Deus e mais nada e não do: eu sou, o que tenho e o que sei.

Então o “problema” não diria que seria um conflito psicológico, mas ontológico um conflito com o meu EU do qual se mostra um labirinto de perguntas (e inquietações) com e sem respostas onde só Deus pode me saciar e dar segurança.

2- A crise de identidade de Deus e o povo

Na antiguidade saber o nome era muito importante, pois dizia certas cosas da personalidade, Moisés não conhecia a Deus profundamente essa era uma pergunta muito importante quem és tu? Como vou te apresentar, mais uma vez não se vê não um produto de descrédito, mas de vontade de saber quem era Deus, visto que Moisés não tinha uma intimidade profunda com Deus.

Quando Deus respondeu a Moisés Ele fez pelo menos três questões importantes:

a) Eu Sou o que Sou, um verbo congelado denotando a sua Eternidade vide João 8:58;

b) “Eu Sou o Deus de Abraão, Isaque e Jacó…”, ou seja, Deus estava dizendo para Moisés que assim como Ele foi com estes, também será com Moisés, não existia porque temer;

c) Agora Deus dá uma instrução específica a Moisés vai e ajunta-te aos maiores líderes de Israel e dize-lhes que Eu te enviei.

3 – A crise de autoridade pessoal

Esta crise tem em destaque uma palavra: CREDENCIAL, ou seja, Moisés estava se queixando de que autoridade ele tinha e chegaria para os anciãos de que ele não estava mentindo que Deus o enviara, mas é neste momento que a meu ver surge a coisa mais linda: Deus fala dos seus três agentes que só Ele faz: Sinais, Prodígios e Maravilhas (Ne 9:10): demonstrou duas: uma vara tornar-se-ia em cobra, após meter a mão no peito apareceria lepra e em ambos os casos voltou ao que era antes, ou seja, a serpente voltou ser vara e a lepra deixara de existir, Deus estava mostrando que não somente operaria algo fenomenal mas retroagiria, o terceiro inexplicavelmente em minha ótica, Deus não demonstrou, bem agora Moisés tinha a credencial.

4 – Crise de inadequação-influência pessoal

O homem de Deus, o portador da mensagem mais especificamente trabalha com a boca e isso era um problema para Moisés, segundo alguns teólogos Moisés era gago isso dificultaria sua maneira de se comunicar e, por conseguinte de influenciar e convencer, sabemos que um gago geralmente é tímido ou tropeça nas palavras mas Deus rebate dizendo: “quem fez a boca do homem, ou o surdo, ou o mudo?”. Enfim, Deus estava mostrando a Moisés que Ele fez… Ele também poderia mudar quaisquer das situações análogas.

5 – Crise do medo

A ultima crise do chamado é uma que vem embutida nas outras, mas só é referida no final: “manda qualquer um menos eu Senhor, estou com medo” seria mais ou menos essas palavras de Moisés e neste momento a ira de Deus se acende porque Moisés não entende que existe um povo sofrido e que Deus quer libertar. O medo de ir para um certo “desconhecido” afeta a todos então Deus disse que enviaria Arão e assim estaria ao lado de Moisés, uma vez que a missão era de Moisés.

Acredito que estamos nesta fase (desconsiderando a sequência), minha esposa estava tranquila, mas já começou a ter dúvidas e medo… É um problema a superar e que todos passarão em maior ou menos escala.

Concluindo, Moisés com muita dificuldade superou todas as crises e finalmente cumpriu sua m
issão não só de libertar o povo, mas de orientar quanto à entrada na terra prometida. Tinha muito conhecimento num primeiro plano e, no entanto num segundo se despojou do mesmo não porque queria e sim por questões circunstanciais e em última instância porque Deus não chama em primeiro lugar quem sabe, quem tem quem pode, mas quem se dispõe a ir.
Autor do Estudo Bíblico Moisés e seu chamado:

Raimundo Nonato Pereira de Aguiar

Igreja: Igreja de Deus Pentecostal do Brasil, Manaus, Amazonas
Formação: Graduado em teologia (Seminário maior Monte Sinais/IDPB) Filósofo e pós-graduado em Educação Especial pela Universidade Federal do Amazonas Cursando o…
Descrição: Sou teólogo (Seminário maior Monte Sinais/IDPB), filósofo e pós-graduado em Educação Especial pela Universidade Federal do Amazonas, professor da rede Estadual de ensino e Analista Previdenciário concursado. Na igreja em que congrego sou Diretor da ..
http://www.gospel10.com/artigos/artigo–moises-e-seu-chamado–479

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