O cristão para crescer deve manter bons relacionamentos

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1º João – 1 – 1 : 10: O cristão para crescer deve manter bons relacionamentos

Você deseja crescer? Eu também desejo e por esta razão espero poder ajudá-lo a pensar sobre dois níveis de relacionamentos que demos manter e que nos ajudarão muito no processo de crescimento cristão.

Em primeiro lugar precisamos manter uma boa relação com a Palavra da Vida(vv.1-4).

O autor dessa passagem bíblica nos fala sobre a Palavra da Vida e nossa tarefa será compreender o que o Senhor espera de cada um de nós. Jesus espera que cada cristão seja feliz e isto ocorrerá se vencermos cada uma das etapas nesta caminha cristã. Como é que você se relaciona com a Bíblia? Nestes quatro versos encontramos algumas dicas de como deve ser o nosso relacionamento com a Palavra de Deus:

1) Precisamos efetuar uma proclamação autorizada da mensagem do Evangelho(vv2,3).

João usa dois verbos para descrever o anúncio apostólico: damos testemunho(marturoumen) e anunciamos(apangellomen). O ministério apostólico envolvia testemunho e proclamação. Ambas as palavras implicam em autoridade, mas de diferente espécie. O testemunho é uma atividade que pertence propriamente a uma testemunha ocular. A pessoa tem que ser uma testemunha antes de ter a competência para dar testemunho. Pois ela fala do que viu e ouviu. Você é uma testemunha de Jesus?

Já o anúncio indica a autoridade da comissão dada por Cristo para a proclamação do Evangelho. João insiste que possui essas credenciais necessárias e proclama o Evangelho com autoridade, pois a mensagem cristã não é uma especulação filosófica, nem hipóteses ou sugestões, nem modesta contribuição para o pensamento religioso, mas, sim, uma afirmação dogmática feita por aqueles cuja experiência e cuja comissão os qualificaram para fazê-la. Como é que você anuncia o Evangelho?

Dar testemunho e anunciar o Evangelho são comissões que recebemos do Senhor Jesus e assim tal proclamação é autorizada. Deus é luz(v.5) e o cristão não pode viver nas trevas(v.7). Estar na luz significa andar no amor. O conteúdo da proclamação é a informação que devemos compartilhar: a salvação(a vida eterna) só é possível em Jesus. Esta é uma mensagem singular: a) porque é comprovada desde a eternidade e também pelos homens. b) porque possui conteúdo “a vida eterna”. c) porque nos motiva a anunciá-la. Com certeza o cristão ou a igreja que proclamar o que Cristo nos ensinou e ordenou verá os efeitos positivos desta proclamação em sua vida como na vida dos seus ouvintes.

2) Precisamos experimentar uma comunhão verdadeira no seio da igreja(v.3).

A proclamação não é um fim em si mesma e nós precisamos ter bem claro em nossa mente os seus propósitos. Podemos assegurar que basicamente ela objetiva dois propósitos: o imediato e último. O imediato chamamos de comunhão(koinonia) e o último denominamos alegria(chara). A comunhão criada por cristo nos dias da sua vida terrena e aprofundada pela vinda do Espírito Santo no Pentecostes não era para limitar-se somente aos apóstolos ou primeiros cristãos. Sua meta incluía estender-se as gerações futuras através dos séculos e neste detalhe nos alcança e deve seguir além.

O propósito da proclamação do Evangelho é, pois, a comunhão. Porque quando compreendemos melhor o sentido da salvação vemos que ela é a iniciativa de Deus em nos reconciliar consigo através de Jesus Cristo. E esta comunhão constitui o sentido da vida eterna: “E a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, que és o único Deus verdadeiro; e conheçam também Jesus Cristo, que enviaste ao mundo”(João 17.3). Comunhão é uma palavra especificamente cristã e indica aquela participação comum na graça de Deus. A salvação de Cristo e a presença do Espírito Santo constitui-se direito que todo indivíduo recebe ao nascer espiritualmente. Nossa comunhão uns com os outros tem sua origem na comunhão com Deus e dela depende.

Quando aprendemos que o objetivo da proclamação autorizada é a comunhão humana surgindo espontaneamente da comunhão divina somos obrigados a censurar a nossa moderna evangelização e a vida da igreja cristã. Não podemos ficar contentes com uma evangelização que não se conclui em integração, nem com uma vida eclesiástica cujo princípio seja camaradagem social superficial em vez de uma comunhão espiritual com o Pai e com seu Filho Jesus. No texto de João observa-se que a doutrina e o comportamento dos hereges estavam ameaçando romper, dividir a igreja. Por outro lado observa-se também que a mensagem verdadeira produz verdadeira comunhão.

3) Precisamos desfrutar da alegria plena que Cristo nos oferece(v.4).

Qual é o segredo da plenitude de alegria? Está na comunhão que a proclamação produz. Pois se o propósito imediato da proclamação é o estabelecimento da comunhão o seu último é a consumação da alegria. Esta é a ordem divina das coisas: proclamação verdadeira = comunhão verdadeira = alegria verdadeira. A idéia de plenitude de alegria reaparece por toda a literatura joanina como por exemplo: “Eu estou dizendo isso para que a minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa”(João 15.11). “E agora estou indo para perto de ti. Mas digo isso enquanto estou no mundo para que o coração deles fique cheio da minha alegria”(João 17.13). Isto é significativo pois estas passagens fazem alusão ao tema da comunhão com Deus ou entre os irmãos.

Todavia, a “perfeita alegria” não é possível neste mundo de pecado, porque a perfeita comunhão não é possível. Assim devemos entender que o versículo 4 olha também para o futuro além desta vida quando então a nossa comunhão consumada produzirá alegria completa. É para este fim último que Cristo se manifestou e o conteúdo da mensagem cristã é a manifestação histórica do Eterno. Seu propósito foi e é uma comunhão humana que se baseia na comunhão com o Pai e o Filho e que irrompe na plenitude da alegria. A alegria conquistada através da permanência no Filho e revelada através da comunhão com o Pai: “Tu me mostras o caminho que leva à vida. A tua presença me enche de alegria e me traz felicidade para sempre”(Salmo 16.11).

Em segundo lugar precisamos manter um bom relacionamento com Deus que é luz(vv.5-10).

Como provar que temos comunhão com Deus? Quando somos questionados sobre nossos valores, crenças e emoções sentimos uma vontade danada de “provar” ou de mostrar que somos diferentes daquilo que dizem de nós. Você já passou por uma situação assim? Como é que você se relaciona com Deus? Nestes seis versos encontramos algumas dicas de como deve ser o nosso relacionamento com o nosso Eterno Deus:

1) Precisamos adequar às nossas vidas ao padrão que Deus estabelece: santidade(v.5).

Independentemente de sermos questionados ou não pelas pessoas, temos a necessidade de adequarmos nossa vida ao padrão estabelecido por Deus. João nesta etapa de sua carta nos ensina que Deus é luz e nele não há trevas nenhuma(v.5) e esta expressão “luz” indica verdade, pureza e justiça. Isto implica que o padrão ou o gabarito para a vida cristã é a santidade de Deus. Muitos dos seus amigos não-cristãos geralmente encontram seu padrão de comportamento na vida de outras pessoas ou em algum código de ética inventado pelos homens. Mas estes não alcançam a perfeição de vida que Deus espera do homem. Daí termos a
necessidade de buscarmos o auxílio do Espírito Santo de Deus para que aprendamos e pratiquemos os ensinos desta poção da Palavra de Deus.

Na época em que a mensagem de 1 João foi ensinada, havia pessoas que pensavam e ensinavam que o pecado não rompia a comunhão do cristão com Deus. Sabemos que este ensino se constitui um erro tremendo e, a julgar pelo procedimento de alguns cristãos, penso que outros ainda hoje pensam da mesma forma. Qual é então o desafio desta caminhada na luz? Adequarmos nossas vidas ao padrão de santidade desenvolvido por Deus em sua Palavra. Talvez você se sinta em desvantagem nesta fase de sua vida ao tentar comparar o seu procedimento com o outros cristãos mais maduros. Não desista! Coragem! Tenha fé! Vida cristã não é moleza mas nós devemos continuar firmes na caminhada rumo à santificação. Pouquíssimas pessoas gostam de provas, mesmo que as questões sejam de múltipla escolha ou dissertativas. Normalmente ouço dos meus alunos que fazer prova não é “boa”. Como saber se a nossa nota nesta prova da comunhão com Deus é boa ou ruim? Esteja atento ao próximo pontos!

2) Precisamos entender que o pecado rompe nossa comunhão com Deus(v.6).

Consideremos a questão levantada por João no verso 6: um cristão pode Ter constante comunhão com Deus, mesmo fazendo coisas que o desagradem? Na boca de alguns de seus contemporâneos a resposta seria sim. O que você acha desta situação? Não é de hoje o pensamento de que o espírito humano é inviolável e que podemos fazer o que quisermos com o nosso corpo. Assim sendo esse conceito(chamado de “dualismo”) leva muitos cristãos a pecarem e ofenderem a santidade de Deus. Deus é luz e aquele que nele está não pode caminhar nas trevas. A religião cristã sem moralidade e pura ilusão.

O pecado é sempre uma barreira para a comunhão com Deus. E se pensarmos diferente disto, mentimos deliberadamente e não praticamos a verdade. Isto se aplica a minha vida, a sua também especialmente quando começamos a usar um simples frase(isto não tem nada a ver) ao sermos confrontados seja pelos irmãos em Cristo. À medida em que achamos e dizemos que isto ou aquilo “não tem nada a ver” e insistimos em andar por caminhos que a Bíblia não nos autoriza a nossa nota(média) cai. E pior do que fazer uma prova, é descobrir que a nota foi mais baixa do que o grau mínimo para aprovação.

3) Precisamos aprender a andar e agir na luz(v.7).

João insiste que é impossível o cristão andar com o Senhor e no pecado ao mesmo tempo. Eu e você devemos permitir que a santidade divina revele quem realmente somos e devemos também aplicar em nossa vida o padrão do Senhor. Quem em comunhão com o Senhor orienta-se pela luz, reage de acordo com o que a luz revela e distingue entre o certo e o errado. Ao invés de tentar fugir dizendo que não tem nada a ver, você deve encarar cada questão com a certeza de que o padrão correto é o que a Bíblia ensina e não o que os outros pensam ou fazem ou pensam.

Que efeitos ocorrem na vida de quem está na luz? Primeiro, gozamos de boa comunhão outros cristãos, além de estreitarmos nossa comunhão com Deus. O inverso também ocorre, pois quando a pessoa não está em comunhão com o Pai, perde a comunhão com os irmãos. Segundo, experimentamos a purificação de nossos pecados, pois o sangue de Jesus, o Filho de Deus, nos purifica de todo o pecado. Lembre-se disso: a purificação dos seus pecados só pode ser alcançada através do sangue de Cristo.

Quando pensamos sobre o padrão pelo qual somos avaliados no nosso dia-a-dia, descobrimos que a santidade de Deus é esse padrão. Ainda que o pensamento que está na moda atualmente seja o de que podemos viver como quisermos, a Bíblia diz que não é bem assim e nos orienta que o comportamento é uma forma de mostrarmos aos outros como é o nosso relacionamento com Deus. Muitas vezes deixamos de alcançar o nível esperado por Deus. Isso indica que cometemos pecados, deixamos de fazer algo que deveríamos fazer ou fizemos algo que nos foi proibido.

Quando pecamos, a comunhão entre Deus e nós é interrompida e o problema precisa ser resolvido. A solução oferecida por Deus é a seguinte: confesse os seus pecados. Reconheça que pecou, que sua atitude foi uma ofensa ao Deus Santo, e receba com gratidão o perdão. Mantenha-se no padrão que é ensinado pela Palavra de Deus. Creia que este é um padrão absoluto ainda que ouçamos, a cada instante, que não existem critérios morais absolutos.

4) Precisamos entender que o pecado existe em nossa natureza e se revela na nossa conduta(v.8).

O versículo 8 nos permite dizer que devemos reconhecer o princípio do pecado. Naquela época, assim como hoje também, as pessoas não aceitavam o fato de que me nossa natureza existe o pecado. Essa negação do pecado não nos livra de sua influência nem dos seus resultados. O “gnosticismo”, heresia que já começava a se formar nesse período, ensinava que através do conhecimento a natureza pecaminosa do homem poderia ser eliminada, e assim sendo, os estudiosos e iluminados eram considerados perfeitos. A orientação de João contrapõe este pensamento ao dizer que se pensamos assim nos “enganamos e nos tornamos mentirosos”.

Estes mesmo ensinos contrários à Palavra de Deus e prejudiciais aos homens são divulgados ainda hoje(e com mais recursos do que naquela época). Querida(o) irmã(o), não caia nesta armadilha de Satanás. Eu e você somos pecadores e devemos reconhecer este fato. Se você for convidado para assistir alguma palestra ou estudo sobre o tema: “Gnosis: conheça-te a ti mesmo”, não participe, pois a Bíblia já nos mostra com honestidade, quem de fato somos.

5) Precisamos reconhecer, confessar e abandonar os nossos pecados(v.9).

O cristão precisa reconhecer os seus pecados pessoais(v.9) e este versículo da Palavra de Deus deve ser guardado na sua mente e em seu coração. Eu sei, e você também sabe, que às vezes inventamos nomes para os nossos pecados tentando minimizá-los. Por exemplo: “mentirinha”, “gênio difícil”, ou “a carne é fraca”. Também gostamos de generalizar a confissão pedindo a Deus que nos perdoe sem que mencionemos as atitudes pecaminosas. Às vezes penso que pecamos no varejo mas pedimos perdão no atacado. Você sabe porque agimos assim? Creio que é porque temos vergonha de que os outros irmão saibam as coisas feias que pensamos, falamos ou fazemos. Mas como saberemos lidar com estes pecados, se não temos coragem de falar deles para o Senhor? Lembre-se sempre: pecado existe e deve ser reconhecido, nomeado na confissão e abandonado.

Quando reconhecemos, confessamos e abandonamos o comportamento pecaminoso recebemos o perdão de Deus. A base do perdão verdadeiro é a justiça divina. E se em sua Palavra está escrito que “se confessarmos os nossos pecados seremos perdoados” podemos confiar que Ele vai cumprir o que nos diz. Para que a nossa comunhão e amizade com deus seja mantida, ou restaurada(caso esteja quebrada por causa de algum pecado ainda não confessado), você deve praticar sempre o princípio da confissão. Por exemplo, se neste momento o Espírito Santo convencer o seu coração de alguma atitude pecaminosa, trate imediatamente de confessá-la a Deus. Como fazer isto? Não existe nem segredo nem barreiras. O acesso a Deus está livre e é imediato. Basta que você o procure e arrependido busque o perdão verdadeiro. Se por outro lado, você reconhece que o pecado cometido tem afetado outra pessoa, procure-a e peça-lhe perdão também. Permita que Deus reconstrua sua comunhão com Ele e com o seu próximo.

6) Precisamos aprender a desfrutar do perdão que Deus oferece(v.9)

Talvez você já tenha dito ou ouvido esta frase: “Eu te perdôo, mas não esqueço o que você me fez!” Quando pensamos em perdão temos de usar a pessoa de Jesus como
nosso referencial maior e graças a Deus que ele não usa essa frase em momento algum. Por isso podemos dizer que o seu perdão é verdadeiro e completo. Por outro lado, esta consideração nos faz pensar sobre a necessidade de aprendermos com ele acerca do perdão que devemos dar àqueles que nos ofendem e magoam. Na experiência pastoral, tenho percebido que as pessoas que mais dificuldades enfrentam para perdoar são aquelas que desconhecem as dimensões amplas e profundas do perdão que Deus nos oferece em Cristo Jesus. Estes, com freqüência, usam nas relações interpessoais a expressão mencionada.

Nesta etapa da carta de João, procuramos observar algumas implicações deste perdão verdadeiro a fim de que saibamos como alcançá-lo. Que a sensação maravilhosa de sentir-se perdoado por Deus nos estimule e nos capacite a perdoar também de modo verdadeiro. Se o padrão pelo qual somos medidos é a santidade divina, logo de cara sabemos que precisamos do perdão do Senhor porque somos pecadores. Toda vez que pecamos nossa comunhão com ele é quebrada. O perdão é a solução, o remédio, o antídoto que nos reabilita e nos aproxima do Senhor.

7) Precisamos entender que a vontade de Deus e que nós não pequemos(v.10).

No verso 10 do primeiro capítulo e nos verso 1 e 2 dois do segundo capítulo da primeira carta de João você encontra subsídios para evitar um outro erro muito comum nesta área do perdão. Havia entre os crentes contemporâneos de João aqueles que diziam que não tinham cometido pecado algum. Bem parecidos com os super-crentes de nossa época ou os que se julgam mais santos do que os outros. De todas as negações anteriores, esta é a mais grave: achavam que seus estudos, pesquisas e também suas experiências religiosas ou místicas os tornavam incapazes de pecar. Tal declaração por parte de qualquer pessoa faz de Deus um mentiroso e prova que a sua Palavra não está no homem.

O objetivo de João, assim como o nosso também, é de evitar que os cristãos pequem. Mas se alguém pecar, a solução de Deus para o problema está em Jesus, o nosso advogado(1 João 2.1). A grande dificuldade nesta área é que não tem sido dada muita orientação ética e moral para as pessoas e, por diversas vezes, você tem sentido dúvidas se tal ou qual atitude é certa ou errada. A minha sugestão é que você procure outros cristãos mais maduros e se necessário for procure o seu pastor ou alguém de sua igreja que lhe ajude. Lembre-se: Jesus perdoa e esquece as coisas erradas que fizemos! Isso não é uma bênção?!

“Meus filhinhos e minhas filhinhas, escrevo isso a vocês para que não pequem. Porém, se alguém pecar, temos Jesus Cristo, que faz o que é certo; ele nos defende diante do Pai. É por meio do próprio Jesus Cristo que os nossos pecados são perdoados. E não somente os nossos, mas também os pecados do mundo inteiro”(1 João 2.1-2).
Autor: Jadai Silva de Souza

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