Igreja belga promete cooperar na investigação de abusos

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A Igreja Católica da Bélgica prometeu nesta segunda-feira “cooperar com a polícia” na investigação de abusos sexuais cometidos por sacerdotes do país desde a década de 1960.
Em uma coletiva, o arcebispo primaz da Bélgica, André-Joseph Leonard, disse querer que “os responsáveis por abusos sejam punidos” e ressaltou a importância de reconhecer o sofrimento das vítimas e ajudá-las.
Leonard prometeu comunicar todos os casos à polícia, mas não especificou como, além disso, se dará a cooperação com as autoridades.
“Queremos aprender as lições certas a partir dos erros do passado”, disse Leonard.
Centro
Na última sexta-feira, um relatório divulgado por uma comissão independente instalada pela própria igreja belga identificou 300 supostos casos de abusos cometidos em quase todos os internatos católicos e dioceses no país.
“A atenção a casos individuais é a primeira coisa que podemos voltar a adotar após a divulgação desse relatório. Queremos nos comprometer ao máximo de receptividade para com as vítimas. Nós precisamos ouvir as suas perguntas para restaurar suas dignidades e ajudar a curar o sofrimento que eles enfrentaram”, afirmou o arcebispo.
O repórter da BBC em Bruxelas Jonty Bloom relata que Leonard prometeu criar um centro para oferecer “reconhecimento, reconciliação e cura” às vítimas, mas que a repercussão do caso é tamanha que é improvável que o local seja aberto nos próximos meses.
Leonard declarou também que a igreja “ficará completamente à disposição das vítimas”, para “restabelecer sua dignidade e ajudá-las a curar seu sofrimento”.
Vítimas
Algumas vítimas, no entanto, se disseram insatisfeitas com as declarações do arcebispo, argumentando que a igreja já fora informada dos abusos anos atrás e tomara poucas providências.
Uma vítima contou que, após sofrer abusos em um internato católico, reportou o caso à direção do local, que teria respondido: “Supere isso, não pense mais nisso”.
As denúncias de abusos sexuais por sacerdotes católicos se converteram em um escândalo na Bélgica, apesar de a maioria dos casos terem ocorrido décadas atrás e muitos dos sacerdotes pedófilos já terem morrido.
Em abril, o bispo de Bruges, Roger Vangheluwe, renunciou após admitir que havia abusado sexualmente de um garoto. E em junho a polícia fez blitz na sede da igreja e violou túmulos de padres durante investigação de casos de pedofilia, atos que provocaram críticas do papa Bento 16.
Escândalos semelhantes têm afetado outros países da Europa, como Irlanda, Noruega, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Suíça, Malta, Áustria e Itália. Em alguns casos, o papa – quando ainda era cardeal – foi acusado de não ter punido os acusados.
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