As acusações de um ex-pastor da Igreja Mundial

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As acusações de um ex-pastor da Igreja Mundial

A Igreja Mundial do Poder de Deus é tida como a igreja neopentecostal que mais cresce no Brasil. Tem mais de 2.300 templos e ocupa quase toda a programação da Rede 21, além de horários em outros canais. Quando foi fundada pelo apóstolo Valdemiro Santiago, em 1998, o então motorista de caminhão Givanildo de Souza começava a trabalhar em Sorocaba, no interior de São Paulo. Entusiasmado com as promessas de cura, enriquecimento e ressurreição, ele resolveu trocar o caminhão pelos templos. Virou discípulo de Valdemiro e obreiro da Mundial. Para provar sua proximidade com Valdemiro, Givanildo exibe fotos de sua família com a de Valdemiro, todos em trajes de lazer.
A dedicação ao altar lhe rendeu promoções. Givanildo passou por várias cidades até ser transferido para Araçatuba, a 525 quilômetros da capital paulista. Lá ficou responsável por 14 igrejas. Como pastor regional, chefiava os colegas e respondia pelo dinheiro arrecadado. Semanalmente, diz, enviava para a sede os montantes recolhidos. O vínculo com a Mundial durou até julho deste ano. Depois de se declarar descontente, Givanildo decidiu sair e agora faz acusações contra a Mundial. Ele afirma que era orientado a distorcer trechos da Bíblia para aumentar a arrecadação com os fiéis. É a primeira vez que um dissidente da Mundial dá um depoimento assim.
Representantes da igreja foram procurados para comentar, mas não quiseram responder. A seguir, suas principais afirmações sobre o funcionamento da Mundial.
A pressão por arrecadação
Os líderes da Igreja Mundial, segundo Givanildo, estabelecem metas financeiras a seus subordinados e cobram resultados. “Se eu não dobrasse o valor, ia ser mandado embora com minha família e tudo”, diz. Givanildo conta que, um pouco antes de deixar a Mundial, despachava para a sede cerca de R$ 300 mil por mês, oriundos do bolso dos fiéis. “Depositava na conta da igreja. Às vezes, pediam para levar em mãos.”
A pressão por arrecadação e as técnicas para extrair dinheiro de fiéis, segundo ele, eram ditadas pelo bispo Josivaldo Batista, o segundo homem da Mundial. Josivaldo, diz, lidera a segunda parte dos encontros periódicos de pastores para falar de crescimento financeiro. “A primeira parte da reunião é televisionada. Depois que desligam tudo, o bispo Josivaldo começa a falar: ‘O negócio é o seguinte, se não crescer, vamos fazer umas trocas aí. Vamos botar os pastores lá no fundão do Nordeste, no meio do mato’.”
O uso da Bíblia
Givanildo diz que, nas reuniões, Josivaldo também mostra como usar trechos da Bíblia para aumentar a arrecadação. “Houve uma campanha feita em cima de Isaías 61:7, sobre a dupla honra. Aí surgiu a proposta de pedir 30% do salário da pessoa.” Esse versículo diz o seguinte: “Em lugar da vossa vergonha tereis dupla honra; (…) por isso na sua terra possuirão o dobro e terão perpétua alegria”. Segundo Givanildo, os pastores passaram a pregar que para obter a “dupla honra” era necessário “dobrar” o dízimo e dar mais 10% do salário como oferta. Total: 30%. O “trízimo” ficou conhecido como uma inovação introduzida pela igreja de Valdemiro.
Outra orientação comum, diz Givanildo, é fazer associações simplórias entre números citados em textos sagrados e metas de ofertas. Num trecho bíblico que descreve uma batalha está dito que 7 mil guerreiros “não se dobraram a Baal”. É o que basta para uma associação. Depois de reler essa frase aos fiéis, os pastores passam a pedir doações de 7 mil pessoas, insinuando que se trata de uma determinação bíblica.
A barganha pela água benta
Na Mundial, de acordo com Givanildo, o acesso a bens sagrados são barganhados. Josivaldo, diz ele, mandava distribuir água benta só aos que contribuíssem financeiramente. “A gente tinha de dizer assim: ‘Eu quero 200 pessoas com oferta de R$ 100, que eu vou dar uma água’. Para aquelas que não tinham oferta, não podia dar.”
Os motivos da ruptura
“Eu fazia meu melhor no altar, só que quando chegava nesse momento de pedir oferta não me sentia bem. Ficava enojado”, afirma. “Se a igreja está passando necessidade, não pode ter fazenda, clube.” Givanildo conta que era considerado “rebelde” por não colocar em prática as campanhas de ofertas acima de R$ 100. E, quando o faturamento caía, era acusado de roubo, diz. “Um dia, na reunião, o bispo Josivaldo, querendo me humilhar, gritou assim: ‘Pastor Souza, vem aqui na frente’. Ele disse que tinha uma acusação, que eu estava pegando propina de outros pastores.”
A nova igreja
Fora da Mundial, Givanildo montou sua própria igreja, a Missionária do Amor. Seu primeiro templo, em Araçatuba, tem sistema de som, grafite na parede e quase uma centena de bancos estofados. Com que dinheiro montou tudo isso? “Tem gente que acredita e está me ajudando”, afirma. Sua igreja não parece ser muito diferente da Mundial. Givanildo afirma que, pelo menos no que diz respeito à forma de pedir ofertas, não segue os passos de Valdemiro.
Fonte: Época

Infelizmente fico triste de ver isso acontecendo, primeiro foi o Roberto Damasio, agora aparece mais um descontente com o que lhe era concedido, e resolve abrir seu próprio templo.
Me pergunto será que não foi a especulação que foi o real motivo desse rompimento?Lendo essa matéria me leva a refletir em;  Tiago 4-1 De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?

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1 COMENTÁRIO

  1. "Por ventura não sois carnais?"
    É meu irmão Roberto, eis que urge o tempo da volta de Cristo.
    Dissidências à parte, que Deus abençoe os irmãos que estão sendo enganados, e que sejam libertos de toda e qualquer amarra em suas vidas.
    A fé, aliada com o conhecimento da Palavra liberta.

    Graça e Paz!

  2. Este é um problema que sempre irá existir dentro das denominações cristãs uns fugindo pelas distorções bíblicas eoutros mudando de deniminação por não concordarem pelo modo como se pede doações nos templos.É verdade que há despesas a serem pagas e a falta de recursos impedem que muitas vezes a obra avance, no entanto apelar par textos Bíblicos cujo contexto não se refere ao que se está anunciando é falta de Temor a Deus. Agora não dará respaldo para eu ou quem quer que seja montar ou criar nova denominação em detrimento do erro de outros.Ser pastor não é tão simples como muitos imaginam hoje quando se fala refrindo-se a função pastoral geralmente se alia a isso a dinheiro. Ao olharmos para os primeiros Cristãos por que não dizer os discipulos não vemos eles ricos de bens materias pois se o fossem a historia não omititria isso pelo contrário Pedro disse certa vez:"Não possuo"nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: en nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda! Atos 3:6.Os bens materias hoje infelismente são sinonimos de comunhão com Deus de bem estar com Ele, enfim dos prazeres bons dessa existência e os que abandonam tais denominações não o fazem me perdoem a expressão por amor a verdade o fazem por que se o pastor "presidente" está a ganhar um soldo enorme o que é auxiliar também o quer quem nos garante que mais tarde outro pastor agora na "Igreja mundial do poder de Deus renovada" não fará o mesmo que o pastor Givanildo fez para com o seu antigo pastor "Waldomiro" e este o fez para com a sua antiga denominação. É uma bola de neve no mundo neo-pentecostal. onde eles aparecem mais que o nome JESUS, nesse mundo a frase que mais se agrega a esse fato seria: Importa que "Eu" cresça e que Ele (Cristo diminua).Enquanto Mamon é exaltado o evangelho de Cristo é vituperado nos pulpitos de Igrejas cujos fins não é outro senão Mamon. Ainda bem que existe em meio a essa febre Mamonica um remanescente que prisma pela verdade e vive nela por amor a Jesus e não por amor a Mamon.

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