Eu Sem Igreja

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Eu Sem Igreja
Eu Sem Igreja

Eu Sem Igreja. Longe da igreja sou “uma brasa fora do braseiro” – A chegada do inverno traz à baila uma das conversas mais correntes no meu grupo de amigos mais chegados: passar um fim de semana em uma propriedade do meu irmão onde um fogãozinho de lenha convidativo nos espera. A data é marcada e pra lá vamos nós. A primeira e mais esperada empreitada é agrupar a lenha no fogão, acomodar os gravetos em lugar e posição apropriados, acender o fogo e vê-lo propagar-se até atingir toda a lenha e termos assim nosso tão esperado momento quentinho e aconchegante.

Em outro passeio que fiz em 2010, um dos momentos mais marcantes foi quando saímos eu e a pessoa que me hospedava para passearmos pelos campos e aproveitar para cortarmos uns bambus para fazer uma cerca.

Bambu, fogo, brasa… Estas figuras já foram largamente exploradas em textos evangélicos e pregações para ilustrar a comunhão, o amor, o aconchego e a proteção teoricamente existentes na igreja e sem os quais não posso ficar.

Longe da igreja sou “uma brasa fora do braseiro”. Sem a proximidade das outras brasas, meu fogo se apaga, me torno inoperante, infrutífero, frio; sem comunhão, sem amor, sem calor, sem proteção. Um bambu no centro do bambuzal resiste às tempestades, não se enverga, está protegido. Os bambus da periferia, pelo contrário, são os primeiros a sofrerem as influencias danosas de uma praga, estão expostos às intempéries e são mais fáceis de serem cortados.

Estas ilustrações referentes à igreja são válidas quando ela realmente merece ser comparada a uma fogueira ou a um bambuzal. Se a igreja é um aglomerado de tições apagados, qual a diferença de pertencer a ela ou estar fora? Uma brasa apagada, para reacender, deve ser reintegrada a uma fogueira de verdade onde a honestidade, a palavra, o amor, a comunhão, a verdade sejam mais que teorias que produzem mais fumaça que fogo. Comentando este artigo com minha mãe e meu irmão, eles disseram algo interessante: no centro de um bambuzal se abrigam serpentes, insetos indesejáveis, animais perigosos, além de os bambus verem-se muitas vezes sufocados. Um bambu cortado, pode ser replantado e seus brotos produzirem um novo bambuzal, ou ser útil como cerca, apoio de varal, apanhador de frutas no topo de uma árvore.

Uma música que muito aprecio é “fico assim sem você”, gravada pela cantora Adriana Calcanhoto, cuja letra inicia assim: “Avião sem asa, fogueira sem brasa, sou eu assim sem você…”. Podemos dizer isto da nossa igreja? Por que a brasa está fora do braseiro? Não será porque o braseiro já não a supre mais? Um bambu se sente bem quando o seu bambuzal tornou-se abrigo de animais perigosos?

A igreja é formada de pessoas, portanto ela sem eu fica deficiente, não somente eu sem ela. Se todos os bambus são cortados, acaba-se o bambuzal e se todas as brasas foram removidas, apaga-se o braseiro. Uma relação de dependência mútua deve caracterizar a igreja onde todos precisam de todos e ninguém é maior ou melhor que ninguém. Mas a concorrência, o elitismo, o favoritismo e outros “ismos” não identificados têm dividido e enfraquecido a mesma igreja que prega amor e comunhão; que tem reivindicado para si o status de “braseiro” e “bambuzal”, mas tem forçado muitos bambus e brasas a se sentirem melhor fora do que dentro.

E o que você, Vítor, proporia para promover a cura desta instituição enferma? Criar novas igrejas ou dividir as existentes? Não resolve a situação, só vai produzir denominações ainda mais decadentes. Não posso extrair células sadias de um tumor.

Tenho esperança de que um dia Deus ateie seu fogo purificador no bambuzal, e das cinzas faça renascer a igreja que Ele levará consigo. Enquanto isto não acontece, procuremos nos manter juntinhos de quem pode nos manter acesos e protegidos… E não estou falando de igreja.
Autor:Vítor de Oliveira
dez0354@yahoo.com.br
Fonte:Webservos

1 COMENTÁRIO

  1. Ah, nada contra passar um fim de semana num passeio à fazenda, praia, montanha ou simplesmente na casa de um amigo no interior. Um fogão de lenha, um violão, 2 ou 3 reunidos…perfeito!

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