Conheça a religião dominante no Haiti

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Conheça a religião dominante no Haiti

Em meio à situação de catástrofe humanitária vivida pelos haitianos após o terremoto que devastou o país no dia 12 deste mês, o cônsul do Haiti em São Paulo foi pego numa declaração dizendo que toda aquela tragédia era culpa de uma ‘maldição’ feita ‘pelos africanos que moram lá’. Tentando associar a ‘maldição’ à ‘macumba’, George Samuel Antoine quis dizer basicamente que o terremoto foi culpa do vodu – religião amplamente praticada pelos cidadãos do país.
Haitianas dançam em ritual de vodu em abril de 2004
Haitianas dançam em ritual de vodu em abril de 2004

A religião existe antes mesmo da criação do país. Uma versão amplamente aceita da história da independência do Haiti, em 1804, conta que a revolta dos negros teve origem em um ritual de vodu.

“O vodu é central na história haitiana e atinge a maior parte da população”, explica o antropólogo e professor do programa de pós-graduação em antropologia social da UFRJ Federico Neiburg. Segundo ele, a religião foi construída nas Américas por escravos, como o candomblé no Brasil, e mistura elementos de cultos africanos com o cristianismo. Há entidades que são associadas com santos, e datas festivas católicas que são celebradas pelos praticantes do vodu. “Junto com o vodu, surge uma língua, que é o crioulo, que também é uma mistura.”

Apesar de o vodu estar profundamente atrelado à tradição e aos valores nacionais, houve durante muitos anos uma perseguição aos seus praticantes no Haiti. “A elite haitiana que fez a revolução olhava mais para a França do que para a África. Esse olhar fez com que, durante quase um século, até o início do século XX, a elite haitiana tivesse uma relação paradoxal: rejeitavam o vodu, embora muitos integrantes conhecessem e até praticassem a religião. Eles colocavam a prática como a causa do atraso da nação. Isso começou a mudar na década de 1920 e 1930, no contexto da ocupação norte-americana do país. Essa ocupação (de 1915 a 1934) produziu na elite um sentimento nacionalista e uma volta do olhar para a África”, explica o professor Neiburg.

O vodu ainda sofreria um outro revés, em 1940, quando houve uma campanha contra a prática no país. A religião só foi reconhecida oficialmente pelo Estado com a promulgação da Constituição de 1987, que também reconheceu o crioulo como um dos idiomas oficiais do país.

Conheça um pouco sobre os rituais do vodu haitiano:

Iniciação e casamento com espíritos

Segundo a cientista social e doutoranda em antropologia Flávia Dalmaso, que esteve no país presenciando cerimônias de vodu, a iniciação é feita com dança, comida e incorporação de espíritos. Mas isso tudo depois que o iniciado passa uma semana no ‘oufo’, que é local do culto.

Os casamentos, que são realizados entre pessoas e espíritos, também são celebrados geralmente com dança e comida. Na cerimônia presenciada por Flávia, um homem se casou com um espírito que havia solicitado o matrimônio. “A pessoa que encarnou o espírito usou um vestido de cetim zul, que era a cor preferida da entidade, e o noivo estava de branco.”

Homem pratica ritual em julho de 2000, no norte de Porto Príncipe

Flávia disse que as cerimônias variam, mas que geralmente quem realiza o matrimônio é um ‘père’ – pessoas que fizeram o seminário católico, mas não chegaram a ser padres. Eles se vestem como padres católicos, leem preces e jogam água benta. “É uma figura muito importante no vodu. Estão presentes na iniciação, nas novenas e realizam casamentos”, explica ela.

Após se casar com um espírito, o praticante deve respeitar seu desejo e passar um dos dias da semana sozinho, sem sair com ninguém.

Cerimônias e possessão

As cerimônias de vodu haitiano têm música e dança. As mulheres geralmente usam lenços na cabeça e dançam descalças. De acordo com o antropólogo José Renato Baptista, que está terminando o doutorado sobre o vodu e ficou um ano e meio no Haiti, algumas danças são muito sensuais, valorizando o movimento dos ombros e dos quadris. “As cerimônias são marcadas pelo ritmo, é uma música forte, muito interessante, agitada, tocada normalmente por três ou mais tambores, mais ou menos como o nosso candomblé”, explica ele.

Já a questão da possessão, segundo ele, “é um grande mistério”. “É uma discussão profunda. Partimos do pressuposto de que aquela experiência se baseia numa verdade vivida por aquelas pessoas.” A possessão ocorre em situações específicas e, segundo José Renato, é parte fundamental da religião à medida que é uma forma de contato privilegiado com as divindades.

O chefe religioso é o ‘ougan’ – o equivalente ao nosso pai de santo. O equivalente feminino ao ougan é o ‘mambo’. São eles que percebem a presença das entidades – os ‘loan’. Isso pode acontecer por cartas, ou por pessoas que passam por crises pessoais. “Essa relação com os loan pressupõe uma relação com ancestrais ou uma relação mítica. O pressuposto fundamental é servir a uma divindade. Muitas vezes esse loan é uma herança familiar, um ancestral que se manifesta, que vem para ajudar ou cuidar de seus parentes. A formação do vodu tem muito a ver com essa idéia do culto aos ancestrais”, explica o antropólogo.

Sacrifício animal

Diferentemente das religiões de origem africana praticadas no Brasil, no vodu haitiano o sacrifício animal é realizado publicamente. O animal é morto, seu sangue é utilizado em determinadas ações rituais e depois a carne é preparada e servida como comida na cerimônia. O sacrifício é realizado como uma oferenda para as divindades.

O animal é sacrificado em homenagem às entidades. Depois, a carne é preparada e servida para os seguidores. Na foto, um sacrifício durante ritual em abril de 2003

Resumindo tudo do que lemos acima, e do pouco que sabemos sobre o vodu, não resta duvida sobre suas características com a macumba ou o candomblé aqui do Brasil, a pequena diferença é que aqui no Brasil os sacrifícios  rituais que tem por nome “despacho” na maioria das vezes é feita nos chamados terreiros, encruzilhadas e matas nas escondidas.
Na Bíblia, no livro de Juízes  encontramos o povo de Israel  vivendo  sobre opressão e pobreza por adorar falsas divindades, e Deus ordenou que eles derrubassem os altares para dar a liberdade confira no link: Gideão o derrubador… 
O que vimos acima, é  o resultado do sincretismo religioso, isto é, da mistura entre o sacro e o profano, entre o cristão e o pagão. O fenômeno não é novo, mas o formato e a linguagem sim.
O fenômeno foi combatido por séculos, mediante profetas que instavam com Jerusalém e com Samaria, para que não se misturassem com as nações que o Senhor desarraigava de diante deles. Eles deveriam destruir tudo, e sequer mencionar os seus deuses, não aprender a sua cultura, nem vivenciar a comunhão e intercâmbio de elementos.
Israel falhou. Samaria, a capital do Reino do Norte, foi sitiada e o país desapareceu. Jerusalém falhou. Foi cativa para a Babilônia, voltou para a Palestina e novamente foi destruída.
Deus em sua Santa palavra nos adverte sobre macumba, sobre adorar ídolos e falsas divindades:

 

“Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei,serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso”. (2C 6.14-18)

A Deus seja toda a honra, toda a glória, toda a sabedoria, todo o louvor, desde agora e para todo o sempre.

Roberto Falbo

1 COMENTÁRIO

  1. Falbo, infelizmente tem pessoas que fazem comentarios infelizes. É só lembrar que Maite Proença andou queimando a imagem dela em Portugal, depois tentou se retratar. Algumas vezes falamos coisas sem pensar e "danou-se".

    Quanto a pratica do vodu, não gosto de nenhuma religiao tipo esta que sempre tem propositos não sãos. Se Deus tambem não gosta, fica a critério Dele como dar a eles a carga de penitencia.

    Só que o mundo todo está mudando de tal forma, muito se deve ao aquecimento global, o que esperar da ação da natureza senão a furia incontrolável e inesperavel?!

    Tudo que lugar, no Brasil, Chile, e por aí vai, está sofrendo pela ação danosa no homem contra a natureza.

    Beijos e saudades….

  2. Olá TATI paz seja contigo…!!!
    Minha Irmã concordo com você, e sobre declaração do Cônsul também não acho que foi saldavel.
    Assim como um Pr Norte americano foi o primeiro a fazer tal alusão como já foi postado aqui: http://amigodcristo.blogspot.com/2010/01/pastor-culpa-pacto-com-o-diabo-por.html" Pastor culpa pacto com o diabo por terremoto no Haiti
    Também não achei legal tais atitudes, e penso como você que devemos sim e orar por essas nações, e em especial essas que cultuam a demônios para que Deus tenha misericórdia do remanescente entre eles.
    Paz e estarei sim visitando seu espaço.

  3. A declaração do consul na minha opinião foi desnecessária e inoportuna! Sei q as religiões africanas são demoníacas e tudo, mas não temos o direito de afirmar que a desgraça foi um castigo de Deus. Nosso dever é orar pra que as praticas demoníacas acabem, e que Deus possa ter misericórida desse povo. desse e todos os outros que sofrem nesse momento. o Chilenos, nós e nossas enchentes…enfim…todos os que se encontram em dificuldade!

    Abraço Falbo, espero que entenda minha opinião…Sentimos sua falta no
    novo evangelismo e no
    sopa de letrinhas

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