A igreja emergente em que creio

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A igreja emergente em que creio

Em um certo momento de minha caminhada com Cristo, me senti como um náufrago, sozinho em um pequeno bote com um par de remos, bem no meio de um oceano aparentemente infinito em que não dá para enxergar terra olhando para lado algum. O que fazer então se a lógica diz que não há esperança? Este é o relato de onde minha vida se cruzou com o movimento emergente.
Voltando à solidão do alto mar, resolvi escolher aleatoriamente uma direção e remar incessantemente. Era preciso crer que o silêncio de Deus sempre fez parte de seus desígnios. E assim foram os anos seguintes… esforço e busca pelo desconhecido. Até que finalmente pude avistar terra seca e desejá-la. Porém, quanto mais me aproximava, mais a voz de Deus sussurava novamente em meus ouvidos; até que pude compreendê-la claramente. Dizia o Senhor que tudo aquilo que eu avistara era bom; mas não era para mim. O caminho de Deus para alguns de nós é “pro outro lado”.
Muitos perguntam como posso falar tanto sobre chamado e convicção, sendo que não sei explicar ao certo como é o lugar para onde estou caminhando. E a resposta é que na verdade isso não é importante. O que realmente importa é se prosseguimos em caminhar dia após dia NA DIREÇÃO E SENTIDO CORRETOS. Não preciso mais ver o que me espera; pois sei que Deus não se engana.
Então tenho lutado para viver de maneira a compreender o que de bom está emergindo em nossa geração. E assim como na música POP, sempre é possível encontrar algumas coisas boas e muitas coisas terríveis.
Dentre as coisas boas, posso citar a ousadia em questionar aspectos doentios da eclesiologia moderna. O mundo clama por cristãos que vivam debaixo de um discurso coerente e transparente. Estes são verdadeiros profetas pós-modernos. O povo morre por que nós desperdiçamos nosso tempo e dinheiro com empreendimentos que visam garantir a sobrevivência estrutural; como se isso realmente fosse importante. Mas, graças a Deus, um remanescente tem sido levantado, para em pequenas ações, repensar e reviver as verdades eternas do Reino. E este novo vinho, tem tudo para ser uma safra excelente.
Mas nem tudo são flores. Pois nunca na história se viu tamanha decepção com a igreja de Cristo no meio dos que se dizem “cristãos”. Discursos inflamados movem céus e terra para promover confronto com os velhos paradigmas, porém nada acrescentam no sentido de reformar e salvar as igrejas que trouxeram o evangelho até nossa geração. Rompemos com o mandamento de Deuteronônio 19:14, que nos proíbe de remover os marcos de nossos antepassados; mas em nossa ganância, diluímos os conceitos de obediência, submissão voluntária, sobriedade e liberdade.
Também as instituições para-eclesiásticas estão novamente na moda. É o círculo da desestruturação das igrejas se fechando na América Latina, assim como já aconteceu no século passado nos Estados Unidos. Com a desculpa de promover o necessário, os fundamentos da fé estão sendo diluídos. Somos uma geração de pseudo-cristãos, preferencialmente ligados a movimentos e sutilmente desligados do corpo de Cristo. Perdemos o privilégio de nossos antepassados de, através dos movimentos (antigamente chamados de “avivamentos”), promover a ressureição do chamado da única organização social que representa a Cristo e seu evangelho. Todo o resto, definitivamente passará.

Acredito em e igrejas emergentes por que há idoneidade em muitos que Deus tem levantado. Pessoas que, independente da aparências e glamour pós-moderno, estão dedicando suas vidas a criar pontes entre as igrejas estabelecidas e as que serão plantadas. Estas pontes proporcionarão oportunidades de que o evangelho continue a transformar pessoas em todos os lugares, emergindo em meio ao caos e à cultura.
Acredito em igrejas emergentes por que elas serão as únicas capazes de criar pontes entre o antigo e o novo. Acredito por que a Igreja de Cristo é sempre emergente; pois quando e onde menos se espera, emergem graça e vida, para continuar a propagação da mensagem da salvação e da família de Deus que vive verdadeiramente junta, não apenas na conveniência de seus interesses, mas principalmente nos confrontos diários do bom e velho discipulado.

Esta é a igreja emergente em que creio.
Mesmo não sabendo como serão os demais detalhes de sua aparência.
Mas… quem liga para aparência?
Fonte : ARIOVALDO.com.br