QUANDO TUDO PARECE DAR ERRADO

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QUANDO TUDO PARECE DAR ERRADO
QUANDO TUDO PARECE DAR ERRADO

QUANDO TUDO PARECE DAR ERRADO

O Século XIX marca um divisor de águas na história da humanidade. É nele, onde se dá, entre outros fatos importantes, o desenvolvimento, no seu ápice, das ciências positivas e do Humanismo. O homem agora buscava uma autonomia em relação a Deus. Era comum dizer-se que o homem não precisava mais de Deus, que conseguia sem problema algum resolver todas as suas questões. Um homem chamado Frederic Nitch, reconhecido por muitos como pai do humanismo, escreveu um livro que anunciava, pasmem, a morte de Deus, e, conseqüentemente, da religião. A idéia que permeava neste século era a idéia de um “super homem” (aliás o super homem que conhecemos nasce daqui). O homem resolve tudo, faz tudo, não precisa de nada, muito menos de Deus (que era apenas uma criação fantasiosa da igreja para subjugar as pessoas e mantê-las sob sua tutela).

No fervor dessa corrente filosófica, Humanismo, que exaltava o homem e suas qualidades, acima de qualquer coisas, ainda no século XIX, surge um homem que vai trazer toda essa maneira de pensar acerca do homem para dentro do protestantismo: chamava-se Charles Finey (o criador do APELO na pregação, que nada mais é que reflexo da corrente filosófica de sua época. No apelo toda a responsabilidade da salvação é lançada para o agora “super homem”, que tem, inclusive, o poder de decidir se vai dar ou não uma chance a Deus).

A influência da entrada do humanismo dentro das igrejas evangélicas pode ser facilmente percebida até hoje. Eu diria que mais de 90% das igrejas recebem e alimentam uma visão humanística acerca do homem. Expressões do tipo:

“Senhor eu declaro….”, “Senhor eu não aceito a pobreza…”, “Sou filho de Rei, portanto sou príncipe e tenho que viver na riqueza…”, “Senhor eu profetizo a benção”..etc.

Demonstram claramente que o humanismo está impregnado na teologia hodierna. Não faz muito tempo, e tomamos conhecimento de um rapaz que era líder de uma determinada igreja, e havia sido disciplinado simplesmente porque ficara doente, afinal, como um “filho do Deus todo-poderoso” poderia ficar doente?

Um dos maiores divulgadores do humanismo dentro das igrejas evangélicas hoje em dia, com uma penetração muito grande, sobretudo nas igrejas Neo Renovadas, é o teólogo americano Kenneth Hagin. Vejamos algumas citações dele acerca do que ele pensa sobre o crente, sobre como deve ser o servo de Deus:

“O homem… foi criado em termos de igualdade com Deus, e poderia permanecer na presença de Deus, e sem qualquer consciência de inferioridade…Deus nos criou tão parecidos com Ele quanto possível…. ele nos fez seres do mesmo tipo dEle mesmo… O homem vivia o Reino de Deus. Vivia em pé de igualdade com Ele… O crente é chamado de Cristo…eis quem somos; somos Cristo. Quando o homem nasce de novo ele toma sobre si a natureza divina e torna-se, não semelhantes, mas igual, exatamente igual em natureza com Deus. A única diferença entre o homem e Deus torna-se a magnitude, Deus é infinitamente divino e nós ainda finitamente divinos. O crente é uma encarnação de Deus exatamente como é Jesus de Nazaré (Jornal palavra da fé, Dez/97).

O servo de Deus, na visão desse pessoal é, literalmente, um “SUPER CRENTE”, alguém que declara e pronto, está tudo resolvido. Alguém que determina a vitória e a vitória vem. Alguém que impõe as mãos e as coisas acontecem. A teologia de Kenneth Hagin (totalmente maculada pelo humanismo tem feito dos crentes verdadeiros “semi-deuses”.

MAS, quando olhamos para a palavra de Deus não é isso que vemos. O nosso próprio mestre é descrito em ISAÍAS 53:3 como Homem de dores, o próprio Jesus nos adverte emJOÃO 16:33 No mundo tereis aflições e depois nos fala emMATEUS 7:14 sobre o caminho, que é estreito, apertado,difícil. Somos incentivados em LUCAS 14:27 a tomar sua cruz e segui-lo (e o que é isso senão renúncias muitas vezes extremamente dolorosas). O apóstolo Paulo nos fala em II CORÍNTIOS 11:24-27 que muitas vezes passou por privações, fome, frio, assaltos, apedrejamento etc. O que não dizer do sofrimento exaustivo e humilhação do jovem josé? Dos cristão primitivos sacrificados em dores terríveis? (conta-nos a história que no primeiro século Nero ateava fogo aos cristãos simplesmente para iluminar seus jardins. Tantos irmãos presenciaram seus filhos serem devorados por leões famintos) tantos e tantos outros exemplos.

ELUCIDAÇÃO:

O texto de Jó, citado acima, não deixe de ler, é uma clara antítese da teologia que se está sendo pregada nas igrejas hoje. Jó era Servo de Deus, humilde e fiel, mas que passou por experiências que lhes trouxeram dores inimagináveis:

1- Perdeu seus bois e suas jumentas e os servos;
2- Perdeu suas ovelhas e mais servos;
3- Perdeu seus camelos e ainda mais servos;
4- Perdeu seus filhos e filhas;
5- E como desgraça pouca é bobagem, perdeu sua saúde.

A expressão: Falava este ainda…quando outro..” nos dá uma idéia de como aconteceu na vida desse servo de Deus: desgraça em cima de desgraça…

Todos esses textos da palavra de Deus, a famosa história de Jó nos faz ter a idéia exata de quem é o homem nas mãos de Deus: Fraco, indefeso, passivo de sofrer dores intensas, totalmente dependente e humilhado diante de um Deus que faz todas as coisas “segundo o conselho de sua vontade”.

O homem bíblico, inclusive os que são servos verdadeiros de Deus, é em muito diferente daquele pintado por Frederic Nitch, Charles Finey , Kenneth Hagin, Valnice Milhomes e seus seguidores. O homem bíblico não é um “SEMI-DEUS”, é um homem falho e indefeso, que muitas vezes passa por problemas terríveis. Vamos refletir sobre isso?

TEMA:

O QUE FAZER QUANDO TUDO PARECE DAR ERRADO?

ARGUMENTAÇÃO:

1º) DEVEMOS NOS LIVRAR DO PERIGO EMINENTE DE BLASFEMAR CONTRA DEUS.

A primeira coisa que nos vêm à mente quando passamos por catástrofes em nossas vidas é um sentimento maligno de culpar a Deus por tudo, uma vontade quase insustentável de abandonar tudo. Veja a lógica da mulher de Jô: (v.9) …”AMALDIÇOA A DEUS E MORRE”. Ela simplesmente externou aquilo que muito provavelmente estava enchendo o coração e a mente de Jó. Fazer com que o servo de Deus blasfeme contra Ele é a maior preocupação de Satanás nestes momentos difíceis, veja o v.11!

Mas jó exatamente para não permitir que sua boca falasse o que sua consciência e coração estavam pedindo, numa tentativa bem sucedida de calar aqueles mal pensamentos, fala em alto e bom som: “BENDITO SEJA O NOME DO SENHOR” (v.21). É claro que essas palavras são as últimas que nossos corações pendem para que sejam pronunciadas, mas mesmo contra a vontade (que é naturalmente de falar coisas contrárias a Deus), Jô nos ensina que devemos bendizÊ-Lo.

Isso aconteceu também com o Salmista Asafe, no salmo 73, ao perceber que mesmo sendo um servo fiel de Deus passava por dificuldades terríveis, enquanto que os ímpios prosperavam sem problema algum. É claro que o que seu coração (instigado pelo diabo) pedia que dissesse não eram palavras de louvor a Deus, mas Asafe sabia que se pronunciasse seus pensamentos maléficos e blasfemos (pois tê-los ainda não se configura pecado e sim tentação) estaria aborrecendo a Deus (v.15). Antes porém de começar toda essa reflexão de sua situação ele já começa dizendo: “COM EFEITO DEUS É BOM PARA COM ISRAEL (v.1) porque sabia do iminente perigo de blasfemar contra Deus.

Recentemente perdi uma pessoa muito querida, brutalmente assassinado, servo de Deus, ele e toda sua família. Interessante que sua mãe em meio a lágrimas e dores incontáveis dizia repetidas vezes: “Deus é bom…Deus é bom…Deus é bom…” com um claro intuito de calar os pensamentos blasfemos que lhes viam à mente (provavelmente?)

2º) RECONHECER QUE NÃO SOMOS NADA, E QUE NÃO TEMOS O DIREITO DE COBRAR SATISFAÇÃO DE DEUS.

A expressão perfeita de Jô (v.21) “ NU SAÍ DO VENTRE DE MINHA MÃE E NU VOLTAREI” expressa com muita sabedoria a consciência que nada temos, que nada nos pertence, somos tão somente mordomos de Deus.

O apóstolo Paulo em Rm 9:20, faz algumas perguntas muito pertinentes quanto a isso: “Quem és tu ó homem para discutires com Deus?! Porventura pode o objeto perguntar a quem o fez: por que me fizeste assim?”

Numa visão macro das coisas, o nosso tempo, o nosso dinheiro, a nossa saúde, enfim tudo que dispomos e usufruímos, nada nos pertence, tudo é de Deus, que bondosamente nos dá para que administremos. Isso nos tira completamente o direito de reclamar de Deus por ter tirado “nosso” dinheiro, “nossos” familiares..”nossa” saúde…etc…

Em momentos de crise e desespero é extremamente importante ter essa compreensão de que somos tão somente despenseiros, mordomos e não donos das coisas. E tão somente fazer coro com o salmista autor do Salmo 39:9 “EMUDEÇO, NÃO ABRO OS LÁBIOS PORQUE TU FIZESTES ISSO”.

3º) PROCURAR ENTERDER O PLANO DE DEUS QUE ESTÁ SE DESCURTINANDO DIANTE DE NOSSOS OLHOS E MAIS QUE ISSO: COLOCAR-SE HUMILDEMENTE A DISPOSIÇÃO PARA CUMPRIR SEUS PROPÓSITOS:

Ainda no v.21 quando Jô declara: “O SENHOR DEU E O SENHOR O TOMOU”, é uma declaração inequívoca de alguém que, apesar de não estar entendendo o que está acontecendo, apesar de não estar gostando, apesar de estar sofrendo tremendamente com tudo o que está acontecendo, reconhece a SOBERANIA DE DEUS, reconhece que nada LHE FOGE AO CONTROLE.

Muito provavelmente Jó possuía muitos planos maravilhosos para seus filhos seus empregados e seus rebanhos. O grande problema é que Deus tinha um plano diferente para sua vida. E quando isso acontece temos que entrar em sintonia novamente com os planos de Deus.

Veja o que diz o sábio Salomão em PROVÉRBIOS 19:21

“Muitos são os planos no coração do homem;
mas o desígnio do Senhor, esse prevalecerá”

A palavra de Deus ainda nos ensina em ISAÍAS 55: 8-9

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos”

Jó parece ter entendido perfeitamente que o plano de Deus é infalível e se cumprirá, que o plano de Deus é infinito e ilimitado e humildemente agora coloca-se como instrumento no cumprimento do propósito do Deus soberano. Jó entendeu que quer queiramos ou não os PROPÓSITOS DE DEUS sempre prevalecem sobre nossa vontade.

Podemos lembrar aqui de Jonas. Deus lhe deu ordem explicita para pregar em Nínive, ele pegou um navio em sentido contrário, Deus envia uma tempestade, lhe derruba no mar, vem um peixe engole Jonas, vomita Jonas perto de Nínive e daqui a um pouco lá está Jonas pregando, como QUERIA O DEUS SOBERANO!

Conta-se uma história de uma mulher crente que havia perdido seu filho e estava revoltada, havia abandonado a igreja. Seu pastor foi visitá-la e a encontrou, em meio a lágrimas e revoltas, bordando um tecido. Ele logo aproveitou a oportunidade e lhe disse: “irmã que coisa horrível a senhora está fazendo. Está muito feio”. Ele de pronto retrucou: “não pastor, é porque o senhor está vendo do lado errado”. E de imediato o pastor concluiu: “irmã…é assim que a senhora está vendo o plano de Deus na sua vida. Do lado errado”. Assim como seu bordado visto do lado errado é feio, O PLANO SOBERANO, SÁBIO E AMOROSO DE DEUS, VISTO DO LADO CERTO, É MARAVILHOSO! DEUS JAMAIS É PEGO DE SURPRESA. NADA SAI DO SEU CONTROLE. AINDA QUE AS COISAS PAREÇAM ESTAR DANDO ERRADAS TEMOS QUE SABER: DEUS ESTÁ NO CONTROLE. PARA ELE NADA DÁ ERRADO ELE ..”TUDO FAZ SEGUNDO A SUA VONTADE SOBERANA”.

CONCLUSÃO:

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.

Fonte: HD

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